Assassino Atemporal

Capítulo 497

Assassino Atemporal

(Vorthas, Distrito Central, Ruas perto do Setor 3)

— Com licença? Você pode me informar onde o reside o Décimo Segundo Ancião? — perguntou Leo, com a voz baixa, mas clara, ao parar um homem de meia-idade que passava na rua.

O homem piscou, inicialmente surpreso, antes de seus olhos se arregalarem de choque ao perceber o rosto de Leo.

— Senhor Dragão das Sombras! — exclamou, quase tropeçando ao se curvar na cintura, os olhos brilhando de orgulho. — Será uma honra mostrar-lhe o caminho!

Antes que Leo pudesse responder ou contestar, o homem girou nos calcanhares e gesticulou ansiosamente. — Por favor, por aqui! É uma caminhada, mas eu o levarei diretamente. Não é todo dia que tenho a oportunidade de ajudar uma figura tão importante.

Leo deu uma leve, cansada, e cansada, assenti e seguiu em silêncio, com as mãos relaxadamente nos bolsos do manto, enquanto os dois se misturavam ao fluxo de pedestres.

As ruas de Vorthas estavam vibrantes, cheias de conversas acaloradas e bandeiras do Cult penduradas bem de janelas acima, ondulando levemente com a brisa.

— Ouvi dizer que a residência do Décimo Segundo Ancião tem segurança mais reforçada do que o cofre de Ixtal, — comentou o homem ao vir para uma rua mais estreita, claramente tentando puxar conversa. — E com razão. Com aquele infeliz do Dupravel ainda por aí, não podemos baixar a guarda!

Ele cuspiu no chão, visivelmente disgustado, antes de olhar de lado para Leo. — O ataque de ontem… imperdoável, não é? Todos esses oficiais valentes, mortos como porcos. O Dragão atacou em nosso planeta natal bem diante dos nossos olhos... E por quê? Pela loucura de um só homem?

Leo não respondeu. Apenas olhou para frente, o maxilar tenso enquanto seus passos ecoavam no caminho de pedra em ritmo com as divagações do homem.

Cada palavra era um lembrete do punhal que ele prestes a cravar nos planos do Ancião.

Cada frase dita na fé era um peso a mais na culpa que carregava.

Pois não só havia decidido não entregar Dupravel às autoridades… como também havia se aliado a ele, tornando-se seu mestre.

Leo já podia imaginar a expressão do Décimo Segundo Ancião. O tremor no olho. O queixo cerrado. A tempestade que mal tinha contido na última vez que se encontraram, quando Leo tinha cuspido na ideia de ser chamado de Dragão e se afastado da responsabilidade que deveria assumir.

E agora, ele iria entregar uma notícia ainda pior.

A ironia quase soava poética.

Desta vez, Leo não vinha fazer promessas vazias.

Desta vez… ele já havia cometido o crime, e estava vindo pedir perdão.

— Não sei o que o Ancião fará ao ouvir isso… — resmungou Leo, olhando para o chão por um momento. — Mas já passou da hora de mudar algo.

Ele já tinha feito sua cama.

E agora, teria que dormir nela.

— Aqui, Senhor Dragão das Sombras, aquele prédio no final desta rua é a residência do Ancião — — disse o homem de meia-idade, apontando para uma mansão cercada de muros altos, repleta de barricadas de metal, portões fortificados e bandeiras do Cult penduradas em todos os arcos.

Leo estreitou os olhos ao perceber a segurança excessiva, que parecia mais uma peça de teatro do que uma verdadeira proteção.

— Obrigado por ajudar, senhor gentil… — respondeu, oferecendo um meio sorriso, antes de seguir em direção ao portão principal.

No momento em que se aproximou, um dos guardas da perímetro avançou e ergueu a mão.

— Pare. Declare sua— — começou, mas parou no meio da frase ao perceber realmente o rosto de Leo. Sua postura se endireitou imediatamente, depois se curvou profundamente.

— Minhas desculpas, Senhor Dragão das Sombras. Por favor, siga por aqui— — disse.

Outro guarda já havia acionado seu comunicador, falando apressadamente no fone para anunciar a chegada de Leo.

Leo respirou fundo, lento e exausto, ao cruzar a barricada e ser conduzido para dentro.

‘Bando de idiotas,’ pensou consigo mesmo. ‘E se eu não fosse eu? E se fosse o Dupravel fingindo ser eu com uma simples habilidade de [Metamorfose]? Eles ainda assim receberiam fazendo a reverência?’

Claro que não falou nada em voz alta.

Não era hora de arrumar confusão com as forças de segurança do Cult, por mais ridiculamente incompetentes que fossem.

Mesmo assim, a facilidade com que passou por tantas camadas de defesa deixou um gosto amargo na boca.

Se Vorthas estivesse realmente em alerta máximo, essa exibição era pura encenação.

Seguiu os guardas em silêncio, passando por longos corredores polidos e salas de espera excessivamente luxuosas até pararem diante de uma porta dupla.

— Por favor, espere aqui, senhor. O Décimo Segundo Ancião está sendo informado de sua chegada — — disse um dos guardas antes de entrar, deixando Leo entretido, inspecionando o brilho de seus sapatos.

Alguns minutos depois, um assistente saiu e acenou com respeito.

— O Décimo Segundo Ancião vai recebê-lo agora, Senhor Dragão das Sombras.

Leo entrou lentamente, com a cabeça um pouco baixa, já antecipando a conversa difícil que viria.

— Skyshard, se você veio falar sobre treino, nem perca meu tempo, — disse o Décimo Segundo Ancião, de forma dura, assim que Leo passou pela porta. — Já organizei uma aeronave de levitação para levar você e Veyr ao centro de treinamento amanhã de manhã. Então, se é só isso, poupese. Estou lidando com questões mais urgentes agora.

Leo piscou, um pouco surpreso, antes de olhar ao redor da sala, seus olhos se arregalando ao perceber quase uma dúzia de oficiais uniformizados amontoados no escritório do Ancião.

Capitães da polícia local, comandantes de unidades de elite, chefes de divisão especial. Todos sentados. Todos tensos.

— Err… não, não vim falar sobre isso, — disse Leo com cautela. — Na verdade, vim falar sobre o Dupravel——

Assim que pronunciou o nome, a temperatura na sala pareceu cair alguns graus de repente.

Todos os olhares na sala se voltaram para ele.

— Conheço o paradeiro dele… Ele me passou os termos da rendição… — declarou Leo, notando a expressão do rosto do Ancião passar de extrema empolgação para surpresa moderada.

— Rendição? Que rendição? O safado matou meu irmão de juramento, Noah, na pior — — disse o Ancião, enquanto Leo torcia a língua em discordância.

— É… quanto a isso… —

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