
Capítulo 498
Assassino Atemporal
“Então, sobre isso...” Leo começou, percebendo o ambiente ao seu redor e reconhecendo imediatamente que a verdade nua e crua não seria bem vista aqui.
Por isso, para garantir sua própria sobrevivência, concluiu que precisava fazer uma apresentação de nível ‘Chefe’ para enganar a multidão.
“Vocês não podem matar Dupravel, 12º Ancião, porque se ele morrer, eu também morro.”
Começou com essa afirmação, deixando as palavras no ar o tempo suficiente para causar confusão nas faces que o observavam.
“Aquele maldito Mestre da Guilda das Serpentes Negras... ele—ele apareceu na minha porta há poucas horas.”
Leo balançou a cabeça e fez uma pausa, como se estivesse revivendo o trauma, depois arregalou os olhos e continuou, em voz baixa e trêmula.
“Imaginem o meu choque. Estava sentado com minha família na sala de estar, completamente desarmado, tendo um momento tranquilo, quando aquele monstro... aquele criminoso... apareceu do nada na minha porta, parecendo a própria morte.”
Ele deu um passo cambaleante à frente, fingindo perder o equilíbrio, e então caiu dramaticamente de joelhos.
“Ele estava ali. Pronto para matar. Vi isso nos olhos dele. Senti isso nos meus ossos.”
“BAM!” Leo de repente gritou, fazendo alguns homens sobressaltarem ao bater a mão no chão.
“Caí de joelhos e implorei por misericórdia... Disse: ‘Senhor Dupravel, por favor, por favor, não mate minha mãe e meu velho pai. Poupe-me. Faço qualquer coisa que desejar.’”
Leo colocou a mão sobre o peito e soltou um gemido dolorido, como se a própria lembrança fosse doer ao ser recordada. Sua voz se quebrou de emoção.
“Pensei que ele não aceitasse. Pensei que fosse o fim. Que certamente, ele fosse me matar.”
Mas então—surpreendentemente—ele parou... aparentemente perdido em pensamentos por um tempo, após o que puxou um contrato em branco de mestre-escravo e me pediu para começar a escrever os termos da minha rendição.
Leo fez uma pausa, deixando seus olhos cruzarem a sala, encontrando cada olhar com vulnerabilidade cuidadosamente preparada.
“Ele exigiu que eu encontrasse seu filho Darnell... que ajudasse o garoto a viver de forma livre dentro do Culto. E, em troca, ele me escravizaria por vinte anos.”
Os ombros de Leo tremeram. “Eu não queria ser escravo de ninguém. Quem iria? Mas não tinha escolha. Precisei proteger minha família.”
“Então, com mãos trêmulas, peguei a caneta e comecei a escrever os termos do contrato, palavra por palavra, enquanto ele ditava...”
A voz de Leo mudou sutilmente, agora carregada de incredulidade.
“Foi aí que percebi algo chocante! Algo quase inacreditável...” Leo engoliu em seco, criando uma expectativa no ar.
“Dupravel, embora olhasse para o papel diretamente, parecia que não conseguia entender o que eu realmente estava escrevendo... ele ficava perguntando por que eu escrevia tão devagar, mas não conseguia perceber quanto tinha sido escrito.”
Leo revelou, enquanto se endireitava e sorria.
“Eu tinha escrito as duas primeiras cláusulas: uma, sobre a liberdade de Darnell... e outra, sobre nossas vidas estarem ligadas uma à outra. E, enquanto ele ficava ao meu lado, fingindo folhear o papel, percebi que ele não estava lendo uma palavra.”
“No começo, eu não acreditei. Pensei, não, certamente não. Dupravel Nuna não poderia ser analfabeto... afinal, era mestre de guilda? E costumava estar atolado em papéis.”
“Mas então, ao lembrar daqueles relatórios... os que diziam que Dupravel tinha ficado selvagem dentro de um Mundo Preso no Tempo, que sua mente tinha sido destruída ao retornar... algo começou a fazer sentido.”
“Não podia ter certeza, mas suspeitava que talvez a parte do cérebro responsável pela leitura tivesse sido danificada enquanto ele estava lá dentro...”
Leo respirou fundo, levantando as mãos teatralmente.
“Decidi então testar minha teoria e comecei a alterar o contrato, a partir da cláusula três, invertendo nossos nomes toda vez que eram mencionados.”
“Troquei o mestre de Dupravel por mim. Inverti o escravo de mim para ele. Alterei a cláusula de que eu o serviria por vinte anos, para que ele me servisse por vinte anos, ao invés.”
Ele respirou fundo, então deixou a voz ficar baixa, com efeito dramático.
“E no momento em que nossas almas tocaram a pergaminho, as correntes da alma se incendiaram... e agora, Dupravel Nuna, Monarca das Serpentes Negras, está preso a mim. Como meu servo pessoal.”
Leo integou uma lágrima falsa na bochecha, balançando a cabeça como se ainda estivesse sobrecarregado pelos acontecimentos.
“Claro... há um lado ruim. Nossas vidas ainda estão conectadas. Se ele morrer, eu morro também. Não há como desfazer isso.”
“Mas a vantagem?” Leo gesticulou amplamente. “Ele é subserviente. Totalmente e absolutamente. Ligado pelas leis da alma. Não consegue desobedecer a um único comando.”
“E isso significa que o Culto agora tem uma arma de guerra de nível Monarca, totalmente leal, completamente obediente, pronta para ser usada.”
“Missões difíceis, objetivos quase suicidas, operações de elite que antes não poderíamos tentar por falta de homens... agora podemos.”
Leo bateu levemente as mãos, forçando um pequeno sorriso.
“Então, talvez eu tenha sofrido bastante... mas, no final, acho que garanti uma vitória estratégica para o Culto.”
Ele olhou ao redor, coração acelerado sob a pele, rezando silenciosamente para que sua atuação fosse convincente o suficiente para vender a mentira. Mas, infelizmente para ele, enquanto os capitães da polícia pareciam tocados pelo seu embromation, o 12º Ancião não foi convencido.
“Então, basicamente, o que você está me dizendo, Skyshard, é que não podemos mais matar o Dupravel, o ASSASSINO DO MEU IRMÃO DE PROMESSA, porque matá-lo também te mataria?” perguntou o 12º Ancião, enquanto Leo batia as mãos e balançava a cabeça de um lado a outro.
“Claro que podemos... para acalmar a ira do público, sempre podemos fazer uma execução simulada.
Uma onde a morte de Dupravel seja apenas uma ilusão, mas faça os plebeus acharem que vencemos!”
“Já matá-lo de verdade...”
Nossa ligação acaba em 20 anos.
Depois disso, fique à vontade para buscar sua vingança.
Mas até lá, acho melhor usá-lo como o ativo valioso que ele é, e implantá-lo estrategicamente em benefício do Culto—” Leo falou, enquanto, neste momento, percebeu que o olhar do 12º Ancião mudara, finalmente, ele também parecia aceitar a ideia.