
Capítulo 474
Assassino Atemporal
Enquanto isso, em todas as regiões do Cult
Alguns dias após Veyr ter sido nomeado Dragão, escritórios de recrutamento abriam suas portas em todos os planetas sob controle do Cult para convocar soldados para o exército particular do Dragão.
Não houve grande anúncio.
Não foram pendurados panfletos informando os cidadãos de que o processo de recrutamento havia começado, mas, mesmo sem qualquer aviso, todos já estavam esperando por isso.
A tradição de que o exército do Dragão fosse formado sempre que um novo Dragão fosse nomeado era tão antiga quanto o próprio Cult.
Era uma tradição que fazia parte do sangue de todos os cidadãos nascidos sob as bandeiras do Cult.
Uma tradição que simbolizava o começo de um novo capítulo e, com ele, o retorno do chamado às armas.
Bandeiras carmesim, com o sigilo do Cult, eram içadas sobre praças públicas e câmaras municipais, e, abaixo delas, começavam a formar filas.
Filas longas, sinuosas, fervorosas, que se estendiam por mercados empoeirados, becos escuros e até mesmo pelas escadarias de delegacias de polícia.
O sonho perdurava novamente.
Por quase três décadas, o Cult da Ascensão havia se preparado silenciosamente para o dia em que deixariam de defender seus territórios fragmentados e começariam a reconquistar o que lhes pertencia.
Independentemente do período, toda geração de crianças do Cult crescia ouvindo histórias de conquista. Dos feitos gloriosos de entrar no exército do Dragão. De seu direito divino de expandir-se.
Assim como as gerações passadas, dessas histórias passadas de pai para filho, de linhagem em linhagem, tornou-se menos um sonho e mais uma herança de nascimento, gravada na mente dos fiéis antes mesmo de aprenderem a andar.
E agora, com a ascensão de um novo Dragão, esse sonho parecia estar ao alcance mais uma vez.
"Estou te dizendo," sussurrou um jovem ao lado enquanto avançavam na fila, "quando quebrarmos os planetas da linha de frente, estaremos dentro do Sistema Solar Valtros até o inverno. A facção justiceira nem vai saber o que os atingiu."
"Eles ficaram complacentes," respondeu o outro, olhos brilhando. "As frotas deles estão inchadas de burocracia. Os capitães treinados em academias, não na guerra. Vamos desmantelá-los."
As palavras carregavam um tom de confiança, mas por trás delas havia algo muito mais perigoso… uma convicção inabalável.
Eles não tinham ideia das consequências das ações que discutiam tão casualmente.
Para eles, guerra parecia uma perspectiva gloriosa, mas, na verdade, era tudo menos isso.
Os planetas que eles esperavam conquistar das garras da facção justiceira eram habitados por dezenas de milhões de habitantes... às vezes até bilhões.
E conquistar um deles significava desalojar muitos e matar ainda mais.
"Vorthas caiu em apenas seis dias, e Juxta mal resistiu nove. Isso sob o comando do Dragão Noah," murmurou um, batendo a ponta de ferro do seu bastão contra o chão.
Era um veterano antigo da ofensiva de Juxta, seu uniforme desbotado, mas seus olhos ainda brilhavam.
"Você tinha que ver o céu quando a defesa de Juxta entrou em colapso. Ficou vermelho. Mais vermelho que sangue. Nunca vou me esquecer disso."
Os mais jovens escutavam boquiabertos, suas imaginações já inflamadas. Eles não pensavam nos corpos, nos gritos ou nos órfãos deixados para trás em planetas queimados por fogo orbital.
Não, eles estavam pensando no saque.
Na glória.
No orgulho de voltar para casa com medalhas, cicatrizes e histórias para contar.
Porque aqui, matar não era assassinato. Não se fosse em nome do Cult.
Aqui, conquistar não era visto como agressão. Era justiça. Era destino. Era uma revanche pelas décadas de traição, exílio e humilhação sofridos às mãos dos chamados justos.
"Chamam a gente de Cult Maligno," zombou uma mulher, cruzando os braços enquanto esperava. "Mas eles não sabem o que é o verdadeiro Mal… Ainda não encontraram cara a cara."
"Mas podem apostar, vão reconhecer o Mal quando eu mostrar a eles."
E, assim, o ódio virou algo sagrado.
Em todos os postos avançados, bases lunares, cidades capitais sob domínio do Cult, as filas continuavam a crescer. Alguns buscavam vingança, outros glória, alguns um propósito que não conseguiam encontrar em mais lugar nenhum. Mas, independente das razões, todos compartilhavam o mesmo juramento, a mesma chama nas veias.
De marchar sob a bandeira do Dragão.
Transformar o sonho de uma contraofensiva em realidade.
Expandir o alcance do Cult não por diplomacia ou diálogo, mas por cinzas, fogo e sangue.