Assassino Atemporal

Capítulo 461

Assassino Atemporal

(Arena Lewis Hamilton, Sala de Aquecimento, Pós-Partida)

Um médico atendia silenciosamente às feridas de Leo enquanto, lá em cima, a grande cerimônia de coroação do próximo Dragão acontecia sob luzes cegantes e aplausos estrondosos.

Dentro da sala de aquecimento, no entanto, havia apenas silêncio.

Nem Leo, nem Dumpy pronunciaram uma palavra.

Apesar de ter realizado tudo o que se propôs a fazer—uma performance de tirar o fôlego e um avanço monumental—Leo se sentia perdido em uma confusão silenciosa.

A última decrete de Soron tinha deixado ele com muito mais perguntas do que respostas.

Por um lado, não podia negar o valor do que estava por vir. As técnicas secretas do Culto, como Charles uma vez disse, eram incomparáveis quando dominadas como um conjunto completo. Aprendê-las certamente elevaria seu poder a níveis inigualáveis.

Mas, por outro lado, não podia ignorar o peso do título que Soron havia, de forma não oficial, imposto a ele.

O Dragão Sombrio.

Um substituto. Um reposto. Aquele que assumiria o papel se o verdadeiro Dragão caísse.

*Suspiro*

Deixando escapar um suspiro profundo, Leo recostou-se na cadeia de metal frio, seu olhar fixo no chão enquanto o tênue eco de fogos de artifício e fanfarras do palco da arena se infiltrava pelas paredes de concreto.

Ele não conseguiu impedir a ansiedade que crescia em seu peito.

O título de Dragão Sombrio não era um peso que ele havia pedido, nem algo que soubesse como carregar.

Não era só a pressão de entrar em cena caso Veyr falhasse… era tudo que vinha junto com isso.

A vigilância, os sussurros, os jogos políticos que já começavam a se desenrolar ao seu redor. Ele sentia a tempestade se formando antes mesmo de tocar o solo.

‘Que tipo de relação devo ter agora com o Conselho dos Anciãos?’ pensou, nogando os olhos.

Teoricamente, nenhum deles tinha poder sobre ele. Seu treinamento ainda seria supervisionado por Charles, e Soron não tinha dado autoridade alguma aos Anciãos para ditar seu caminho.

Mas isso não significava que eles ficariam à distância.

Eles ainda estariam presentes. Ainda envolvidos. Ainda designados para educá-lo e moldá-lo ao lado de Veyr, e Leo não duvidava que suas maledicências pessoais influenciariam essas lições.

E por que não?

Ao abandonar o título de Dragão na frente de todo o Culto, ele não só desrespeitou o Primeiro e o Décimo Segundo Anciões, como também cuspiu na fé de todos que depositaram suas esperanças nele.

Qualquer apoio que tinha no Conselho tinha desaparecido agora. O acampamento do Primeiro Ancião, furioso pela sua recusa. O Décimo Segundo, certamente humilhado pelo confronto público.

E do lado de Veyr?

Ele também não tinha lugar ali. Como não eram seus aliados antes de hoje, nem iriam ser após.

*Suspiro*

Leo suspirou novamente, colocando a mão no rosto enquanto a realidade sefirmava como cinza.

Ele tinha queimado as pontes, cortando o apoio daqueles que uma vez o apoiaram, e alienando a facção que se opunha a ele.

Agora, estava no centro de tudo. Sozinho.

Nem amigo, nem inimigo. Nem o novo Dragão, nem um civil comum.

Somente um substituto.

Preso a um papel que ninguém invejaria, e que poucos perdoariam.

—--------------

(Enquanto isso, no centro da Arena)

Apesar de estar ensanguentado e machucado, Aegon foi rapidamente envolvido em túnicas cerimoniais brancas e colocado em posição ereta diante do público, enquanto sua cerimônia de coroação oficial começava.

Um antigo chapéu esculpido em osso de dragão foi trazido por um dos sacerdotes cerimoniais do Culto, brilhando sob as luzes douradas, sua superfície de marfim lisa e circular, com doze pequenas fendas ao longo da faixa para segurar as penas sagradas que simbolizavam o vínculo do Dragão com o Conselho dos Anciãos.

O público permaneceu em silêncio respeitoso, assistindo a cada momento com a respiração contida enquanto o Primeiro Ancião avançava de sua cabine, segurando uma longa pena tingida de branco intenso, com traços de prata fraca, levantando-a diante da multidão e proferindo uma breve oração, antes de delicadamente encaixá-la na coroa e recuar para sua posição.

Logo após, o segundo ancião se aproximou, movendo-se com graça lenta, carregando uma pena de azul profundo, cor reservada para sabedoria e autoridade moderada, inserindo-a ao lado da primeira e fazendo um pequeno gesto de aprovação para Aegon, enquanto a multidão permanecia imóvel, absorvida na solenidade do momento.

Um a um, os doze anciãos foram apresentando suas oferendas, penas tingidas de vermelho, verde, dourado, cinza e outras cores sagradas, cada uma representando uma virtude fundamental que o Dragão deveria preservar, como determinação, dever, sacrifício, força, humildade e previsão. Com cada pena acrescentada, a coroa não se tornava mais pesada, mas sim mais significativa, enquanto Aegon ficava imóvel como uma pedra, com os olhos fixos à frente, seu sangue ainda seco na face.

Quando o último ancião, Lorde Décimo Segundo, colocou a última pena no compartimento central, a arena pareceu segurar a respiração, enquanto a coroa de marfim brilhava suavemente sob a luz, as penas vibrando com um vento invisível, como se despertadas pelo momento.

Aegon abaixou lentamente a cabeça, então, enquanto o sacerdote se aproximava e colocava gently a coroa em sua cabeça, ajustando-a com cuidado, antes de recuar com uma reverência respeitosa.

E, por fim, a voz de Dana ecoou por toda a arena, alta e clara, cortando o silêncio como trovão em um vale.

"Pela vontade do Conselho dos Anciãos e sob o olhar divino do Grande Deus Soron… O Culto da Ascensão declara Aegon Veyr como o Dragão desta geração. Que suas asas nunca vacilem. Que seu fogo nunca se apague… e que ele traga glória ao Culto, assim como todos os que o antecederam."

Só então, a multidão explodiu em aplausos ensurdecedores, comemorações ecoando de cada canto da Arena Lewis Hamilton, pétalas caindo das arquibancadas superiores e as luzes da arena brilhando mais intensamente do que nunca.

Aegon permaneceu ali, com a coroa reluzente, os punhos cerrados e o rosto estampando uma expressão de emoções que se recusava a revelar, enquanto a câmera da imprensa clicava, criando a foto do mais novo criminoso mais procurado do universo.

—-------- xxxxxx —------------

Fim do Volume 4.

—-------- xxxxxx —------------

Comentários