Assassino Atemporal

Capítulo 486

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, a Parada do Festival de Outono)

A carruagem com Veyr chegou à entrada do Mercado Sunsteps sem encontrar a menor perturbação; seu avanço pelos três setores anteriores tinha criado uma falsa sensação de tranquilidade.

Até então, os guardas do Vigésimo Segundo Elder, que estavam rígidos e atentos, começaram a relaxar visivelmente, os ombros menos tensos, as formações um pouco mais frouxas, como se o clima festivo tivesse gradualmente se infiltrado na disciplina deles.

Eles já não reagiam às rajadas de confete que ocasionalmente caíam de cima.

Nem pareciam muito interessados em repreender as crianças que corriam ao lado da Carruagem do Dragão, com olhos brilhantes e sorrisos despreocupados, cada uma tratando a procissão como se fosse um milagre temporário.

Do ponto de vista de segurança, era uma grande falha; no entanto, com uma multidão tão grande, tornava-se difícil controlar cada detalhe.

Desde que não houve incidentes relevantes até então, os outros guardas começaram a baixar um pouco a guarda.

Mas Valterri não.

Valterri não afrouxou a postura e seu olhar nunca se fixou de verdade, pois sua cautela só se aprofundava a cada segundo que passava, especialmente agora que estavam se aproximando do Mercado Sunsteps.

Ao contrário dos homens do Vigésimo Segundo Elder, que já começavam a aproveitar a festividade, Valterri permanecia firmemente atento, com uma expressão imperturbável e postura tensa, como se esperasse que o perigo surgisse de trás de cada sombra.

Aqui, no mercado Sunsteps, filas de espectadores compactados alinhavam-se de ambos os lados da rua, formando um corredor de rostos ansiosos, todos voltados para a grande carruagem que abrigava tanto o Dragão quanto o Elder.

Seus olhos brilhavam de expectativa — daquele tipo que crianças têm quando se aproximam do clímax de uma fábula que ouviram centenas de vezes e ainda adoram.

*SOM DE RASGO*

A carruagem parou abruptamente assim que sua dianteira atingiu o centro da praça.

"Os cidadãos prepararam uma apresentação surpresa para vocês… espero que gostem", murmurou o Vigésimo Segundo Elder no ouvido de Veyr, com um tom carregado de orgulho, exatamente quando o primeiro estrondo dos tambores cerimoniais ecoou pelo ar aberto.

*DUM DUM DUM*

*MARTELO*

Um grupo de artistas, vestidos com armaduras ajustadas de tom escarlate, surgiu no centro da praça com precisão e vigor, seus movimentos coreografados quase à perfeição, enquanto a atenção da multidão se voltava de uma só vez, atraída como ferro a um imã.

Este era o Espetáculo de Vorthas: uma reencenação comemorativa da lendária libertação do Planeta Vorthas, onde Noah, o Dragão anterior, supostamente liderou um milhão de soldados contra uma força inimiga duas vezes maior.

Os atores não perderam tempo em mergulhar na ação exagerada, balançando os membros em combate dramático, vozes elevadas em declarações apaixonadas que quase pareciam paródia.

Espadas de tamanho exagerado brilhavam sob magia de ilusão, fogueiras ilusórias tremeluziam com explosões controladas de luz, e cada inimigo que caía fazia gritos guturais e espasmos convulsivos, como se tivesse sido morto pelo próprio destino, e não por coreografia.

Alguns espectadores aplaudiam. Outros soltavam risadas diante do dramatismo. A maioria batia palmas ao ritmo, não necessariamente pela performance, mas por pura educação, enquanto Veyr ria e se divertia com a exagerada atuação.

Ele imaginava como isso era o que os membros do Cult esperariam que ele fizesse muito em breve, e, de certa forma, ria do próprio futuro que lhe esperava.

*DUM DUM DUM*

*DUM DUM*

O ritmo do tambor de repente mudou, e do extremo oposto da rua surgiu um segundo grupo, agora composto por homens mais velhos, com roupas amplas, perucas de pó e cabelos brancos, que entraram na cena com uma seriedade que sugeria que o próximo ato seria sério mesmo.

"O segundo ato mostra a grandeza do Lorde Soro...". Sussurrou o Vigésimo Segundo Elder, enquanto uma segunda peça começava, desta vez retratando como Soro teria ficado no topo de um penhasco e repelido dois deuses invasores, lançando fogo celestial de cada mão.

Essa era a narrativa contada ao Cult. No entanto, Veyr duvidava seriamente de que uma luta entre deuses pudesse parecer tão simples assim.

Os dois gigantescos fantoches, que representavam os deuses inimigos, tropeçavam e colidiam de forma desajeitada, com cabeças desproporcionalmente gigantes e movimentos limitados por seus membros exagerados.

Enquanto isso, o personagem de Soro pendia de um arame instável acima deles, flutuando nervosamente, fingindo lançar magias com gestos teatrais e selvagens, lançando bolas de fogo que explodiam em fumos inofensivos de luz.

"Estes são as lendárias chamas do juízo!" exclamou um ator, levantando os braços dramaticamente.

"Não! Aquilo é o meteor destructor!" gritou outro, quase tropeçando na túnica.

A multidão respondeu com gargalhadas espontâneas — não por reverência à história, mas pelo quão ridiculamente exagerada a encenação tinha ficado.

Crianças gritavam de alegria. Pais trocavam olhares divertidos. E até alguns guardas permitiram-se breves risadas enquanto seus olhos cruzavam entre o espetáculo absurdo e os telhados ao redor, agora um pouco mais relaxados do que antes.

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Acima da praça, afastado da celebração e completamente invisível, Dupravel permanecia imóvel.

Ele se agachou na lomba curva de um telhado envelhecido, equilibrando-se com facilidade sobre uma loja de alquimia esquecida, enquanto a poeira mal se movia sob seus passos.

De seu ponto de observação, via tudo: a carruagem do Dragão, a multidão, os guardas, a peça. E, no entanto, ninguém abaixo sequer percebia sua existência.

Não havia aura ao seu redor. Nem respiração, nem batimentos cardíacos. Nem mesmo os sensores de mana embutidos no perímetro detectavam algo além de ar estático.

Sua presença era abafada, completamente suprimida, como um espectro que nunca nasceu.

'Droga... Se esses idiotas acelerarem logo...' pensou Dupravel frustrado, sem acreditar na demora absurda que a procissão tinha feito por uma peça tão idiota.

A carruagem do dragão ainda não tinha chegado ao ladrilho que ele tinha marcado para o ataque.

E, até lá, tudo o que podia fazer era esperar.

'Quando a parada recomeçar e a carruagem chegar à loja de especiarias, vou lançar os fogos de artifício primeiro. As explosões e o barulho vão chamar atenção dos guardas para cima, desviando o foco deles das ruas, o que me dará a oportunidade perfeita de empurrar alguns velhos para a rua e causar tumulto. A confusão, sem dúvida, forçará a parada brusca da carruagem.' pensou Dupravel, treinando mentalmente os passos do plano uma última vez.

'Quando ela parar e o pânico tomar conta da multidão por causa dos fogos que não correram, vou agir. Vou paralisar o Dragão com uma adaga envenenada, rápida e silenciosa, e teleportar-me imediatamente ao lado dele para terminar o serviço pessoalmente.'

Seus dedos se apertaram ao redor da empunhadura fria da adaga de uma mão, enquanto a outra segurava um pequeno frasco de vidro com a poção que reverte a força.

Ele fixou os olhos nos dois objetos por mais um instante, se preparando silenciosamente para o momento de quebrar a garrafa, ingerindo seu conteúdo e restaurando sua força ao nível Monarca, para acabar com seu adversário sem contratempos inesperados.

Para essa missão, o timing era fundamental. E, quando o momento chegasse, Dupravel queria atacar sem hesitação, deixando um rastro de silêncio e sangue.

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