
Capítulo 465
Assassino Atemporal
— Bom dia, Monarca Dupravel… — Mauriss disse, sua voz antiga e rasgada deslizando pelo ar enquanto Dupravel sentia um arrepio percorrer sua espinha, sua pele se eriçando de calafrios.
— Você se superou desta vez. O Concerto Soberano quis pessoalmente que você morresse, até eu intervir. —
‘O Concerto Soberano? Quer me matar?’ Os pensamentos de Dupravel giraram enquanto engolia em seco, o gosto do pânico se instalando na língua enquanto seu corpo começava a tremer como de um animal acuado.
— M-m misericórdia… — ele gaguejou, mal conseguindo se manter de pé, enquanto Mauriss balançava a língua em desapontamento antes de estalar os dedos.
*Cliq*
De repente, as gotas de chuva ao redor deles pararam no ar, suspensas de forma grotesca, como se o tempo tivesse sido pausado, enquanto Mauriss apontava para Dupravel e fazia um gesto pequeno, quase de indiferença.
— R Hopre até aqui, cachorro. Antes que possamos ter uma conversa decente, preciso tirar um pouco da podridão que está se deitando na sua cabeça. —
Suas palavras doíam mais do que qualquer chicote poderia causar, mas Dupravel obedecia sem hesitar.
Ele caiu de quatro e rastejou pelo pedra molhada como um vira-lata, a vergonha estampada no rosto enquanto suas palmas e joelhos deixavam marcas leves na terra úmida a cada passo patético.
*Impressão*
*Impressão*
A cada passo à frente, uma camada de sua dignidade se perdia, mas ele não ousava deixar a humilhação transparecer.
*Toc**
*Toc* *
Ao chegar aos pés de Mauriss, ele abaixou a cabeça e se encolheu totalmente na frente do grande deus.
*Toque*
Mauriss tocou suavemente o topo da cabeça de Dupravel com a ponta do dedo do pé, e instantaneamente uma dor insuportável percorreu o crânio do rapaz.
— AAAARGHH! —
Seu grito rasgou o ar, alto o suficiente para assustar as duas mulheres elegantes que atendiam Mauriss.
Embora nenhuma delas ousasse expressar seu descontentamento, Mauriss, percebendo a perturbação, como punição pela interrupção, aumentou cruelmente a dor.
A visão de Dupravel ficou branca, sua mente escorregou para um vazio vazio, mas logo a tormenta ardente desapareceu, juntamente com a névoa que há muito tempo cobria seus pensamentos, começando a se dissipar.
— Removi cerca de setenta por cento da manchas que entupiam seu corpo — disse Mauriss de forma monótona. — Com isso, você pelo menos consegue agir como um humano civilizado. —
Dupravel se abaixou mais, a testa pressionada na pedra, e falou com uma voz trêmula que, pela primeira vez em meses, carregava clareza e estrutura.
— Obrigado pela sua graça, Senhor Mauriss. —
Ele apresentou-se, e Mauriss sorriu levemente, parecendo satisfeito com os resultados da limpeza.
— Entregue-me o metal de origem que você conseguiu até agora, Dupravel. Essa é a condição para que sua vida seja poupada e a mancha retirada da sua mente, — ordenou Mauriss, sua voz carregada de indiferença, como se estivesse apenas cobrando uma dívida esquecida.
Os olhos de Dupravel se arregalaram instantaneamente, a respiração presa de surpresa enquanto seu olhar permanecia fixo no chão, incapaz de olhar para cima.
— Meu Senhor? — ele sussurrou, a palavra seca e superficial, enquanto seu corpo tremia não só de medo, mas pela situação impossível em que se encontrava.
— Meu Senhor, eu… Eu tinha planos de descer no buraco negro sozinho. Iria refinar o metal lá dentro e oferecê-lo a você assim que o processo estivesse concluído. Como troca… como troca pelo meu filho, exatamente como combinamos antes — ele gaguejou, sua voz ficando mais fraca a cada palavra.
— Por favor… não tire essa oportunidade de mim. Eu suplico a você. —
Mauriss soltou uma respiração curta pelo nariz, meio de diversão, meio de desprezo, antes de levantar a perna e móIer a cabeça de Dupravel contra a rocha com força suficiente para fazer ecoar um baque na montanha.
*Chute*
— Patético. Sua obsessão distorcida por esse menino é exatamente o motivo de estar aqui hoje, rastejando na lama como um cão maldito. —
O rosto de Dupravel pressionou-se ainda mais na terra enquanto Mauriss falava novamente, sem elevar sua voz, mas de alguma forma soando ainda mais cruel.
— Você já devia ter aprendido. Libere a criança. Sua semente ainda está forte, seu órgão ainda está ligado, seu legado está longe de extinto. Você poderia ter vários filhos em nove meses, se quisesse de verdade, Dupravel. Mas isso não é o que você perdeu aqui. —
Ele fez uma pausa, deixando a humilhação consumir o silêncio.
— O que você perdeu foi o Pacto das Serpentes Negros. Todo o seu trabalho de vida, seu império de assassinos, sua reputação como Matador de Dragões. Tudo desmoronou. —
Dupravel tentou respirar, mas achou difícil sob o peso da bota de Mauriss, enquanto a pressão aumentava, sufocando não só seu corpo, mas também o pouco de orgulho que ainda lhe restava.
— E, apesar do seu estado mental vergonhoso, você teve a esperteza de guardar o metal de origem em um anel dimensional que responde somente ao seu sinal de mana. Inteligente. Muito inteligente. —
Se alguém mais tentar forçá-lo a abrir, o anel colapsa e o tesouro dentro dele é banido para um vazio espacial para sempre, sem chance de recuperação por qualquer método.
Esse mecanismo de segurança é a única razão de sua cabeça ainda estar presa aos ombros. —
Mauriss falou ainda mais baixo, como uma lâmina sendo arrastada lentamente pelo pescoço.
— Mas não confunda sua utilidade temporária comigo sendo misericordioso.
Não vou repetir isso mais uma vez. Entregue-me o metal de origem voluntariamente, Dupravel, ou prepare-se para se tornar uma casca vazia, uma marionete drenada de vontade e propósito.
De qualquer forma, o metal é meu. A única dúvida é em que estado você ficará quando o pegar. —
Adverte Mauriss, enquanto, com os dedos tremendo tanto que mal conseguia firmar a mão, Dupravel atingia seu anel de armazenamento e puxava uma pedra lisa de um metal comum.
Depois, colocava-a aos pés de Mauriss, com uma mistura de desamparo e resignação.
— Aqui — sussurrou, voz frágil. — Como você mandou. —
Os lábios de Mauriss se contorceram em uma expressão de satisfação enquanto olhava para a oferta.
— Que cadela obediente, — disse, enquanto seu pé pressionava ainda mais a cabeça de Dupravel contra a rocha molhada, afundando seu rosto ainda mais na pedra úmida.
— Agora, entregue a outra metade. —
Mauriss exigiu, enquanto Dupravel piscava lentamente, a confusão passando por seu rosto enquanto lutava para compreender.
— A… outra metade, meu Senhor? — disse cauteloso. — Isso é tudo que possuo. Sinceramente, essa é apenas uma lasca. —
Mauriss o encarou em silêncio por um instante, antes que seu pé descesse novamente com força.
*Estalo*
Um som agudo, de estilhaços, ecoou pelo topo da montanha, seguido por um grito abafado, enquanto a testa de Dupravel se abriu sob o peso esmagador.
Mauriss parecia furioso agora, os olhos semicerrados e selvagens, a voz elevada pela primeira vez desde sua chegada.
— Inseto inútil! — rebateu, enquanto Dupravel morde a língua com tanta força que o sangue se acumulou na boca, desesperado para não gritar.
— O tesouro de Zhanrok continha duas lascas de metal de origem. Duas! Suficientes para forjar toda a Espada Eterna. Por que você trouxe apenas uma de volta? —
Os pensamentos de Dupravel aceleraram enquanto tentava ignorar a dor, lutando para explicar antes que Mauriss perdesse a paciência de vez.
— Não foi eu quem pegou, meu Senhor, — disse ele, a voz carregada de desespero. — Eu apenas comissionei a missão. O menino que trouxe foi outra pessoa. —
O olhar de Mauriss escureceu.
— Quem? — perguntou, sua voz sem empatia.
— Era um garoto… um garoto humano. O nome dele é Leo Skyshard. Ele foi quem trouxe o metal do mundo parado no tempo — acelerou, forçando as palavras antes que uma nova martelada destruirasse seu cérebro por completo.
Por um momento, Mauriss permaneceu em silêncio.
Mas então seus olhos se arregalaram um pouco, como se o nome tivesse desencadeado algo recente que ele havia lido.
— Leo Skyshard… — repetiu em voz baixa, mais para si mesmo do que para Dupravel.
E então a engrenagem caiu.
— O Dragão das Sombras. —
Não foi uma pergunta, mas um sussurro frio de reconhecimento, e pela primeira vez em anos incontáveis, Mauriss sentiu alguma coisa afiar seu coração frio — uma centelha de surpresa, seguida por uma crescente ansiedade que não sentia há séculos.
A seita estava na posse de uma lasca de Metal de Origem! —