Assassino Atemporal

Capítulo 495

Assassino Atemporal

"Então, o que acha, Leo Skyshard? Os termos da minha rendição são aceitáveis?" perguntou Dupravel, com o olhar firme e esperando uma resposta, mas Leo se viu totalmente sem saber o que dizer.

Por um lado, a proposta era perigosamente tentadora, quase bom demais para deixar passar.

Conseguir um escravo como Dupravel poderia mudar o jogo, não só para seu crescimento pessoal, mas também para garantir a segurança e a estabilidade do seu futuro imediato.

No entanto, as consequências políticas de uma decisão dessas não poderiam ser ignoradas. Apresentar esse acordo ao Conselho dos Anciãos e ao público em geral seria uma batalha difícil, na melhor das hipóteses.

Aceitar Dupravel em vez de executá-lo poderia facilmente ser interpretado como um sinal de fraqueza ou, pior, como um ato de compaixão por parte da facção justa.

E com a tensão atualmente presente na estrutura interna do Culto, a aparência de uma decisão dessas importava mais do que nunca.

O negócio, embora indiscutivelmente valioso, vinha com uma carga de sujeira e complicações que rivalizavam seu valor — mas essa era a realidade da vida, resumidamente.

Na vida... nada nunca vem de graça.


"Então, me esclareça uma coisa… você ainda é um Arcanjo ou não? E a quem exatamente você se submeteria, a mim pessoalmente ou ao Culto?" perguntou Leo, estreitando o olhar, tentando desvendar o caos potencial à frente, enquanto Dupravel franziu a testa, claramente esperando por essa linha de questionamento.

"Sim, ainda sou um Arcanjo, mas minha força atualmente está restrita ao Reino Transcendente.

Não sei como recuperar minha potência total, mas estou confiante de que existe um método, e Soron provavelmente sabe qual é."

Dupravel hesitou antes de responder à segunda parte da questão, com um tom equilibrado e sincero.

"Quanto à subserviência, eu seria leal a você, não ao Culto.

Mas, já que você mesmo é uma peça do Culto, não vejo muita diferença entre os dois," acrescentou casualmente, enquanto Leo deu uma risadinha sutil, percebendo a ponta afiada escondida naquelas palavras de sinceridade.

"Interessante…" murmurou Leo, massageando o queixo, enquanto suas ideias começavam a correr a toda velocidade.

Adotar Dupravel definitivamente dificultaria sua vida em muitos aspectos.

As chances de enviá-lo às linhas de frente, com um Arcanjo imprevisível como seu escravo, seriam maiores do que se ele não estivesse sob seu comando.

Após tudo, o Culto nunca arriscaria soltar Dupravel na batalha sem colocar uma coleira forte o suficiente para puxá-lo de volta — ou seja, seu mestre.

E, no entanto, havia outro ângulo a considerar.

Ter Dupravel sob seu comando poderia lhe dar a influência que tanto precisava para desafiar o Conselho dos Anciãos.

Se usado com moderação, poderia atuar como uma força estabilizadora, uma proteção, contra as demandas mais impetuosas ou interesseiras do Culto.

Já que, com um escravo de nível Arcanjo ao seu lado, qualquer ameaça de rebelião teria peso real, suficiente para fazer até o Conselho dos Anciãos pausar.

Se os dois algum dia se rebelassem, seria caro para o Culto controlá-los novamente, o que criava uma alavanca perfeita para recusar missões perigosas.

'Essa é uma decisão difícil, por mais que eu pense nela… há tantos prós quanto contras em aceitar esse acordo,' refletiu Leo, enquanto seu raciocínio se embrenhava em cálculos conflitantes, lutando para decidir.

"Preciso de um momento para pensar…" disse Leo, levantando-se da cadeira de balanço na varanda, com os braços cruzados atrás das costas, começando a caminhar lentamente pelo espaço estreito que circundava a frente da mansão.

Seus passos eram lentos, medidos, quase silenciosos sobre o piso de pedra, como se subconscientemente estivesse tentando estender o momento só um pouco mais para ganhar mais tempo para refletir.

Dupravel permaneceu sentado, observando-o sem falar, como se entendesse que qualquer interrupção poderia quebrar o silêncio frágil que Leo tentava manter.

O vento era suave, passando pela face de Leo enquanto ele caminhava até o canto mais afastado da varanda, onde o céu aberto se estendia à sua frente.

Seus olhos ficaram fixos na imensidão azul por um longo momento, respirando o silêncio, como se esperasse que a resposta simplesmente caísse do céu.

De repente, lembrou-se de Luke, e de como seu irmão tinha lacunas bastante suspeitas na memória.

'Pode ser coisa pouca... Mas, na hipótese de algo sombrio estar acontecendo com meu irmão, talvez precise da experiência e força de Dupravel para resolver isso—' pensou Leo, convencido de que esse ponto singular foi o que o levou a aceitar o acordo.

*Suspiro*

Leo deu uma respiração profunda, parecendo esvaziar todos os pensamentos conflitantes que pressionavam seu peito, e virou-se da grade, caminhando lentamente de volta para a cadeira de balanço.

Suas mãos ainda estavam atrás das costas, sua expressão difícil de decifrar, mas agora havia uma certa clareza em seu olhar, uma quietude aguçada que antes não estava lá.

Ele parou um pouco antes de se sentar, preferindo ficar de pé, de frente para Dupravel.

"Eu aceito," disse finalmente, com as palavras saindo lentamente, como uma pedra sendo colocada no lugar. "Mas somente nos termos exatos que você propôs. Nenhuma adição de última hora, nenhuma alteração sutil, nenhuma agenda escondida."

Dupravel assentiu em silêncio, sem mostrar triunfo ou alívio, como se soubesse que isso era apenas o começo de um arranjo muito mais complicado.

Leo prosseguiu, com a voz firme.

"Trinta dias por ano com seu filho. Ele será criado dentro do Culto, como um homem livre, desde que cumpra suas regras. Em troca, você me servirá, pessoalmente, por vinte anos.

Sem teatrinho, sem rebelião, sem comunicações clandestinas com estranhos."

Ele fez uma pausa, analisando o homem à sua frente.

"Você será apresentado como minha guarda pessoal e cão de guerra. O Culto será informado de que sua vida está vinculada à minha, mesmo que não esteja. Essa mentira é o único escudo que o protege, então sugiro que aja como se fosse verdade."

Dupravel permaneceu calado, com os olhos negros fixos, uma leve centelha de entendimento passando por eles.

"Não o tratarei como um servo. Mas também não como um igual. Você é um Arcanjo, Dupravel, mas está aqui porque fracassou. Porque foi traído. Porque não tinha outro lugar para ir.

Você lutará por mim. Você sangrará por mim.

E, quando for preciso, protegerá minha vida com a sua."

Mais uma pausa.

"Mas, até lá, você vive. E, se por acaso, sobreviver aos vinte anos totais… e os cumprir fielmente como meu escravo, então, sim, você terá conquistado sua liberdade."

Dupravel inclinou levemente a cabeça, reconhecendo a gravidade do que havia sido dito.

"Eu aceito," murmurou, com a voz baixa e calma.

"Muito bem," respondeu Leo, finalmente se sentando novamente na cadeira de balanço, olhando para o céu, onde o vento começava a aumentar.

As nuvens se moviam lentamente, se descolando como camadas de seda acima dele, e, ali ao longe, invisível, mas inevitável, o futuro já começava a se mover, a se reescrever, uma consequência de cada vez.

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