
Capítulo 496
Assassino Atemporal
Depois que os termos de sua rendição foram definidos, Dupravel mergulhou a mão no bolso interno do casaco e retirou um pergaminho cuidadosamente selado, feito de pergaminho forjado pelo espírito, cujas bordas brilhavam com um tênue brilho prateado.
Com cuidado, desenrolou-o sobre a mesa do alpendre, onde a mana no ar respondeu imediatamente, formando um suave zumbido ao redor do documento.
"Este é um item que preparei há muito tempo, caso precisasse me prender a alguém sem espaço para traição", explicou Dupravel em tom baixo, seus dedos passando levemente pela superfície com um suspiro de arrependimento.
Era evidente por suas ações que aquilo era um plano de contingência para salvar sua vida, feito anos atrás.
Uma espécie de última alternativa, se não tivesse outra saída.
*SHUA*
Depois, de seu anel de armazenamento espacial, ele summonou uma pena emplumada, moldada a partir da espinha de uma besta fênix, e colocou ao lado de um pequeno frasco de vidro com tinta transparente.
"Se você não conhece, deixe-me explicar como funciona esta técnica de vínculo de alma.
No momento em que nós dois deixarmos nossas gotas de sangue na tinta, os três elementos do contrato espiritual começarão a trabalhar juntos, e o contrato de alma será escrito automaticamente.
As palavras no contrato de alma serão escritas de acordo com o espírito do nosso acordo verbal, o que não deixará espaço para brechas por meio de palavras enganosas no contrato." explicou Dupravel, enquanto mordia a própria ponta do dedo e foi o primeiro a deixar suas gotas de sangue na tinta, que imediatamente mudou de cor, de transparente para vermelho.
Leo o seguiu, fazendo o mesmo.
*SHUA*
*SCRIBBLE*
Conforme seu sangue se assentava, a Técnica de Vinculação de Alma começou a reagir, tecendo glyphs vermelhos suaves no ar acima do pergaminho.
Leo inclinou-se para frente, lendo os termos que surgiam um a um, cada linha inscrita pelo próprio contrato em resposta ao seu acordo verbal.
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CONTRATO DE VINCULAÇÃO DE ALMA
Entre Leo Skyshard (Mestre) e Dupravel Nuna (Servo)
1. Prazo de Serviço: Dupravel Nuna servirá a Leo Skyshard por um período total de vinte anos, com início imediato após a conclusão deste ritual.
Além disso, ele só será liberado de seu serviço caso cumpra fidelmente seu dever como servo durante toda a duração do contrato.
2. Cláusula de Obediência: Dupravel Nuna deverá obedecer a todos os comandos emitidos por Leo Skyshard, contanto que não envolvam:
*Ordenar diretamente que Dupravel se mate.
*Ordenar que Dupravel prejudique ou mate seu filho.
*Forçar Dupravel a estender a duração deste contrato além de vinte anos.
*Exigir que Dupravel realize tarefas meniais compatíveis a um servo.
3. Cláusula de Custódia: Dupravel terá direito a trinta dias completos por ano para passar com seu filho, este podendo viver livremente dentro do território do Cult, sob condições básicas de cumprimento das leis do Cult.
4. Cláusula de Narrativa Pública: Leo Skyshard deverá afirmar publicamente que a vida de Dupravel está vinculada à dele, e essa mentira não poderá ser refutada sob qualquer circunstância, devido à segurança e proteção política que proporciona, salvo se a outra parte já souber que é falsa.
5. Cláusula de Serviço em Combate: Dupravel deverá atuar como guarda-costas pessoal, operante e cão de guerra de Leo, enviado aos campos de batalha, missões ou investigações à exclusiva discrição de Leo.
6. Cláusula de Transferência de Conhecimento: Dupravel compartilhará todas as técnicas de assassino, insights de combate e conhecimentos táticos acumulados ao longo de sua vida com Leo Skyshard durante o período de serviço.
7. Cláusula de Servidão: Dupravel não deverá alimentar pensamentos de traição contra seu mestre, nem agir contra sua vontade ou seu melhor interesse sob qualquer circunstância.
8. Cláusula de Verdade: Dupravel Nuna não poderá mentir ou enganar Leo Skyshard sob nenhuma hipótese, quanto a qualquer detalhe.
9. Cláusula de Consequência por Violação: Se qualquer das partes violar deliberadamente mesmo uma única cláusula deste contrato, sua alma se consumirá em cinzas instantaneamente e de forma irreversível, não deixando vestígio de vigência, ressurreição ou reencarnação.
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Quando a última cláusula se gravou no pergaminho, o brilho prateado ao seu redor escureceu-se até se tornar um crimson.
"Agora, se você pressionar um dedinho ensanguentado contra o papel do contrato, ele entrará em vigor", disse Dupravel, pressionando mais algumas gotas de sangue sobre o papel.
O pergaminho estalou ao contato, aceitando a oferta enquanto os glyphs ficavam ainda mais brilhantes.
Leo não hesitou. Como achou os termos aceitáveis, fez o mesmo, deixando seu sangue cair do lado oposto, logo acima de seu nome.
No instante em que a segunda marca tocou o pergaminho, o ritual se ativou.
Um vento forte rodopiou ao redor deles, enquanto correntes vermelhas de energia da alma emergiam do contrato, envolvendo seus pulsos antes de se aprofundar dentro deles, ligando suas almas por meio de um fio invisível que pulsou uma vez… e desapareceu.
As pupilas de Leo dilataram-se levemente. Ele conseguiu sentir.
Uma ligação.
Não física, não emocional, mas algo intangível.
Se Dupravel sequer pensasse em traí-lo, aquele fio se apertaria, queimaria e o arrastaria para a ruína.
Por outro lado, se ele também quebrasse alguma cláusula do acordo, o mesmo aconteceria com ele.
"Está feito." disse Leo, com voz calma e fria.
Dupravel abaixou a cabeça, não em submissão, mas em reconhecimento.
"Sim. A partir deste momento, sou seu servo."
E embora nenhum deles sorrisse, ambos entenderam que algo irreversível havia acabado de acontecer.
Não havia mais volta.
(Enquanto isso, o Vigésimo Segundo Ancião)
*CRASH*
O Vigésimo Segundo Ancião Babeou o punho contra a mesa de madeira, fazendo várias pranchetas piscarem enquanto uma dúzia de comandantes policiais recuavam em silêncio.
"Quero Dupravel Nuna encontrado nas próximas vinte e quatro horas!" ele berrou, sua voz cortando a sala como uma lâmina serrilhada. "Não me importa quantos setores precisem varrer, quantos drones lançar, ou quantas paredes precisem derrubar… Você devem encontrá-lo!"
Um dos comandantes júnior avançou, incerto. "Já colocamos restrições às viagens interplanetárias e intraplanares, Ancião. Dupravel não pode ter saído de Vorthas—"
"Então onde diabos ele está escondido?" retrucou o Ancião, levantando-se, com a túnica branca agitando-se ao seu redor.
"Acha que ele simplesmente desapareceu no ar? Que virou fumaça?"
Ele virou-se, caminhando até a janela de parede inteira atrás dele, de onde se via a capital de Vorthas, movimentada, com enormes banners com o símbolo do Cult surgindo em todas as construções comuns.
A onda de nacionalismo crescia entre a população após o ataque de ontem, assim como sua reputação.
Agora era o homem que tinha resistido de pé no último momento do Cult e encarado corajosamente Dupravel, o assassino.
Por enquanto, a narrativa de sua bravura espalhava-se como fogo, e pela primeira vez na vida, ele sentia o ímpeto crescendo atrás de seu nome… não apenas em Vorthas, mas em todos os territórios do Cult.
Se jogasse bem suas cartas, se aproveitasse a onda enquanto o público ainda gritava seu nome, poderia garantir assentos planetários em pelo menos meia dúzia de sistemas adicionais na próxima rodada eleitoral.
Este momento poderia ser o ponto de virada, o arco definidor de sua carreira política.
Mas só se entregasse a cabeça de Dupravel.
"Se não o capturarmos antes que a notícia se acalme, tudo o que conquistamos vai evaporar. As massas são simples… comemoram hoje, esquecem amanhã. Preciso de uma execução pública, não de uma história de fantasma."
Ele voltou seu olhar para a sala, com a expressão afiada e sufocante.
"Envie os rastreadores de elite. Autorize caçadores de recompensas, informantes locais, até o exército, não tô nem aí para quem os encontre primeiro. Só garantam que eles saibam o que está em jogo. Quem me trouxer a localização de Dupravel receberá aumento de patente completo e cinco milhões de MP pessoalmente, como recompensa."
A sala caiu em silêncio impressionado.
"Cinco milhões?" repetiu um dos oficiais sêniores baixinho.
"Quero ele encontrado", rosnou o Ancião. "Vivo ou morto. Mas, preferencialmente, vivo. As câmeras funcionam melhor quando o vilão ainda está respirando."
Ele não esperou resposta. Seus pedidos já tinham se transformado numa tempestade. Oficiais saíram correndo do cômodo, os comunicadores acesos com comandos, despachos e ordens de implantação.
O Vigésimo Segundo Ancião voltou à sua mesa, assistindo a uma transmissão dele mesmo sendo reprisada na Vorthas Channel One.
Sua voz, sua imagem… justa, firme, adorada.
Mas nada disso teria valor algum sem um capítulo final.
Ele precisava de Dupravel.
E estava disposto a queimar o submundo até as cinzas para consegui-lo.