Assassino Atemporal

Capítulo 457

Assassino Atemporal

Veyr nunca tinha se sentido tão desamparado na vida quanto neste momento, ao ficar de frente com Leo.

Quase cada centímetro de seu corpo doía intensamente, cada movimento agravava a dor, especialmente os movimentos bruscos de esquiva ou de contra-atacar, que causavam pontadas agudas pelos membros.

'Não consigo mover meu braço esquerdo de jeito nenhum. Tudo desde o ombro até o final está completamente dormente,' ele percebeu, range os dentes enquanto tentava mais uma vez levantar o braço.

Mas, com o ombro, bíceps e tríceps severamente lesionados, o braço pendia inutilmente ao lado do corpo.

O único movimento que lograva fazer com ele era envolver à volta do abdômen, segurando firmemente para evitar que mais sangue vazasse.

'Estou quase perdendo essa luta. Estou sangrando demais, e se eu não finalizar isso nos próximos dois minutos, vou começar a perder a visão por causa da perda de sangue,' calculou Veyr, de forma precisa e fria, mesmo com o corpo tremendo.

Apesar da dor, apesar das probabilidades, ele não perdeu o controle nem sua vontade de lutar.

"Você tem umas jogadas sério, prima... Acho que você não é só uma covarde, afinal," murmurou Veyr com um sorriso nervoso, apontando sua espada para Leo, as pernas trêmulas mas o espírito inabalável.

"Você também não é tão ruim, primo... mas, infelizmente pra você, só pode existir um vencedor hoje, e esse sou eu," disse Leo, com a voz calma, mas firme, cada palavra carregada de determinação, enquanto avançava mais uma vez.

*Passo arrastado*

Veyr ajustou a postura, levantando a espada o melhor que pôde com somente o braço direito, o esquerdo ainda firmemente apertado contra o abdômen rasgado, enquanto Leo não lhe dava tempo para se preparar.

*CONFRONTO CLANG*

Um movimento preciso do pulso fez a guarda de Veyr abrir, e com o estômago aberto, ele não conseguiu reposicionar-se o suficiente para evitar completamente o próximo golpe.

*Corte rápido*

Uma fúria de corte transversal no antebraço direito seguiu, que, embora não fosse profundo o bastante para cortar completamente o braço, foi suficiente para romper nervos.

"Ai–"

Veyr grunhiu e cambaleou enquanto a espada escorregava ligeiramente em sua empunhadura.

Leo avançou novamente, desferindo um golpe diagonal que forçou Veyr a levantar a espada para defender-se, mas, com o antebraço direito agora doendo demais, ele não conseguiu resistir à força de Leo.

*Estalo*

A colisão enviou ondas de choque pelo braço direito de Veyr, fazendo a lâmina escorregar de sua mão e cair no chão da arena, deixando-o completamente desarmado e sem meios de se defender.

*Vento cortante*

Leo não parou.

Mesmo com Veyr completamente indefeso, ele avançou e cortou limpo atrás dos joelhos dele, derrubando-o com força.

*Toucou*

Veyr desabou, as pernas cedendo sob ele enquanto caía de cabeça no chão, num rego de sangue, com os braços tremendo e o corpo tremendo de cansaço e derrota, enquanto Leo permanecia de pé sobre ele, com uma expressão complexa no rosto.

"Você desiste?" perguntou Leo, com uma voz calma e firme, optando por não apontar a adaga na garganta do primo, o que encerraria imediatamente a luta pelas regras legais.

Ao invés disso, fez a pergunta abertamente, oferecendo a Veyr uma escolha num momento em que não sobravam muitas opções.

*Espumar os lábios*

Veyr cuspiu um bocado grosso de saliva ensanguentada no chão, encarando-o com olhos vermelhos e flamejantes de desafio.

"Vai se foder, primo," murmurou, expondo os dentes enegrecidos num sorriso amargo, um leve balançar da cabeça indicando sua recusa.

"Fui criado como órfão na rua," sussurrou, com a voz áspera e rouca. "E no dia em que conseguia sair dali, jurei uma coisa comigo mesmo: aconteça o que acontecer, nunca vou me decepcionar. Nunca. Então, mesmo que eu morra aqui mesmo, não vou ceder."

Ele inspirou fundo, com o corpo toda encolhido pela dor no movimento.

"Então vai lá. Mata se quiser, primo. Mas prefiro morrer de pé do que viver me entregando."

Leo não respondeu.

Ele simplesmente ficou ali, observando.

A mão dele pairava a poucos centímetros da adaga na cintura. Um movimento, uma leve batida na garganta de Veyr, e a luta acabaria.

Nos Regras do Circuito Universal, um gesto dessas — limpo e decisivo — contaria como incapacidade completa e garantiria a vitória, enquanto a poucos metros, Max, o árbitro, permanecia em silêncio, com os olhos fixos nele, esperando o golpe final.

Mas Leo não se moveu.

Ele hesitou.

Pois, lá no fundo do peito, algo o puxava.

Depois de tudo o que conseguiu na luta, ele se via diante da grande questão MP de um milhão: *

'Ele realmente queria ser Dragão?'

Sua visão se desviou, não para Max, nem para Veyr, mas para a borda do campo de batalha. Para aquele homem que permaneceu em silêncio absoluto durante toda a luta.

Soron.

O velho deus observava de sua cadeira, com os dedos entrelaçados sob o queixo, assistindo a cena com uma expressão que não era nem de julgamento nem de aprovação, apenas com uma leve diversão.

Seus olhos encontraram os de Leo, calmos e penetrantes, como se ele também estivesse esperando para ver qual seria a escolha do garoto.

"Por que você veio assistir a essa luta?" perguntou Leo, com uma voz baixa, nem forte demais para o público, nem sussurrada, enquanto olhava para o alto, procurando nos céus uma resposta para o conflito que agora fermentava em seu coração.

Pois, embora odiasse a ideia de se tornar o messias sagrado desse culto—a um título que o prenderia à vontade do Conselho dos Anciãos como uma marionete—não podia negar o que havia visto nos olhos do povo.

Ele não podia ignorar a fé que os comuns do Culto depositavam no Dragão.

Era, à sua própria maneira distorcida, a coisa mais próxima de divindade sem realmente se tornar divino.

E, goste ou não, a forma como aquelas pessoas olhavam para o Dragão era a mesma de como olhavam para Soron. Com reverência. Com devoção. Com uma fé absoluta.

E agora, estavam prontos para olhar para ele da mesma forma.

Ele podia se tornar um Deus mesmo sendo mortal.

Tudo o que precisava fazer era apontar sua arma e escolher…

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