
Capítulo 464
Assassino Atemporal
Enquanto as notícias de que Aegon Veyr seria nomeado o próximo Dragão dominavam os ciclos de mídia, cobrindo tudo desde a página um até a três dos principais jornais…
…na página quatro, outra história importante ganhava destaque.
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ÚLTIMA HORA: Guilda dos Serpentes Negras oficialmente dissolvida
Por Reema Kotra | Jornal Galáctico | Pg. 4
Em uma das ações mais decisivas de repressão liderada pelo Estado nos últimos anos, o Governo Universal anunciou a dissolução oficial da Guilda dos Serpentes Negras após sua recusa em cumprir uma ordem confidencial relacionada a "um artefato de relevância estratégica".
Fontes próximas ao Jornal Galáctico confirmam que o artefato em questão era um Pergaminho Divino, obtido a partir do cadáver do antigo Dragão Maligno Noah, e que pertencia ao Culto do Mal.
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Linha do tempo das tensões
Dia 1: O Governo Universal emitiu uma demanda confidencial à Guilda dos Serpentes Negras, solicitando a transferência imediata do Pergaminho do Culto Maligno.
Dia 2: As serpentes respondem com uma ameaça velada, sugerindo que a recusa do governo em recuar pode resultar na doação do pergaminho ao Culto do Mal.
Dia 3: O Governo Universal inicia a Operação Presa Afiada, sob a supervisão do comandante Intestino.
O planeta Twin Fangs foi cercado imediatamente por mais de duas mil naves devastadoras de classe destruidor.
Foi iniciado o bloqueio temporal zonal, interrompendo todas as fugas dimensionais.
Enquanto o espaço permanecia bloqueado para o trânsito de cargas logísticas e de suporte.
Dia 26: O impasse foi oficialmente encerrado, e o ataque total foi lançado sob comando do comandante Intestino.
Dia 27: O planeta Twin Fang foi declarado inabitável. O local foi encerrado.
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O comandante Intestino declara vitória na Operação Presa Afiada
"Vocês não ameaçam o governo universal com alianças com o Culto do Mal e depois esperam negociação."
— Comandante Intestino, Relatório Pós-Operação
Em uma entrevista transmitida que durou menos de noventa segundos, o comandante Intestino confirmou a desmontagem bem-sucedida da Guilda das Serpentes Negras, declarando que o pergaminho agora está sob custódia total do Governo Universal.
Quando questionado sobre o uso de protocolos de destruição planetária, Intestino respondeu simplesmente:
"Eles foram avisados. Jogaram sujo. Perderam."
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Relatório de baixas: Principais serpentes executadas na purga
Por Jarven Holt | Tempos Justos | Pg. 4, Coluna 3
Várias fontes confirmam a morte confirmada do vice-líder da guilda, Antonio, do diretor de operações Sev'Nar, e da estrategista Mai Caloré, todos eliminados durante uma incursão de precisão antes do ataque orbital.
O líder da guilda, Dupravel Nuna, continua desaparecido, com diversos relatórios de inteligência sugerindo que ele pode ter sido retirado momentos antes do ataque, possivelmente por um canal de evacuação não autorizado. As buscas pelo criminoso continuam.
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EDITORIAL: Uma Era termina em fogo
Por Kys Valden | Sentinel Independente
Por décadas, as Serpentes Negras estiveram no topo de todas as guildas da facção justa, nem completamente sob o controle do governo universal, nem totalmente fora dele.
Elas prosperaram na ambiguidade, escondendo conhecimentos perigosos sob o manto de neutralidade auto-regulada.
Mas neutralidade não é lealdade. E quando decidiram chantagear o próprio império que uma vez as tolerou, escreveram seu próprio fim.
Quaisquer segredos que o pergaminho do Culto do Mal tivesse guardado, agora pertencem à máquina do governo.
E as serpentes?
Agora são história.
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Opinião pública Diversificada: "Mereceram" vs "Poderia ter sido nós"
VoxPop compilado | GalaxStreet ao Vivo
"As serpentes deveriam ter entregue o maldito pergaminho. Não se brinca com lunáticos como o comandante Intestino."
— Rhys Helmar, graduado na Rodova
"Disseram que por anos Twin Fangs era intocável. Agora a gente sabe que ninguém é."
— Vena Tal, repórter urbana
"Mas é meio assustador, né? Quer dizer, simplesmente destruíram um planeta assim? É isso que o governo está disposto a fazer agora?"
— Estudante anônimo, Academia Genevaris
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Bens da guilda confiscados, membros colocados na lista negra
Mais de 800 mil membros registrados das Serpentes Negras tiveram suas licenças de aventureiro revogadas, seus bens congelados e suas identidades marcadas para auditoria. Todos os membros sobreviventes tiveram 48 horas para registrar-se em novas guildas de facções justas aprovadas ou enfrentar ações legais sob o Artigo 417-B da Lei Intergaláctica: "Falha em Desmantelar".
Fim do relatório – Pg. 4
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As Serpentes Negras não existiam mais.
O Governo Universal fez sua declaração—alta, decisiva e absoluta. Qualquer facção que ousasse exagerar na jogada enfrentaria consequências muito além de uma simples negociação.
Sua tolerância tinha limites. E esse evento deixou uma coisa clara: rebelião, mesmo sob o pretexto de autonomia, não seria tolerada.
Nos ciclos recentes, várias guildas independentes começaram a exigir os mesmos privilégios que antes eram concedidos às serpentes. Mas, depois deste episódio, suas ambições certamente murchariam.
A destruição de Twin Fangs não foi apenas uma punição… Foi um aviso.
E reverberou pelas estrelas.
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(Enquanto isso, Dupravel Nuna)
Apesar da destruição da sua guilda, de algum modo, Dupravel viu sua vida ser poupada: ao invés de ser massacrado como seu vice-líder, ele foi sedado e silenciosamente transportado para o planeta Granoda.
Foi Mauriss, O Enganador, quem deu a ordem para poupá-lo, e Intestino, sempre leal, não tinha motivo para questionar.
Embora já tivesse derrotado Dupravel em batalha e pudesse tê-lo eliminado ali mesmo, optou por obedecer—parcialmente por dever, e parcialmente porque não via glória em matar alguém tão completamente destruído.
Dupravel, antes temido por todo o universo, mal conseguiu se defender antes de cair.
Pois, apesar da aparência bestial, não sobrava nele nenhuma verdadeira resistência.
Apenas confusão e um orgulho que se esvaía, enquanto Intestino o amarrava em silêncio e preparava a evacuação de forma tão discreta que até os generais sob seu comando nem souberam.
Eventualmente, quando Dupravel finalmente voltou a estar consciente, o ar ao seu redor carregava o aroma de incenso e óleos perfumados, enquanto gotas de chuva, quebrando como cristais de gelo, continuavam a atingir sua cabeça.
Ele piscou lentamente, o efeito da sedação ainda obscurecendo sua mente, enquanto a cena diante de seus olhos começava a ganhar nitidez.
Duas belezas celestiais, quase nuas e de uma graça impossivelmente etérea, moviam-se lentamente pelo corpo brilhante de um homem recostado em uma simples cadeira de pedra.
Seus braços trabalhavam em seus ombros e peito, espalhando óleos sagrados com reverência, enquanto uma tigela de frutas esmagadas e estimulantes raros descansava ao seu lado.
Mauriss.
O Grande Enganador.
Dupravel tentou falar, mas a garganta estava seca, seus membros pesados demais.
Mauriss simplesmente virou a cabeça ligeiramente, curvando um meio-sorriso nos lábios enquanto levantava um cálice em sua direção.
"Bom dia, Monarca Dupravel," disse, a voz suave como veludo. "A viagem não foi muito difícil, espero."