Assassino Atemporal

Capítulo 458

Assassino Atemporal

(Base Militar Juxta, Planeta Juxta, ponto de vista de Charles)

Charles observava Leo, quase vitorioso, de pé sobre seu oponente indefeso, com um sorriso quase contido, incapaz de segurar a expressão de satisfação que se espalhava pelo seu rosto.

"Você realmente conseguiu… fez uma estreia extraordinária no meio da luta… Que doido! Hahaha," ele riu baixinho consigo mesmo, enquanto o refeitório ao seu redor explodia em uma celebração coletiva.

"Caramba! Ele vai ganhar!"

“Não sei como o comandante treinou ele para derrotar um guerreiro Transcendente sendo ainda um Mestre, mas de algum jeito conseguiu!”

"Então ele vai realmente virar o próximo Dragão? Vamos ver o treinamento do Dragão bem aqui na nossa base militar? Difícil acreditar nisso, né?"

Os soldados vibraram de entusiasmo, esquecendo sua suposta neutralidade diante do orgulho e da excitação, torcendo silenciosamente pelo candidato que fora pessoalmente treinado pelo comandante deles.

"Mas por que ele não acaba logo? O que está demorando?"

"Pois é… O Aegon Veyr já disse que não vai se render, então ele deveria acabar agora…"

Os murmúrios se transformaram em perguntas, vozes carregadas de impaciência crescente enquanto Leo permanecia imóvel.

Apesar de meio minuto ter passado, ele ainda não se mexia, continuava olhando para o céu, depois para Soron, depois para Veyr, aos seus pés — sua expressão indecifrável, postura tensa de reflexão, como se lutasse contra uma decisão mais pesada que qualquer lâmina.

"O que está acontecendo, comandante? Por que ele não termina a luta? Não acaba a partida quando um lutador aponta sua arma para um oponente incapacitado?" perguntou um dos soldados, voltado para Charles.

Ao que Charles respondeu com uma risada forte e calorosa.

"Hahaha!"

"Bem, filho, eu não conheço o garoto o suficiente para dizer exatamente o que está passando na cabeça dele," disse Charles, o humor se suavizando numa expressão mais pensativa enquanto se inclinava para frente, "mas tenho uma ideia geral…"

O ambiente ficou silencioso. Todos os olhares se voltaram da tela para o Monarch.

"O garoto está se perguntando agora se realmente quer ser o Dragão. Se ele é digno de carregar esse título… ou se Aegon Veyr talvez seja mais adequado para isso…"

Sua voz era tranquila, mas cada palavra caiu como um tambor lento e pesado.

"Ser o Dragão não é só ser o melhor lutador lá fora. O Dragão é a esperança do nosso povo. E isso é um peso que nem todo mundo consegue aguentar…"

Uma quietude tomou conta do refeitório enquanto as implicações começavam a se estabelecer.

Pela primeira vez, os soldados perceberam que a recompensa de vencer esse combate era muito mais do que glória ou equipamento: era o direito, e a responsabilidade, de carregar o título de Dragão.

"Imagine ter todos os seus movimentos transmitidos para as massas todos os dias. Imagine estar de mau humor e falar grosso com um civil."

Se você ou eu fazemos isso, ninguém liga. Mas se o Dragão fizer… quem receber a sua punição pode desabar completamente. Talvez até tirar a própria vida. Talvez ser rejeitado pela sociedade para sempre."

Ele fez uma pausa, deixando que o peso daquela verdade se instalasse.

"O Dragão precisa viver sua vida como um Santo. Não só em público, mas também atrás de portas fechadas, com holofotes sempre nele. E isso não é tão fácil quanto parece…"

Ele olhou para a multidão de soldados de olhos arregalados.

"Ter o sangue do Assassino Atemporal não significa nada nesse papel. Esse sangue não transforma um homem em Santo. Não apaga seus pecados nem purifica sua alma. Os Dragões ainda são humanos. Têm emoções, dúvidas, arrependimentos. Mas são tratados como deuses, considerados infalíveis."

Ele cruzou os braços, assentindo lentamente.

"Então, naturalmente, como qualquer bom Dragão faria… O garoto está se perguntando se está pronto para enfrentar esse desafio. Ou se, lá no fundo, acha que é incapaz de suportá-lo."

Uma longa pausa seguiu suas palavras, enquanto o peso do que Leo enfrentava penetrava na alma de cada homem na sala.

Não era uma decisão pequena.

Nem quando o título tinha o poder de transformar o Culto… e a responsabilidade de sustentá-lo sem se romper.

Nem quando, no fundo da alma, você duvidava se era a pessoa certa para o serviço.

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(De volta à Arena Lewis Hamilton)

Já se passava um minuto desde que Leo pediu a Veyr para se render, e nesse tempo, ele não se mexeu um só pouco.

"Por que você ainda está aí? Ainda está pensando se me mata ou se me poupa? Deixe que eu facilite sua decisão… É melhor me matar, primo, porque você sabe que eu vou atrás de revanche de qualquer jeito, e na próxima, não vou mostrar a mesma misericórdia," Veyr rosnou, a voz rouca, mas firme, mesmo enquanto seu corpo se recusava a obedecer, seus membros tremendo de esforço e sem força alguma.

Porém, Leo permaneceu em silêncio.

Ele ficou quieto, olhando para o céu, com o peito subindo e descendo lentamente, respirando com dificuldade.

*Murmúrios*

*Confusão*

A plateia se mexeu de impaciência, ficando inquieta a cada segundo que passava. Quanto mais Leo ficava parado, mais os civis se mexiam na cadeira, incapazes de conter o desejo de ver o próximo Dragão ser coroado.

Mas, apesar da pressão crescente de milhares de espectadores, Leo não se apressou. Ficou imóvel, seu tempo para decidir, para fazer uma escolha com a qual pudesse conviver.

"Você pode acabar com a luta apontando sua arma para o pescoço do Veyr. Não precisa matar se for isso que te impede," sugeriu Max, aproximando-se um pouco, tentando induzir Leo à resolução.

Leo virou-se para ele, sorriu com calma e clareza, e então balançou a cabeça suavemente.

"Ref… Acho que já tomei minha decisão," disse baixinho, com o olhar que antes havia de dúvida desaparecendo, substituído pelo brilho afiado e firme que o caracterizava.

*Pum*

*Pum*

O som ecoou alto na arena caótica enquanto Leo soltava as duas adagas, que caíram ao chão com estrondo, farfalhando sob seus pés.

Então, com ambos os braços erguidos em direção ao céu, falou.

"Eu me rendo."

Sua voz soou firme e resoluta.

E por um instante, toda a arena parou, presa na incredulidade absoluta do que testemunhavam.

Milhares de vozes silenciaram, olhos arregalados, bocas abertas — incapazes de processar o que tinha acabado de acontecer.

Um Mestre havia acabado de derrotar um Transcendente, conquistando uma vitória quase impossível, estando à porta de se tornar Dragão… e então, optou por se afastar.

Não por medo.

Não por dúvida.

Mas por decisão.

Por clareza.

Pela rebeldia contra um destino que ele se recusava a aceitar como destino.

Enquanto sua decisão deixou todos boquiabertos.

"Desculpe, acho que não entendi direito… O que você disse?" perguntou Max, enquanto ele e Veyr olhavam para Leo com os olhos arregalados de surpresa.

E mais uma vez, Leo soltou um longo suspiro, desta vez fazendo contato visual com Soron, e disse…

"Eu me rendo, Aegon Veyr é o vencedor desta luta."

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