
Capítulo 507
Assassino Atemporal
(Base Militar Juxta, Ponto de Vista de Charles e Leo)
Depois de explicar como desativar o escudo de mana de um planeta, Charles conduziu Leo até o Hangar, onde estavam estacionadas as naves de guerra do exército do Culto.
"Tudo bem, garoto, agora que você entendeu os passos básicos de uma guerra, vou te explicar o que acontece depois de desativar o escudo de mana de um planeta," disse Charles enquanto atravessavam a passarela elevada, adentrando o coração do Hangar.
"A próxima coisa que você precisa entender profundamente... é como estabelecer superioridade aérea."
Ele gesticulou para o hangar, onde uma variedade de naves de guerra do Culto estavam preparadas e prontas.
"Nossa frota não é só grande. É também muito mais eficiente do que qualquer nave de facções justificadas da mesma classe. Feitas sob medida para dominar os céus, camada por camada."
Ele apontou para uma nave afiada e baixa na extremidade do hangar.
"Aquela ali é uma nave de classe Fragata.
É ágil e quase invisível para a maioria dos radares de detecção.
O objetivo dessas naves é explorar, interceptar e sabotar.
Enviar uma à frente, e ela destruirá uma torre de radar inimiga ou sabotará uma junção de escudo antes que suas unidades mais pesadas entrem."
Depois, ele virou-se para uma embarcação em tom de cinza metálico, equipada com canhões rotativos e turrets alimentados por mana.
"Estas são o que chamamos de Caças de Artilharia.
São, na essência, fortalezas voantes. Mais lentas que as Fragatas, mas repletas de armas. Construídas para suporte terrestre de resposta rápida.
Voam baixo, atacam forte, e praticamente atravessam a base inimiga."
Então, parou na frente da gigantesca embarcação que eles estavam se aproximando, uma nave maciça, blindada de preto, ancorada no Molo 03.
"E esse monstro aqui? É uma Nave de Destruição."
São suas embarcações de ataque de longo alcance e alta altitude, com toda a força capaz de derreter bunkers com seus canhões de tiros de longe.
Suas mísseis? Não detonam apenas objetos, eles reescrevem o terreno. São as rainhas do céu. Se você as mantiver vivas, você vence."
Leo observou o casco enquanto embarcavam na nave de classe Destruidor, chamada 'GuerraLança'.
Dentro, o ambiente era clínico e tranquilo, mas sob essa calma pulsava algo bruto... energia potencial quase contida por metal e redes de comando.
Charles o seguia, com as mãos nos bolsos do casaco, postura relaxada, mas sempre firme.
"Bem-vindo à parte da guerra que você nunca precisará se preocupar," murmurou, batendo o calcanhar no chão duas vezes antes de gritar na direção da frente, "Tenente!"
Uma mulher sentada na cabine do piloto virou-se até a metade, seu coque apertado quase imperceptível enquanto assentia com firmeza.
"Sim, comandante."
"Execute uma simulação de evasão. Finja um ataque inimigo, digamos, de um canhão de artilharia alimentado por mana, seguido por uma cauda de uma destruidora inimiga. Mostre ao rapaz como dançamos."
"Afirmativo, senhor."
Sem dizer mais nada, a nave tremeu levemente abaixo deles. Leo instintivamente alargou a postura enquanto os amortecedores de energia atuavam, e a GuerraLança vibrou um pouco para a direita, seguida de uma elevação abrupta.
A tela superior ajustou-se imediatamente, exibindo a trajetória de um projétil teórico, enquanto pontos vermelhos brilhantes arqueavam em formação organizada em direção a eles.
"Primeiro que você precisa saber," disse Charles, em tom calmo mesmo com o movimento, "é que a guerra aérea não é vencida pelo poder, mas por posicionamento. Potência ajuda, claro. Mas se você não consegue desviar, se não consegue manobrar, você morre no ar."
A nave se inclinou de repente, realizando uma manobra de cambalhota enquanto sirenes de aviso soavam na simulação.
*Segure*
Leo se segurou na alça de apoio próxima, observando as mãos da piloto se moverem como se tocassem um instrumento — elegante, concentrada, precisa.
"Aquela ali? Ela pilota desde os dezoito anos. É uma prodigiosa nata, igual a você.
Hoje, ela tem vinte e oito, mas já enfrentou doze missões orbitais e acumulou mais de duas mil horas de combate ativo.
Se eu lhe entregasse uma frota completa, ela destruiria uma cidade inteira antes mesmo do café ficar frio."
Charles elogiou, enquanto Leo piscava em concordância.
Charles raramente elogia alguém, então, se ele fala tão bem de alguém, esseSoldado definitivamente deve ser especial.
*CIRRUS*
A nave acelerou repentinamente numa ascensão espiralada, evitando por pouco outro ataque iminente, as trilhas azuis de plasma simulado deslizando pelo visor como raios.
"Agora você entende porque eu disse que isso aqui é melhor você ficar fora," murmurou Charles, acendendo outro cigarro sem tirar o olhar do visor.
"Essas naves... São bestas. E só são tão boas quanto os instintos de quem as pilota. Você, eu, soldados de terra como nós... não somos feitos para comandá-las. Somos quem as lança ao céu depois que ele já foi completamente consumido."
A tela se transformou em uma visão tática, com indicadores piscando de torres anti-aéreas, radares e depósitos de combustível espalhados pela superfície de um planeta.
"O objetivo é sempre o mesmo," explicou Charles. "Destruir a infraestrutura inimiga. Enxergar, cegá-los. Cortar as comunicações. Derrubar suas embarcações. Depois disso... eles se tornam presas fáceis."
Leo assistiu à continuação da simulação, com a nave se esquivando de ataques simulados antes de travar em uma torre de comunicação inimiga. Uma pulsação azul emergiu sob o casco da nave antes de disparar um tiro de precisão, destruindo o alvo na tela.
"É isso que significa ter superioridade aérea," murmurou Charles, sua voz quase um sussurro ao ver a luz se apagar. "Sem gritos. Sem combate corpo a corpo. Apenas pressão cirúrgica. Você não luta essa parte da guerra, filho. Você só torce para que sua equipe faça a coisa certa."
A simulação terminou, e a nave estabilizou, retomando o silêncio. O vidro voltou a exibir a imagem suave do exterior do hangar.
Charles jogou a cinza no chão e lançou um olhar de lado para Leo.
"Essa missão não é pra você. A menos que algo dê terrivelmente errado."
Leo assentiu silenciosamente, ainda segurando a alça de apoio.
"Mas você ainda precisa entender tudo isso. Porque há muito mais em manter a superioridade aérea do que apenas vencer a luta no céu uma vez," disse Charles, virando-se para encarar Leo de frente, fixando seus olhos.
"Essas naves não podem ficar no ar para sempre. Os motores aquecem demais. Os núcleos de mana precisam de tempo pra recarregar. Os tanques de combustível se esvaziam. Elas precisam de zonas de pouso para aterrissar, se refrescar e reabastecer."
"E isso significa que cabe a você garantir esses pontos, rotacionar esquadrões sem deixar buracos no seu céu. Você não precisa micromanagear toda batalha lá em cima, mas precisa saber apoiar de baixo."
Leo assentiu, fixando o olhar na interface central enquanto o cenário voltava à órbita neutra.
"Estabelecer superioridade aérea te dá o direito de mover. Manter essa superioridade… é o que mantém seu exército vivo."
Charles colocou a mão brevemente no ombro dele antes de se virar para a rampa de saída.
"Vamos. Agora vou te mostrar como é quando aterrissamos."