
Capítulo 456
Assassino Atemporal
(Arena Lewis Hamilton, Caixa de Comentários)
"Ah, meu Deus! Senhoras e senhores, Leo Skyshard subiu de nível de repente! Ele está desferindo golpe após golpe em Veyr, e o guerreiro transcendente não tem resposta!" exclamou Dana, com a voz tremendo de incredulidade enquanto apertava seu próprio headset, chocado.
"Você está completamente certo, Dana. Há apenas dois minutos, Veyr tinha a vantagem, mas algo parece ter mudado. Leo está lendo ele como um livro aberto," acrescentou Joe, balançando a cabeça em admiração. "Não é só velocidade ou força. É brutalidade calculada."
"Mas o que está acontecendo? Como houve uma mudança tão radical no ritmo da luta? Em todos os anos que tenho de comentário, nunca vi nada assim e não consigo entender o que está acontecendo.?
Você tem alguma ideia, Joe?" perguntou Dana, enquanto Joe apenas encolhia os ombros em resposta.
"Estou tão perdido quanto você, Dana. Mas qualquer que seja o que Leo Skyshard desbloqueou… ele ficou mais forte que um guerreiro de nível Transcendente, e ainda assim, continua sendo um Grande Mestre."
"Nem preciso explicar o quão monumental pode ser uma descoberta dessas..." disse Joe, sem perceber que, neste exato momento, ele acabou de proferir uma das frases mais icônicas da história do combate.
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(Enquanto isso no Campo de Batalha)
*CLANG*
*ESFAQUEAMENTO*
*PASSO*
*CORTADA*
Leo se movia com um ritmo inquietante, entrelaçando-se entre as defesas lentas de Veyr com olhos que enxergavam mais do que simples movimento.
Após cada poucos impactos, um novo ponto vermelho brilhante aparecia no corpo de Veyr, e toda vez que isso acontecia, Leo atacava imediatamente.
*ESFAQUEAMENTO*
Assim como a linha vermelha mostrava, Leo seguia exatamente o caminho que ela delineava, torcendo a cintura, rolando o pulso, dobrando o cotovelo de uma forma que parecia relaxada demais para a luta—mas no instante em que Veyr tentava bloquear a parte errada do corpo, Leo se endireitava rapidamente e atacava a área exposta.
*CORTADA*
Um corte brutal no tríceps de Veyr fazia bastante sangue jorrar.
*ARRANHÃO*
Outro golpe nas costelas fazia Veyr arfando por ar.
*ESTOCADA*
Um terceiro ataque, agora na clavícula. Uma estocada perfeita, que fez o guerreiro transcendente recuar, com seu braço esquerdo ficando momentaneamente sem força.
*CLANG*
Veyr tentou resistir, defendendo-se desesperadamente, desviando um golpe na garganta, esquivando de uma adaga direcionada à sua coxa e até conseguindo dar um golpe de raspão com o reverso da arma, forçando Leo a recuar meio passo.
Mas não foi suficiente.
Os olhos de Leo permaneceram atentos.
Focados não na lâmina ou nos movimentos de Veyr, mas no vermelho.
A guia carmesim que dançava entre eles como um roteiro vivo da luta.
*CORTADA*
*ESFAQUEAMENTO*
*JAB*
Cada golpe que atingia criava mais pontos vermelhos.
Quanto mais Veyr sofria, mais seu corpo começava a traí-lo.
E quanto mais sua defesa vacilava, mais claro se tornava o próximo alvo.
Logo, Leo viu outro ponto vermelho.
Desta vez, na parte inferior do abdômen. Perto do umbigo.
Um ponto fraco. Um lugar que Veyr não tinha mais força suficiente para proteger adequadamente.
Leo avançou, fingindo um golpe alto para forçar o braço a subir—
E então veio o golpe verdadeiro.
*SWOOSH*
*CORTADA*
Uma devastadora golpe horizontal rasgou limpo pelo ventre de Veyr, sua armadura sem resistência alguma enquanto a lâmina atravessava o tecido mole por baixo.
"AAAFF—!" Veyr ofegou, cambaleando para trás, um caos de sangue encharcando sua região média enquanto capturava seu estômago com ambos os braços, com a respiração curta e irregular.
"Meu Deus… Leo acabou de abrir ele!" gritou Dana. "É isso! É um golpe limpo na essência! Veyr está completamente vulnerável!"
"Ele não está só machucando, Dana… está o humilhando psicologicamente," disse Joe, em tom calmo, surpreso com uma pausa rara. "Veyr está encrencado agora… se ele se mover de forma brusca, suas entrañas podem escapar, isso é um ponto de virada enorme nesta luta."
*Gasp*
*Choque*
*Aplausos isolados*
A multidão ficou silenciada por um instante. E então—
Uma onda de barulho ensurdecedor explodiu pelo estádio. Aplausos. Suspiros. Gritos. Até gritos de incredulidade.
"ELE PEGOU!"
"É isso! É um corte fatal!"
"De jeito nenhum! Veyr pode estar mesmo perdendo essa luta."
Alguns espectadores comentaram, ansiosos, enquanto observavam tudo com apreensão.
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(Enquanto isso, nas arquibancadas VIP)
O Quarto Elder apertou tanto as maçanetas de sua cadeira que as veias de seus antebraços ficaram à mostra sob as túnicas.
Seus olhos estavam arregalados, sua mandíbula ligeiramente pendurada, enquanto fixava a figura ensanguentada de Veyr, cambaleando pelo campo de batalha, mal podendo ficar de pé, segurando o estômago como alguém tentando se manter inteiro só com força de vontade.
"Não… não, não, não… não era assim que tinha que ser," murmurou, com voz baixa demais para ser ouvida pela multidão, mas alta o suficiente para que o pavor ecoasse dentro de sua cabeça.
Ele se mexeu na cadeira, as pernas tremendo, os olhos vasculhando a plateia como se procurasse alguém, qualquer um, que pudesse confirmar que aquilo era só um pesadelo e não a implosão lenta da sua carreira política toda.
'Como ele está perdendo?! Veyr é um Transcendente. Era para esmagar Skyshard em menos de cinco movimentos!'
Seu coração pulsava forte, não pelo fato de Veyr provavelmente não se tornar Dragão, mas por autosobrevivência.
Toda a base de sua relevância política dependia do resultado desta luta.
E se Veyr perdesse, ele estaria acabado.
'Será que essa luta foi manipulada? Alguém interferiu? Leo Skyshard estava escondendo esse nível de poder o tempo todo? Não… isso não faz sentido. Isso é impossível…'
Seus olhos fugiram até a extremidade do campo, onde Soron estava sentado.
O grande deus observava a cena com uma expressão calma, enquanto as mãos do Quarto Elder tremiam de ansiedade.
Ele teve um pensamento passageiro, um sussurro desesperado na parte de trás de sua mente em pânico—
'Pare a luta. Interfira. Chame falta. Desqualifique o garoto. Faça algo. Qualquer coisa.'
Mas no momento em que seus olhos se fixaram de novo em Soron… esse pensamento morreu silenciosamente.
Ele recostou-se na cadeira, a ilusão de controle arrancada dele como uma cortina arrancada por uma tempestade.
Não haveria interferência.
Nem enquanto Soron estivesse lá.
Salvo se quisesse morrer antes mesmo de tocar o chão.
E assim, tudo que pôde fazer, como toda a plateia, foi assistir ao inevitável se desenrolar, com mãos trêmulas, garganta seca, enquanto o garoto que ele subestimara meticulosamente desmontava seu campeão.