Assassino Atemporal

Capítulo 484

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, na Mansão Skyshard)

Ao mesmo tempo em que a parada começava, Leo empurrou a porta da sala de emergência de Luke com um sorriso largo já estampado no rosto.

*Cliq*

Desde o momento em que chegou de volta à Mansão Skyshard, seu corpo começou a se mover mais rápido do que seus pensamentos, quase não conseguiu esperar um segundo sequer para ver seu irmão acordado novamente.

*Passo*

*Passo*

Ao entrar, seu cérebro subconsciente registrou a atmosfera do cômodo, que parecia serena, com as persianas semi-abertas aproveitando a luz do sol.

No entanto, seu cérebro ativo não deu atenção a essas trivialidades.

Porque ali, sentado, apoiado contra uma pilha de almofadas, com um cobertor enfiado na cintura e um sorriso suave puxando o canto da boca, estava seu irmão, bastante consciente, bastante vivo, e inconfundivelmente ele mesmo.

"Demorou demais, hein?" disse Luke com um sorriso torto, seus olhos fixos nos de Leo como se nada tivesse mudado entre eles.

"Eu— isso, sim," respondeu Leo, quase tropeçando na cadeira ao seu lado, enquanto seu sorriso se alargava ainda mais, mostrando os dentes, com os olhos brilhando, o tipo de expressão que só a família consegue provocar nele.

"A dor tá tão forte? Você consegue se mexer? Tá bem com tudo isso de ataduras?" perguntou rapidamente, apontando para o torso enfaixado de Luke, inclinando-se para frente, a voz carregada de empolgação.

"Pode dar um abraço," aprovou Luke, cortando as preocupações antes mesmo delas se formarem, já sabendo exatamente aonde Leo queria chegar.

*ABRAÇO*

Sem mais delongas, Leo colocou os braços ao redor dele, enterrando o rosto no peito do irmão com toda a força de alguém que esperou tempo demais por aquele momento, enquanto Luke soltava uma tosse entrecortada e uma risada suave ao expirar de forma curta.

"Ó, ó, ó, calma aí, tô ainda me recuperando, seu idiota," murmurou Luke entre risadas, contorcendo-se um pouco de dor enquanto Leo o abraçava ainda mais apertado.

"Senti sua falta," disse Leo, com a voz trêmula, enquanto Luke suavemente colocava a mão nas costas dele e o intimidava até que se acalmasse.

Secretamente, Luke sentia o mesmo que Leo.

Medo, alívio, felicidade, vulnerabilidade.

No entanto, externamente, ele não deixou transparecer nada disso.

Ele era o irmão mais velho, afinal, e, portanto, não conseguia admitir que parecia vulnerável diante do próprio irmão.

"Tudo bem. Eu vou ficar bem. Sou um Grande Mestre poderoso, igual a você—" Luke disse, enquanto fazia uma flexão mostrando que tinha conseguido passar para Grande Mestre pouco antes de desmaiar, só para Leo zombar dessa afirmação.

Quando ele e Luke jogavam apenas como jogadores no jogo Terra Nova Online, 'Grande Mestre' parecia o auge da força — uma classificação tão impossível de alcançar que nenhum deles, nem mesmo os amigos, achava que poderiam realmente chegar lá.

O NPC mais forte do jogo era um Dragão de nível Grande Mestre, praticamente invencível, uma besta capaz de destruir cidades inteiras sem levar um arranhão.

Naquela época, eles brincavam que, se um dia chegassem ao nível Grande Mestre, partiriam o mundo do jogo ao meio, governando cada lado com punhos de ferro e conquistando domínios totais. Mas, na verdade, tudo aquilo era só um sonho ingênuo de crianças que ainda não entendiam quão frágil de verdade era o nível Grande Mestre no universo real.

Porque, ao saírem da simulação e enfrentarem o mundo real, perceberam a amarga verdade: Grande Mestre nem era considerado 'Elite' na escala de poder cósmico, e quem chegava a esse nível era visto como um pequeno peixe na boca dos realmente fortes.

"Bem... você é forte, irmão. Não tenho dúvidas disso," Leo admitiu, gentilmente dando um tapinha no ombro de Luke, que sorriu ainda mais com o elogio.

"Você também não é ruim, Circuito Campeão. Vi que você reuniu uma multidão enquanto eu fugia do Exército Vermelho. Você me deixou orgulhoso," disse Luke animado, ao passo que Leo levantou uma sobrancelha ao ouvir sobre o Exército Vermelho.

"O Exército Vermelho?" repetiu, franzindo as sobrancelhas, enquanto o nome soava familiar no fundo de sua mente.

Ele se lembrou de ter ouvido falar deles na Academia Militar Rodova, enquanto alguns estudantes discutiam sobre o Culto Maligno na cantina.

Segundo sua memória, o Exército Vermelho era uma divisão militar especializada sob o Governo Universal, formada para uma única missão, e uma única missão, que era caçar operativos do Culto em fuga.

Chamada de 'Caçadores de Culto', eram um grupo de elite implacável, rastreadores e assassinos, famosos por perseguir seus alvos por anos, se preciso, sem nunca desistir até conseguir eliminá-los.

"Irmão, como foi que você acabou cruzando com o Exército Vermelho? Você não deveria estar sob proteção do Culto?" perguntou Leo, agora com uma voz mais firme, enquanto Luke visivelmente contorcia-se de dor, como se a própria pergunta tivesse tocado uma ferida.

"Eu... estive treinando para o Culto?" Luke murmurou, com a voz tensa e indecisa, uma dor difusa se formando na cabeça quanto mais ele tentava lembrar.

"Na verdade, eu não me lembro bem de como entrei em contato com o Exército Vermelho. Ainda tenho um pouco de confuso na cabeça," disse Luke, pensativo. "Mas o que lembro mesmo é que fui caçado... implacavelmente... por quase um ano."

Ele fez uma pausa, deixando as palavras reverberarem, antes de seguir.

"Não importa até onde eu corresse, eles sempre conseguiam me encontrar. Vivia uma vida de horrores, Leo… daquele tipo que não dá pra explicar."

"Nunca consegui dormir em paz, sem o medo de ser assassinado na minha cama. Nunca consegui terminar uma refeição sem pensar se ficar parado demais iria me levar a um emboscamento ou se eu seria rastreado."

Seus olhos escureceram um pouco, a memória claramente pesando na mente dele.

"Foi um tempo difícil... tive momentos em que realmente achei que não ia conseguir sair vivo," disse, quase sussurrando, enquanto Leo apertava seus ombros para confortá-lo.

"Quer dizer, você sobreviviu, irmão, e tá de volta em casa…" disse Leo, com um sorriso tranquilizador, ao que Luke devolveu o sorriso.

"Sim, é verdade... estou vivo. E estou em casa."

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