Assassino Atemporal

Capítulo 506

Assassino Atemporal

(Base Militar Juxta, Perímetro)

O vento havia levantado um pouco mais enquanto Leo caminhava ao lado de Charles, com as botas crunhindo sobre a gravelha enquanto sons de linhas de transmissão e tiros distantes preenchiam o ar.

Acima deles, naves da classe destruidor descansavam nas linhas de amarração, como bestas adormecidas, silenciosas mas carregadas de ameaça, esperando a guerra para acioná-las.

Charles deu uma longa tragada no cigarro, deixando o silêncio se instalar, deixando o peso da última conversa pairar entre eles. Mas, ao contornar a curva perto da estação de comunicações, algo em sua postura mudou. Seu tom perdeu a carga emocional, tornando-se mais calmo, mais frio, como uma lâmina sendo desembainhada para instrução.

"Veja bem, filho", começou, com a voz firme e deliberada, "existem muitas táticas na hora de conquistar um planeta."

Ele fez uma pausa, gesticulando de forma preguiçosa para o céu, como se as estrelas acima fossem peões em um jogo só ele soubesse jogar.

"Mas o primeiro passo é sempre o mesmo."

Ele ergueu a cinza do cigarro, assistindo-a espalhar-se antes de continuar.

"Você desabilita o escudo de mana do planeta."

Leo virou um pouco a cabeça, estreitando os olhos, absorvendo cada palavra.

"Existem tipos diferentes de escudos de mana", Charles prosseguiu. "O que usamos são escudos de núcleo único. Um gerador protege todo o planeta. O que significa um ponto de falha. Você guarda esse ponto, e a proteção toda fica de pé."

Ele esfregou a mandíbula, demonstrando a experiência que carregava na postura.

"O lado negativo é que ele consome mana como louco. Caro, exige muita manutenção, mas é fácil de defender se você souber o que está fazendo."

Ele retomou a caminhada, com as mãos cruzadas atrás das costas, com passo firme e sem pressa.

"Agora, a outra opção é um escudo de núcleo múltiplo. Normalmente, seis ou sete geradores espalhados pela superfície do planeta, todos conectados. Muito mais eficiente. Mais fácil de reparar. Mas também muito mais vulnerável."

Ele olhou para Leo.

"Com esses, você não precisa destruir toda a teia. Basta encontrar o ponto mais fraco, o alvo mais sensível, e destruí-lo. Você cria uma brecha. Uma entrada. E, para nossa sorte, aqueles fanáticos da Facção Justa adoram seus setups de núcleo múltiplo."

Leo fez uma careta levemente preocupada.

"Então, na maioria das vezes, só precisamos destruir um?"

Charles confirmou com a cabeça.

"Se for um planeta de núcleo múltiplo, sim. Ataca o ponto fraco. Mas, para planetas de núcleo único, como o Juxta, é diferente. Uma entrada. Um gerador. E geralmente protegido como se fosse o próprio templo dos deuses."

Ele apontou para uma torre alta, cinza e preta, não muito longe, onde drones de vigilância se moviam lentamente em trajetórias circulares ao redor da torre.

"Você vê isso?"

Leo seguiu sua linha de visão.

"Logo abaixo dessa torre está o Núcleo do Escudo de Juxta. O gerador real. Está enterrado sob aço reforçado, envolto por barreiras espaciais, e cercado por encantamentos que nem documentamos em lugar algum."

Charles deu uma risadinha abafada.

"Apenas alguns engenheiros têm permissão para chegar perto, e só com escolta militar."

"E mesmo assim, eles não conseguem danificar o núcleo, porque, mesmo se você destruir a torre acima do solo, o núcleo não tremeria. A estrutura acima é só de fachada. Um isca para atrair fogo."

Leo assentiu lentamente, absorvendo o conhecimento com atenção.

"Para destruir um núcleo de mana que alimenta um escudo planetário, você precisa destruir qualquer estrutura que conecte os cristais de mana de alta densidade a máquinas complicadas.

Só assim você sabe que conseguiu.

Quando a estrutura que você destrói é alimentada por muitos cristais de mana."

Você entendeu?" Charles perguntou, enquanto Leo assentia compreendendo.

*Huff*

Charles fez uma longa exalação de fumaça, antes de dar mais uma tragada e continuar.

"Muito bem. Agora que você me acompanhou até aqui, vou te explicar o que acontece depois que você abre um buraco e invade o escudo de mana."

"O que vem a seguir não é questão de força militar. É um verdadeiro jogo de estratégia e tecnologia."

Ele levantou dois dedos.

"Você derruba as defesas aéreas deles. Rápido e com força. Mandar naves da classe destruidor para atirar de órbita. Destruir bases militares. Queimar florestas. Demolir montanhas. Empurrar o exército deles de volta para as cidades, onde a presença de civis torna mais difícil fazer uma ação limpa."

"E, depois de conquistarem o céu?"

Ele lançou um olhar de lado para Leo, testando.

"Você envia tropas terrestres", respondeu Leo em voz baixa.

Um pequeno sorriso se revelou no rosto de Charles.

"Exatamente. É nessa hora que você entra. A pé. Distrito por distrito. Você garante as estações de energia, toma os prédios do governo, corta as rotas de abastecimento. Impõe toque de recolher. Sufoca a cidade até que render-se seja a única saída."

Naquele momento, sua voz desacelerou, o peso de suas palavras voltando a fazer efeito.

"E aqui está a parte que nos diferencia de monstros. Temos um acordo civil com a Facção Justa. Um pacto."

Leo olhou para ele, com as sobrancelhas levantadas.

"Um pacto?"

Charles confirmou com a cabeça.

"Se conquistarmos um dos planetas deles e civis sobreviverem, somos obrigados a devolver. Pagam um preço, que é padrão de mil MP por pessoa. Assim que pagam, as naves humanitárias entram, carregam os civis e deixam o planeta limpo."

"Mas isso não vale para soldados", acrescentou Charles, com a voz mais baixa.

"Ou civis que cometem crimes de guerra. Qualquer um que prejudique nossos homens perde essa proteção. E qualquer um de uniforme? O destino deles fica a cargo do comandante. Se vivem ou morrem... isso é com você."

Charles ficou em silêncio novamente, e por um tempo caminharam sem palavras, o ar entre eles pesado de compreensão.

As naves de suprimento entravam e saíam na extremidade distante, com caixas empilhadas de equipamentos novos para o próximo mês, mas nem Leo nem Charles davam atenção a elas.

"Ouça bem, garoto—" finalmente Charles falou, colocando a mão no ombro de Leo.

"A guerra não é um torneio. Você não está lá por glória. Você está lá para comandar a destruição. Cidades vão cair porque você mandou, famílias vão morrer porque sua estratégia funcionou."

"E, quando a poeira assentar, você será quem vai estar na mesa... decidindo o valor de cada vida que não tirou."

Ele fixou Leo com o olhar.

"Você ainda está comigo?"

Leo assentiu, com a voz baixa, firme e segura.

"Estou contigo."

Charles deu um leve aceno, jogou fora a última parte do cigarro e a esmagou com a bota.

"Muito bem. Porque isso aqui não é jogo. A guerra vai te mudar, garoto... até mesmo acho que vou precisar começar a te chamar de Leo, quando você voltar."

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