
Capítulo 494
Assassino Atemporal
(Alguns minutos depois, Mansão Skyshard)
Leo estava sentado no balanço da varanda, enquanto Dupravel se acomodava no chão à sua frente. Os dois permaneciam fixos em um olhar intenso, presos numa disposição estranhamente desconfortável, que parecia ao mesmo tempo tensa e absurdamente casual.
"Então… por que exatamente você não pode voltar para a facção justa?" Leo perguntou, curioso, imaginando o quão mal Dupravel tinha queimado as pontes que antes o sustentavam naquele lado.
"É suicídio voltar sem ter cumprido minha missão. Se eu retornar agora, Mauriss vai mandar me executar," respondeu Dupravel simplesmente, enquanto Leo levantava uma sobrancelha, seu ceticismo aumentando a cada palavra.
"E os Serpentes?"
"Já não existem. O Governo Universal se apossou do nosso tesouro e apagou o Planeta Dente de Serra do mapa por ousar resistir. Esses bandidos não brincam em serviço." Dupravel falou sem uma gota de emoção, porém a aura de leve vermelho ao redor dele traía a profundidade do que realmente sentia por dentro.
"Entendo…" Leo comentou, surpreso com a magnitude da destruição, pois tinha vivido alguns meses no Planeta Dente de Serra e sabia na pele o quão formidável aquele lugar já fora.
"Mauriss me poupou. Mandou me retirar de Dente de Serra antes de sua queda, provavelmente porque queria usar minha recuperação como peão para eliminar o Dragão. Mas ele me enganou. Selou minha força de nível Monarch para me ajudar a infiltrar na área do Cult sem despertar suspeitas de Soron, e então me entregou uma viala, dizendo que ela restauraria todo o meu poder. Mas isso foi uma mentira."
A voz de Dupravel manteve-se firme, mas Leo percebeu uma corrente de ressentimento por trás de cada palavra, enquanto o homem expunha toda a extensão de sua traição.
"Entendo…" Leo refletiu, passando os dedos pelo queixo, enquanto várias peças começavam a encaixar-se. Lembrou de ter visto Dupravel lutar e se questionar por que o homem se movia com uma força tão desgastada, mas o fato de sua força estar selada agora explicava tudo.
"Então você percebeu que foi traído, e nas últimas vinte e quatro horas, decidiu que, como te prejudicaram, você vai dar o troco mudando de lado e buscando refúgio com o Cult?" Leo perguntou, enquanto Dupravel assentia lentamente, confirmando.
"Só aceitei trabalhar para Mauriss porque ele prometeu ajudar a recuperar meu filho do controle do Cult, mas essa esperança acabou. O único caminho que vejo para viver de verdade com meu filho é entrando para o Cult mesmo," confessou Dupravel, com um tom amargo, enquanto soltava uma risada irônica de si mesmo.
*Risada irônica*
"Você deve me achar um idiota por amar meu filho assim. Mas você não vai entender o que é ser pai até passar por isso," acrescentou, balançando a cabeça de forma autocrítica, enquanto os lábios de Leo se curvavam numa expressão de leve sorriso.
Ele não pensava menos de Dupravel por se importar com a família. Pelo contrário, aquilo lhe despertava ainda mais respeito pelo homem. Porque, no fundo, Leo sabia que, se as posições estivessem invertidas, faria exatamente a mesma coisa.
"Certo. Digamos que eu acredite na sua história e que você realmente queira entrar pro Cult. Mas, dadas suas ações recentes, vou ser honesto — negociar sua rendição será quase impossível, a menos que você apresente alguma coisa absurda."
Ele se inclinou para frente, com um tom direto e pragmático.
"Vamos logo ao ponto. O que isso traz pra mim? E pro Cult? E até onde você está disposto a ir pra recomeçar?"
Dupravel inspirou fundo, entrelaçando brevemente os dedos antes de falar novamente.
"Pensei bem, e a única maneira que vejo de proteger minha vida é amarrando ela à sua. Mesmo sendo o criminoso mais procurado neste planeta, certamente o Cult não arriscaria me matar, se isso também significar matar o Dragão Sombrio."
Ele fez uma pausa, mas antes que pudesse continuar, Leo o interrompeu.
"Não, não, não, de jeito nenhum. Isso nunca vai acontecer—"
Dupravel levantou a mão calmamente, fazendo um gesto de paciência para interrompê-lo.
"Ouça aqui, garoto. Ainda não acabei de falar."
Leo expirou e se recostou de volta, sinalizando que ele pudesse seguir.
"Estou disposto a assinar um contrato de Mestre-Escravo com você, me vinculando a você por vinte anos completos. Minhas únicas condições são que me permitam passar pelo menos trinta dias por ano com meu filho, e que ele seja criado no Cult como um homem livre."
A voz de Dupravel endureceu, deixando de ser um pedido e tornando-se uma decisão firme.
"Em troca, serei o cão de guerra do Cult. Envie-me para onde quiser, me jogue em qualquer missão ou campo de batalha. Mas, se eu sobreviver esses vinte anos de alguma forma, quero sair livre."
Os olhos de Leo se arregalaram, surpreso tanto pela audácia quanto pela sinceridade da proposta.
"Não é preciso incluir uma cláusula que ligue minha vida à sua no contrato."
"Mas você deve concordar em alegar que há uma."
"Essa mentira garantirá que eles não me enviem de forma irresponsável para missões suicidas que não ousariam te passar, e é a única proteção que tenho contra ser eliminado assim que eu me entregar."
Ele se sentou ereto agora, com o tom mais confiante pela clareza.
"Na teoria, serei sua guarda pessoal, seu servo, seu escravo. Mas, na prática, espero ser tratado com o respeito devido a um guerreiro do meu nível. Lutarei por você. Protegerei você com minha vida. Mas não espere que eu limpe suas botas, limpe sua bunda ou faça recados como um servo de baixo escalão."
A voz de Dupravel diminuiu ao chegar ao fim.
"Se quiser, até irei te ensinar todos os segredos que aprendi como assassino de elite. Talvez eu não seja tão bom quanto Soron, mas também não sou um fraco."
E com isso, ele fixou os olhos em Leo mais uma vez.
"Então, o que me diz, Leo Skyshard? Os termos da minha rendição são aceitáveis?"