Assassino Atemporal

Capítulo 493

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, na Mansão Skyshard, ponto de vista de Leo)

Com as consequências imediatas do ataque exigindo toda a atenção do Décimo Segundo Ancião, Leo e Veyr receberam um dia de descanso não planejado das treinos.

Nenhuma nave podia entrar ou sair do planeta, e até mesmo o movimento interno de veículos levitantes foi proibido, tudo para evitar que Dupravel escape pelos desvios e passe despercebido.

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"Uma caçada em massa está em andamento por todo o Planeta Vorthas, enquanto as forças do Culto continuam a busca desesperada pelo fugitivo Dupravel Nuna, o responsável pelo covarde ataque de ontem à noite ao Dragão," anunciou o âncora, sua voz urgente, ecoando da televisão na sala silenciosa.

"Em uma declaração divulgada há poucos instantes, o setor de segurança interna do Culto confirmou que uma recompensa de um milhão de MP será concedida a quem fornecer informações confiáveis que levem diretamente à prisão de Dupravel."

A tela oscilava entre imagens de edifícios queimados, fotos borradas do perfil de Dupravel e uma série de postos de bloqueio sendo erguidos em cruzamentos importantes da cidade.

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Diferente do resto da cidade, dentro da sala de estar da família Skyshard, o ambiente era bem menos tenso.

Elena estava sentada no sofá, com um xale de tricô ao redor dos ombros, enquanto Jacob se inclinava para frente, com os cotovelos nos joelhos e a testa franzida.

Amanda estava de cócoras no tapete, braços cruzados, olhos fixos na tela, e Alia sentada bem ao lado dela.

*BOCEJO*

Leo deu uma bocejada preguiçosa, olhos semicerrados, enquanto olhava para as imagens piscando na TV, sentindo-se totalmente indiferente.

"Eles nunca vão pegar o Dupravel, a menos que Charles ou Soron resolvam aparecer pessoalmente," murmurou, pegando uma tigela de frutas no criado-mudo e jogando casualmente uma uva na boca.

"Um dos maiores defeitos do Culto é a falta de liderança de alto nível. Sem Monarcas, sem Demi-Deuses... além do Charles, toda a cadeia de comando desaba quando Soron assume. E essa é a maior fraqueza do Culto."

Alia virou-se para ele, piscando. "Mas uma recompensa de um milhão de MP... isso deve atrair muita gente. Quer dizer, algumas pessoas podem começar a caçar só pelo dinheiro, né?"

Leo deu de ombros, nem olhando na direção dela. "Claro, eles vão procurar. Mas não vai adiantar. Num nível do Dupravel, os simples mortais nem conseguem arranhar o rastro dele, quanto mais segui-lo."

Ele se deitou ainda mais, esticando os braços atrás da cabeça.

"Se eu quisesse sumir nesta cidade, com os esgotos, bairros de favela e túneis abandonados sob cada distrito, eu poderia viver aqui por anos sem que ninguém soubesse que ainda estou respirando."

Sua voz era calma, tranquila e sem uma pontada de preocupação, como se toda a história fosse apenas um incômodo passageiro, um mero detalhe na rotina.

*Bate na porta*

*Bate na porta*

De repente, uma batida na porta chamou a atenção de Leo. Ele se levantou lentamente, meio grogue, dirigindo-se à porta, esperando que fosse um soldado de patrulha doméstica quem estivesse batendo.

No entanto, para seu choque total, ao abrir a porta, não era um soldado que estava lá fora, mas sim Dupravel Nuna, em carne e osso!

*PAREDE*

Quase instantaneamente, Leo atacou Dupravel com um golpe desarmado, mas o Mestre da Guilda das Serpentes Negras bloqueou facilmente, seus braços se movendo com a calma precisão de um guerreiro experiente.

"Vim em paz! Juro! Não vim para fazer mal a você ou sua família... Vim em paz!" disse Dupravel rapidamente, com voz carregada de urgência e desespero.

Nesse momento, Jacob e Alia já tinham pegado suas armas, ficando em guarda atrás de Leo, com os olhos fixos no intruso, esperando um sinal para atacar.

Por um lado, Leo não acreditava numa palavra sequer do que o Mestre da Guilda das Serpentes dizia, mas, por outro, ele podia sentir que Dupravel não demonstrava nenhuma intenção de matar.

Sua aura permanecia calma e neutra.

Não havia traços de hostilidade em seus olhos, nem uma aura negra ao redor do corpo, nem qualquer sinal típico de mentira ou de um motivo oculto.

"Você é um homem extremamente procurado, Mestre da Guilda... e tentou matar minha prima ontem mesmo. Por que eu deveria te ouvir?" perguntou Leo, com a voz afiada, os olhos estreitos, o corpo tenso, mas ainda assim, sob controle.

Ele não confiava no homem, nem um pouco, mas tinha a habilidade de ler aura, e até agora, Dupravel não estava mentindo.

"Procurei vocês porque acredito que você pode ser a última pessoa dentro do Culto que ainda consegue me julgar de forma honesta," disse Dupravel, com tom firme, porém cru.

"Fui traído pela facção justa. Mauriss, o Enganador, usou-me, armou uma cilada e me deixou apodrecendo aqui. Se me rejeitar agora, não terei escolha senão abrir um caminho sangrento fora deste planeta. Mas isso não é o que quero. Prefiro negociar um acordo, que seja bom tanto para vocês quanto para o Culto."

Ele fez uma pausa, deixando o silêncio se estabelecer antes de continuar.

"Tudo o que peço é que você ouça minha história por alguns minutos. Me dê uma chance justa de explicar meu lado. Prometo, com minha honra, que não vou perder seu tempo."

Leo continuou observando sua aura, procurando até o menor detalhe de mentira, mas ela permanecia limpa. Sem trevas, sem picos de emoção. Apenas uma convicção tranquila.

Por fim, Leo baixou as mãos e soltou um suspiro forte.

*Suspiro*

"Não vou te deixar entrar na minha casa. Isso—isso nunca vai acontecer."

"Você não pode se aproximar da minha família. Se quiser conversar, podemos fazer aqui, na varanda, e só depois que minha família sair completamente da casa."

Dupravel bufou, ligeiramente ofendido.

"Se eu quisesse fazer mal, vocês já estariam todos mortos, rapaz. Entrei sem armas por um motivo. Não vim pra brigar," disse, abrindo os braços e virando um pouco o corpo para mostrar que não carregava armas, nem cinto, nem lâminas escondidas.

"Mas tudo bem, aceita do seu jeito. Vamos conversar na varanda." Ele disse, cruzando os braços e se sentando no chão, esperando que Leo finalmente estivesse pronto.

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