Assassino Atemporal

Capítulo 482

Assassino Atemporal

(Planeta Vorthas, Área do Hangar, Manhã cedo)

Leo chegou ao Hangar com uma bocejada ainda ardendo no rosto, enquanto as botas batendo contra o piso de aço guiavam seu caminho pela rampa em direção à nave já aguardando, com destino a Juxta.

Ele esperava uma viagem silenciosa, sem grandes acontecimentos, talvez um cochilo com os olhos fechados pelo caminho, até que um soldado uniformizado o interceptou perto da rampa de embarque.

"Senhor Skyshard," disse o soldado, ficando em postura de atendimento, "você ainda não vai embarcar. O comandante Charles emitiu novas ordens. Foi solicitado que você retorne imediatamente à sua família."

Leo levantou uma sobrancelha. "Por quê?"

"Aparentemente, sua família entrou em contato há alguns dias," respondeu o soldado. "Seu irmão mais velho... está acordado. Luke Skyshard recuperou a consciência há cerca de quatro dias."

Leo congelou. Sua mente piscou. E então, à medida que as palavras se assentaram, suas emoções inflamaram.

Uma suave aura azul começou a envolver seu corpo, enquanto ele esboçava um largo sorriso.

"Ele está acordado?" perguntou novamente, desta vez mais devagar, mais baixo, como se confirmar a notícia em voz alta fizesse ela se tornar realidade.

"Sim, senhor. Todas as sentinelas na sua casa confirmaram isso por transmissão direta."

* Huff *

Uma respiração que ele não percebera estar contida escapou, seguida pelo mais entusiasmado rubbing das mãos na palma, que fazia tempo que não fazia.

"Entendi..." murmurou, então assentiu, mais para si mesmo do que para o soldado. "Transmitam minhas desculpas ao piloto, mas não vou embarcar para Juxta hoje. Pelo amor de Deus, eu não perderia isso por nada."

Seu tom era firme, mas seus passos ficaram mais leves enquanto se virava e correu em direção às aeronaves de transporte suspenso.

Ele precisava chegar em casa o quanto antes.

Precisava dar ao irmão um abraço bem apertado e quente.


(Enquanto isso, em outro lugar na Capital, manhã do Festival de Outono)

O aroma de pão doce e cera de móveis pairava pelas ruas matutinas, enquanto milhares de cidadãos saíam de suas casas vestindo seda em camadas, máscaras pintadas e faixas cerimoniais.

Da Porta Norte à Praça Central, parecia que a cidade tinha ganho vida.

Crianças corriam pelos becos com máscaras de dragão grandes demais para as cabeças. Vendedores empurravam carrinhos cobertos de esculturas de frutas, tecidos tingidos e tranças de incensos cintilantes.

Telhados estavam enfeitados com bandeiras que ostentavam o brasão do Culto—recém-criadas, mas agitadas com orgulho de qualquer jeito.

Novatas da Nova Armada dos Dragões, a maioria moradores locais que se inscreveram para participar das futuras ofensivas do Dragão, permaneciam firmes com seus trajes brilhantes, ensaiando sua demonstração sincronizada para o fim do dia.

O que começou como um simples juramento de fidelidade evoluiu para um espetáculo cheio de formações de combate, feitiços de ilusão e saudações no ar, tudo coreografado até a perfeição.

Porém, eles não eram os únicos com planos.

O povo comum também tinha suas surpresas.

Perto do Mercado Sunsteps, um grupo de atores idosos do Teatro Popular ensaiava uma peça representando a lendária libertação de Vorthas pelo Dragão Noah, com espadas de madeira, chifres artesanais e um ator criança interpretando um Enézio Enigmático.

De frente, outro grupo preparava uma cena rápida intitulada "O Dia de Dois Deuses", para homenagear o momento em que o Lorde Soron repeliu uma invasão divina sozinho — claramente uma exageração, mas com entusiasmo à mesma altura.

Mais adiante, dançarinos culturais das províncias do oeste ajustavam faixas de seda e aqueciam-se descalços na praça, enquanto músicos afinavam tambores de mão e flautas luminosas sob tendas sombreadas.

E quanto ao grand finale... fogos de artifício estavam programados para iluminar o céu com o símbolo do Culto, prometendo explodir assim que o desfile chegasse à Praça Central.

Vorthas não via uma comemoração tamanha há mais de três décadas.

E, para muitos ali, não se tratava apenas de Veyr.

Era sobre fé.

Sobre esperança.

Sobre finalmente sentir que o domínio do Culto não era apenas sofrimento vestido de escrituras.

Pois hoje era o dia de celebrar com seu novo messias.

Hoje era o dia de sentir sua vaidade voltando às ruas mais uma vez.


(Enquanto isso, Veyr e Valterri)

Com o desfile marcado para começar em menos de uma hora, Veyr vestia rapidamente o manto cerimonial vermelho destinado ao Dragão.

Uma capa de gola alta repousava sobre os ombros, bordada com padrões dourados, enquanto uma meia-capela com o insígnia do Culto pendia ao seu lado.

Permanecia imóvel enquanto os atendentes ajustavam a última fivela, sua postura firme, expressão indecifrável, parecendo um herói de livro de histórias forçado à realidade.

"Mal consigo mover os braços nesse traje... e esquecer de girar o quadril, então... é muito rígido," murmurou Veyr, movendo-se desconfortavelmente, enquanto Valterri permanecia atrás dele, olhar fixo, preocupação quase imperceptível sob sua habitual impassibilidade.

Se dependesse dele, Veyr não sairia vestido com roupas que dificultassem sua defesa — mas a decisão não era dele.

O Enézio Enigmático tinha escolhido pessoalmente o traje para espelhar o seu, e Valterri não tinha espaço para contestar.

Mesmo assim, além das roupas, havia uma coisa mais profunda o incomodando. Uma ansiedade silenciosa que insistia em não desaparecer.

Ele não falou nada. Não deu comentários. Apenas manteve uma mão perto da espada, os sentidos aguçados, o instinto alerta.

Algo no dia de hoje parecia errado. O festival estava exposto demais, barulhento demais, imprevisível demais.

Porém, a natureza e o desafio do evento não alterariam seu dever.

Não importava o que acontecesse, ele tinha que proteger o Dragão.

Mesmo que fosse morrer por isso.

"Lorde Veyr... Se estiver pronto, por favor, siga para o salão comum lá embaixo. O Enézio Enigmático deseja encontrá-lo com os líderes locais da união."

Solicitou uma atendente, enquanto Veyr suspirava e acatava o pedido.

Essa era sua vida agora.

Se não estivesse treinando, tinha que ser arrastado de uma reunião para outra, porque também fazia parte do que significava ser o Dragão.

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