Assassino Atemporal

Capítulo 508

Assassino Atemporal

(Base Militar Juxta, Deck de Simulação Avançada)

Após sair da Nave de Combate, Charles guiou Leo até o deck de simulação avançada, um campo de treinamento holográfico onde soldados aprendiam os conceitos básicos de guerra urbana.

O piso do deck de simulação era feito inteiramente de vidro e, assim que eles ocuparam o ponto de partida designado, uma enorme cidade holográfica surgiu em camadas diante deles.

Estruturas imponentes, ruas rachadas, infraestrutura parcialmente demolida e barricadas de mana piscando na cena se estabeleceram distrito por distrito, até que toda a metrópole projetada estivesse completamente formada.

"Certo, garoto," começou Charles, com a voz firme e sem nenhum efeito teatral. "Agora que você entende como se estabelece e mantém a superioridade aérea, é hora de aprender sobre a parte mais sangrenta de qualquer guerra, onde mais vidas são perdidas."

Ele apontou para o distrito central do holograma, onde marcas vermelhas indicavam posições inimigas fortificadas.

"A força aérea faz uma coisa e faz bem: destruímos a infraestrutura inimiga. Radar, postos de comando avançados, fábricas. Empurramos o exército opositor para dentro das cidades, onde é mais difícil de acabar com eles... mas mais fácil de pegá-los em Armadilha."

Charles balançou um dedo sobre a projeção.

"De acordo com o tratado universal sobre a guerra, não podemos bombardear e nem neutralizar cidades indiscriminadamente por ataque aéreo. Essa é uma das razões pelas quais essa etapa precisa ser feita a pé, e por que as aeronaves não podem ajudar—"

Ele explicou, enquanto Leo assentia em sinal de compreensão.

Na teoria, seria muito mais fácil neutralizar toda uma cidade pulverizando-a, mas isso poderia causar uma perda extrema de civis, e Leo entendia por que essa prática teve que ser proibida.

"Nunca quebre as regras da guerra, rapaz... Porque lembre-se: mesmo que você quebre uma vez e salve algumas centenas de milhares de vidas do seu lado, lá na frente essa decisão pode te cobrar caro, custando muito mais vidas do que você imaginava."

Charles advertiu, enquanto Leo respondia com um aceno sério.

"Então... assim que os céus forem nossos, o verdadeiro trabalho começa."

As forças terrestres avançam. Quarteirão por quarteirão. Rua por rua. A missão delas é simples no papel: tomar a cidade inimiga, assegurar todas as principais estradas e rotas de abastecimento, e impor toque de recolher. Você corta a fuga do inimigo. Você corta o fornecimento de comida para os civis. Você faz parecer que eles não podem respirar sem sua permissão."

"Mas essa também é a parte mais perigosa da guerra. Dentro das cidades, não existe terreno seguro. O inimigo pode estar em qualquer lugar—nas redes de esgoto, nos prédios altos, túneis escondidos, prédios desabados, até dentro de multidões de civis. Uma hesitação? E seus homens desaparecem."

A simulação mudou novamente, destacando grupos de unidades vermelhas escondidas dentro de edifícios e túneis subterrâneos.

"A guerra urbana nunca é limpa. Por isso, a chave não é força bruta, mas informação e consciência em tempo real—"

"Para vencer uma guerra urbana, seu grupo de combate precisa ser modular."

Mostrou uma exibição tática de uma formação típica de esquadrão.

"Você sempre deve ter seu observador ou personagem de reconhecimento na frente. Uma pessoa com percepção aguçada, possivelmente até visão aprimorada. Atrás deles, seu atirador de elite ou arqueiro— quem puder fornecer cobertura de longo alcance.

Não são apenas reforços. São seus anjos. Garantem que toda a unidade esteja protegida contra ameaças inesperadas."

Charles apontou para outro grupo de figuras azuis.

"Depois vêm os portadores de escudo. Tipo tanque. Eles aguentam o impacto da emboscada se as coisas derem errado. Atrás deles, seus berserkers e espadachins… sua linha de ataque real.

E, claro, alguns especialistas escondidos, como médicos, saboteadores ou engenheiros de mana capazes de desarmar minas e armadilhas nas ruas."

Ele olhou direto nos olhos de Leo.

"Nenhuma unidade avança mais do que a visão clara do reconhecimento, e ninguém atravessa uma zona que o atirador de elite não possa cobrir. Essa é a doutrina da guerra urbana. E quem a viola... morre."

Leo assentiu lentamente, assimilando tudo, mas Charles ainda não tinha terminado.

"E como comandante, seu papel não é lutar na linha de fogo.

Você não é o reconhecimento deles, e certamente não é o escudo. Precisa estar acima do jogo terrestre, vendo o quadro geral."

Ele caminhou para a frente, colocando as mãos atrás das costas.

"Olhe para esse mapa da cidade. Onde estão os pontos de estrangulamento? Onde estamos perdendo mais homens? Onde nossos médicos estão sendo repetidamente visados? Você precisa identificar essas áreas, entender por que estão falhando e, se necessário— enviar seus melhores homens para limpá-las silenciosamente, abrindo caminho para que o resto avance de forma limpa."

A projeção holográfica pulsou em vermelho em três distritos diferentes.

"É aí que suas habilidades de Assassino entram. Não para brincar de soldado, mas para ser a lâmina silenciosa que elimina o câncer enquanto o exército avança."

Ele fez uma pausa, dando uma risada sem humor.

"Você e Veyr... vocês não são soldados rasos. São símbolos de moral. Armas de lenda. Sua presença não serve para resolver toda briga, mas para inspirar medo no inimigo e esperança nos homens que seguem vocês."

Indicou com um dedo a projeção de uma figura sombria chamada 'Pointbreak'.

"Essa é a parte da guerra onde você deixa Dupravel e seus generais de topo fazerem o trabalho sujo. Você aparece depois que a área é limpa, posa de herói, e os soldados acreditam que foi o Dragão Sombrio quem abriu caminho."

Leo permaneceu em silêncio, observando enquanto a simulação detalhava reforços inimigos escapando por rodovias desmoronadas e pontos de acesso de saneamento.

Charles voltou a caminhar.

"Guerra urbana nunca é sobre velocidade. É sobre controle. Divida a cidade em setores. Garanta um, monte um posto de relé de mana, e depois passe para o próximo. Nunca se estenda demais. Nunca deixe sua retaguarda vulnerável. Cada soldado precisa saber de onde veio e para onde vai recuar se as coisas ficarem ruins."

Apontou para um nó azul piscando.

"Tenha sempre zonas de retaguarda com rações de emergência, suprimentos médicos e munição de reserva. Você não conquista uma cidade apenas atacando. Você a sufoca até ela implorar por paz."

Leo levantou uma sobrancelha.

"E como exatamente você faz elaasonsar?"

Charles deu de ombros.

"Comida e água…"

"Há um limite de o que os civis podem suportar. Tanta comida e água armazenada em casa que eles podem sobreviver sete dias? Trinta? No máximo quarenta."

"Depois disso, serão eles que vão virar contra seu exército."

"Você monta um sistema que recompensa civis que entregam soldados inimigos, e na casa de trinta dias, eles mesmos vão caçar seus próprios homens."

E assim você vence essa guerra—"

Um silêncio voltou a tomar conta entre eles, enquanto a projeção brilhava em vermelho em três distritos, e Leo observava a selva de pedra diante dele.

Ele via as possibilidades. Os riscos. O sangue.

Mas, acima de tudo, ele compreendia o caminho para a vitória.

"Certo, filho, esses são os últimos passos para vencer uma guerra. Assim que os civis se renderem, o planeta será seu."

"Parabéns, você virou uma lenda do Culto."

Mas seu dever não termina aí.

Como comandante, você precisa garantir que seus homens se comportem.

Que não zombem dos inocentes nem cometam atos horrendos como estupro ou assassinato.

Uma cidade desmoronada é sem lei, e é seu trabalho garantir que, rapidamente, ela volte a ter ordem e que as operações militares por trás das cenas funcionem sem problemas.

Comida, logística, munição, instalação de defesas planetárias novas.

Esses são os problemas que você precisa resolver pessoalmente.

Entendido?" perguntou Charles, enquanto Leo, apesar de assustado, assentia em sinal de compreensão.

"Ótimo, agora que você entende o quadro geral, podemos passar para as partes mais detalhadas."

Não se preocupe… nos próximos dez dias, vou te ensinar o básico de como liderar um exército."

Levantando uma respiração cansada, Leo reconheceu que ser comandante era, sem dúvida, algo muito complicado, mas não tinha alternativa a não ser aprender rápido.

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