Assassino Atemporal

Capítulo 471

Assassino Atemporal

Durante o resto do dia, onde quer que Aegon fosse, Valterri o acompanhava como uma sombra, constantemente atento a possíveis ameaças, agindo com um nível de cautela que oscilava entre paranoia e propósito.

Nunca questionou a agenda de Veyr, nunca fez comentários sobre a rotina monótona das reuniões que participava, nem reclamou dos rituais repetitivos que a fase inicial de proteção de um dragão recém-coronado exigia.

Simplesmente observava… calmo, composado e atento de uma forma que até os guardas veteranos da mansão se sentiam desconfortáveis.

Vigiava cada servo que se aproximava com comida ou documentos.

Observava cada funcionário administrativo do Cult que entrava nas salas de discussão.

E memorizava os trajetos por cada corredor, canto e pátio pelos quais Aegon passava—mapeando linhas de visão, pontos de estrangulamento e possíveis locais de emboscada, mesmo em locais já protegidos por camadas de segurança do Cult.

Quando um grupo dos maiores líderes comerciantes dentro do Cult chegava com presentes e sorrisos exagerados, Valterri ficava bem perto de Veyr, sem piscar uma vez, analisando a forma de caminhar, o olhar, o fluxo de mana, os movimentos das mãos… como se estivesse preparando para lutar contra todos eles, caso algum fosse agir de forma suspeita.

Porque, independentemente de serem aliados ou inimigos, Valterri os tratava com a mesma desconfiança.

Eventualmente, quando Aegon se retirou para o setor norte para sua primeira reunião particular com o Primeiro Elder, Valterri chegou cinco minutos antes, inspecionando pessoalmente a sala—checando debaixo da longa mesa do conselho, atrás de cada cortina, no interior de cada duto de mana, e até trocando uma troca rápida e silenciosa com os guardas estacionados, apenas para verificar suas identidades e autorizações.

Ele não permitiu que sua atenção o deixasse escapar nem por um instante.

Mesmo quando Aegon fez um desvio não programado para seu próprio quarto no meio da tarde para trocar de roupa por uma vestimenta menos cerimonial, Valterri entrou primeiro, escaneando o ambiente como se fosse território inimigo, e só então deu passagem para o Dragão entrar.

Apesar de Aegon erguer uma sobrancelha diante daquele gesto, Valterri não explicou nada, apenas permaneceu na moldura da porta, com os braços cruzados e os olhos atentos a cada sombra no chão.

Ele não respirava a não ser quando era estritamente necessário.

Não relaxava, nem por um instante.

Porque essa era sua promessa.

Garantir a segurança dos Dragões, a qualquer custo.

E se isso significava ser o primeiro a entrar em cada sala, o último a sair de cada corredor e o único em alerta total mesmo durante as refeições, assim fosse.

Por sua parte, Aegon não dizia nada a respeito.

Gostaria de dizer, queria reclamar, sentir-se envergonhado pela vigilância constante, pela proteção incessante, pela guarda que o fazia parecer menos homem e mais um pergaminho sagrado sob chave e selo.

Mas toda vez que olhava de volta para Valterri… não conseguia pedir que o homem relaxasse.

Havia algo na presença de Valterri, uma lealdade não dita, uma sinceridade inabalável, que fazia Veyr sentir que pedir a ele para relaxar seria uma traição em si mesma.

E assim, deixava-o fazer seu trabalho.

Deixava o Escudo cumprir sua missão.

Porque, lá no fundo, mesmo que ele nunca admitisse em voz alta…

Ter um servo tão dedicado ao lado realmente o fazia sentir-se mais seguro.


(Enquanto isso, no Planeta Granoda)

Assim que Mauriss voltou de sua reunião com Kaelith e Helmuth, não conseguiu segurar uma risada ao ver Dupravel ainda amarrado na mesma pedra onde o deixou mais cedo naquele dia.

Era engraçado, quase absurdo, pois o fio que prendia Dupravel era frágil como aquele usado para costurar um botão na camisa.

Não era uma gaiola divina. Nem uma corda carregada de mana.

Apenas um fio simples.

Uma criança mortal conseguiria quebrá-lo facilmente, muito menos alguém como Dupravel, cuja força provavelmente poderia rasgar metade do oceano ao seu redor.

E, no entanto, ele permanecia imóvel. Obediente. Silencioso.

Não porque faltasse poder para escapar, mas porque tinha medo do que poderia acontecer se tentasse.

As consequências de desafiar estavam gravadas profundamente em sua mente, enquanto ele se mantinha amarrado a um fio sem poder, esperando fielmente Mauriss voltar, como um cão treinado para não puxar a coleira.

— Bom garoto, Dupravel… Estou satisfeito com seu comportamento, — disse Mauriss, com voz suave, sorriso assustadoramente sincero, ao passar por cima da pedra e se agachar ao lado da figura de joelhos.

Dupravel não respondeu. Apenas abaixou ainda mais a cabeça, escondendo a tempestade silenciosa em seus olhos.

Ele não tinha mais orgulho suficiente para protestar. Nem aqui. Nem diante do grande enganador.

*Pat*

*Pat*

Mauriss acariciou suavemente seu ombro, como quem faz com um cachorro que finalmente parou de morder.

— Tenho uma missão especial para você, — disse Mauriss, erguendo-se novamente, dando um estalo com os dedos e transformando as gotas de chuva em uma névoa suave.

— Conclua para mim… e você poderá caminhar livre novamente. — ofereceu, enquanto Dupravel levantava um pouco a cabeça, os olhos brilhando de esperança repentina.

— Livre? — perguntou Dupravel, enquanto Mauriss confirmava com um sorriso e entrelaçava as mãos atrás das costas.

— Você não será mais desejado pelo Governo Universal.

— Não haverá mais recompensas na sua cabeça, nem correntes.

— Apenas você, as estrelas, e qualquer canto da galáxia para onde desejar rastejar.

As palavras de Dupravel escaparam antes que o cuidado impedisse, ainda que trepidantes: “Qual é a missão?”

Mauriss sorriu mais amplamente, puxando de seu anel de armazenamento um pequeno frasco metálico do tamanho de um dedo.

— Vou limitar sua força usando minha magia — explicou quase casualmente. — Selar seu poder até o Nível Transcendente. Assim, você passará despercebido na área do Cult… Porque acho que Soron não deveria se incomodar em rastrear Transcendentes.

— O que tenho aqui é uma poção de reversão. Uma vez tomada, ela removerá a limitação e devolverá sua força ao nível de um Monarca instantaneamente. Mas é melhor tomar com sabedoria. Porque, poucos segundos após restaurar sua força normal, você pode ser detectado por Soron, que pode ou não intervir.

Dupravel engoliu em seco, sentindo a corda se apertar ainda mais. — E qual é o objetivo? — perguntou.

Mauriss virou o olhar para o horizonte, seu sorriso lentamente desaparecendo, substituído por algo muito mais frio.

— Matar o novo Dragão. Aegon Veyr. Atacar o coração do Cult. Deixar seus seguidores perdidos, sem líder e tremendo.

Demorou um instante para que as palavras se assimilassem.

Mandíbula de Dupravel se travou.

— Matar o novo Dragão? Dentro do território do Cult? Isso é suicídio! — exclamou, com uma certa pânico na voz. — Eles vão me enterrar vivo antes mesmo de eu chegar perto do novo Dragão.

Mauriss apenas rangeu a língua de leve, com uma decepção suave, como um professor ao ouvir um aluno lento se exceder na fala.

— Você tentou com Noah… ou já esqueceu sua própria história, Dupravel? — disse calmamente, virando para encarar seus olhos. — Agora é hora de fazer de novo.

— Pense em tudo que pode conquistar ao se tornar homem livre novamente… Pense em como poderá tentar salvar seu filho!

Ou, talvez, se já aprendeu a lição, criar um centenar de novos filhos.

Você pode até iniciar uma nova guilda e, com o prestígio de ser um dragão duplo, certamente será um nome de peso para muitos quererem seguir mais uma vez.

As oportunidades são infinitas.

Todo o que precisa fazer é matar Aegon Veyr e voltar vivo! — incentivou Mauriss, cortando o fio frágil com um movimento do dedo, como se fosse uma coleira de uma fera que esperava libertar mais uma vez.

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