
Capítulo 475
Assassino Atemporal
Uma semana inteira tinha surgido desde que Aegon foi oficialmente chamado de Dragão, e agora chegara a hora de ele e Leo se apresentarem à Planeta Vorthas para sua primeira rodada de treinamento de habilidades sob a orientação do Décimo Segundo Ancião.
Para Veyr, essa novidade veio como um alívio bem-vindo, já que ele passara os últimos dias fazendo nada além de reuniões intermináveis com estranhos, comerciantes e burocratas… cada uma mais cansativa que a outra.
Leo, entretanto, achava o momento longe do ideal.
Ele tinha acabado de começar a se familiarizar com o funcionamento interno da Base Militar Juxta, lentamente entendendo suas camadas e começando a vislumbrar a ponta do iceberg por trás de sua operação, quando foi abruptamente afastado e jogado no programa de treinamento do Décimo Segundo Ancião.
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(Planeta Vorthas, hangar)
Quando Leo desceu do transporte e tocou o solo de Vorthas, a primeira coisa que percebeu não foi a estrutura imponente do Hangar ou os guardas de elite posicionados a cada canto, mas sim a figura alta na extremidade da plataforma de chegada, aparentemente esperando por ele para desembarcar.
'Não... Será que ele quer começar uma revanche aqui… será?' Leo pensou por um instante, surpreso ao ver o recém-coroadado Dragão, Aegon Veyr, esperando por ele com os braços cruzados e expressão séria.
'Que porra...? Por que ele está assim, olhando pra mim? E quem é aquele cara sério atrás do Veyr?' Leo se questionou, enquanto, atrás de Veyr, estava um homem de meia idade com fios de cabelo grisalhos na barba, também examinando-o com uma intensidade tão forte quanto a de Veyr.
*Passo*
*Passo*
Depois de descer, ele cruzou o olhar com Veyr através da multidão de seguranças e oficiais do Culto, e por um momento esperou o clássico — ressentimento, orgulho, talvez um resquício de tensão competitiva que ainda pairava do último duelo.
Mas, ao invés disso, Veyr olhou para ele com algo completamente diferente.
Convicção.
Nem raiva. Nem arrogância. Apenas uma estranha, firmeza inabalável nos olhos, como se tivesse algo desesperadamente querendo dizer, mas sem conseguir descobrir exatamente como.
Leo tentou ignorar inicialmente, passando por ele apenas com um aceno de cabeça. Mas Veyr não se moveu. Ele continuou a olhar fixamente, olhos ardendo com um pensamento não dito.
E, mesmo quando passou bastante tempo, aquele olhar insistente não desapareceu.
Mesmo quando os guiaram pelo Hangar e o levaram a uma Aeronave Particular... mesmo quando os ajudantes do Décimo Segundo Ancião explicaram a eles sua próxima agenda e onde o Ancião encontraria com eles, Leo sentia aquela mesma expressão grudada na nuca dele, como um peso constante.
Até que, finalmente, a aeronave partiu e, retornando com segurança para o local de treinamento, Leo virou-se para ele com uma sobrancelha levantada e uma expressão halfway entre diversão e cansaço.
"Tudo bem, primo?" perguntou casualmente, cruzando os braços enquanto se apoiava na cadeira mais próxima.
Veyr hesitou por um momento, então exalou lentamente, como se as palavras estivessem presas na garganta dele há dias.
"Não faço ideia do que você pensou que me tornaria um Dragão melhor que você," começou, com a voz firme mas baixa, "mas… não vou te decepcionar."
Leo piscou, surpreso com a frase.
"Não sou perfeito. Claramente não sou o mais forte. Mas vou conquistar esse título. Vou lutar, vou melhorar, vou liderar… mesmo que isso me custe a vida. Mesmo que eu precise dar tudo de mim. Vou crescer na posição. Prometo. Vou me tornar alguém digno da confiança que você depositou em mim."
Sua voz não vacilou.
E, tecnicamente, nunca chegou a dizer obrigado na fala.
Mas Leo entendeu tudo mesmo assim, mesmo que isso o deixasse sem fala de surpresa.
Esse não era um resultado que ele tinha previsto, porque, na verdade, ele não tinha intenção de passar o bastão com qualquer tipo de confiança ou crença em Veyr.
As palavras dele naquele dia... sobre não estar pronto, sobre querer focar no crescimento — eram mais uma desculpa conveniente para não se tornar o próprio Dragão do que algo profundo.
A desculpa dele de que Veyr era mais digno nada mais era do que uma cortina de fumaça para uma decisão que, na verdade, tinha motivações egoístas.
Mas, de alguma forma, Veyr interpretou aquilo como algo completamente diferente…
O garoto, de modo errado, começou a enxergar aquela rendição como um voto de confiança.
Como uma demonstração de reconhecimento.
E Leo sentiu que era melhor não quebrar essa ilusão agora, considerando o quanto aquela pequena demonstração de confiança parecia ter impactado sua personalidade.
De alguma forma, seu primo passou de um guerreiro arrogante e insolente para o que ele era hoje, tudo por causa daquele pequeno mal-entendido — tornando quase criminoso contar a verdade agora.
"Então, tá", disse Leo simplesmente, dando um tapinha no ombro dele ao virar-se de costas.
"Aposto que vou esperar grandes coisas de você, Ó grande Dragão."
Veyr não respondeu, mas seu aceno intenso falou por si só.
O homem claramente não nutria mais ressentimento por ter perdido a luta.
Embora isso pouco aliviasse as outras preocupações de Leo, pelo menos o tranquilizava de que, durante o treinamento… algo como sabotagem por parte de Veyr não era uma coisa de que ele precisaria se preocupar.
Felizmente, a viagem de hovercraft não durou muito; em pouco mais de uma hora, chegaram às margens de uma zona não marcada em Vorthas, bem distante de qualquer cidade ou base.
E, ao som do som de chiado ao abrir a porta, Leo ficou chocado ao ver um campo cheio de construções de metal retorcidas à sua frente.
Não era um campo de treinamento.
Era um quintal de tortura.
Dezenas de engenhocas enferrujadas estavam presas ao solo — bobinas pontiagudas, trajes de peso, arnês de couro e bandagens de compressão feitas para apertar, puxar e contorcer o corpo através de esforço prolongado.
Cada dispositivo parecia mais uma ferramenta de moldar do que de treinar guerreiros, e a sobrancelha de Leo se contraiu enquanto ele observava tudo aquilo.
"Isso aqui me lembra como o mestre Ben costumava treinar comigo antigamente, só que cem vezes mais intenso." Pensou, ao lembrar como sua jornada para virar um Assassino e alcançar uma flexibilidade inacreditável nas articulações começou justamente em um parque de tortura igual a esse.