
Capítulo 455
Assassino Atemporal
Veyr parecia completamente surpreso com a súbita impetuosidade de Leo, incapaz de compreender o que tinha acabado de mudar.
Leo não tinha se movido mais rápido do que antes, nem ativado nenhuma habilidade óbvia. Ainda assim, algo nele— o brilho nos olhos, a postura equilibrada, a mudança sutil na aura— tinha se transformado fundamentalmente.
*Gotejo*
*Gotejo*
Sangue escorria pelo ombro de Veyr, correndo pelo braço e escorrendo pelos dedos, enquanto ele observava Leo com cautela renovada.
O adversário permanecia machucado e ensanguentado, com sangue escapando das feridas que cobriam seu corpo. Mas o olhar nos olhos dele não havia enfraquecido nem um pouco.
A mesma expressão perigosa do começo da luta ainda se contorcia nos lábios dele, como se a dor só tivesse afiado sua vantagem.
*Estalo*
*Evasão*
* Corte*
Mais uma vez, Veyr avançou, tentando um golpe horizontal limpo no lado de Leo. Mas Leo bloqueou facilmente com sua adaga esquerda, seu movimento fluido e oportuno.
O golpe subsequente nas joelhos foi evitado com um salto levinho, enquanto Leo torcia no ar e rasgava uma linha limpa no bíceps de Veyr, causando outra fonte de sangue a jorrar.
"Ah—"
Veyr recuou atordoado, completamente estupefato, seu corpo ardendo com dor nova, enquanto a confusão de como Leo havia ficado de repente mais rápido o incomodava bastante.
Nada na força física de Leo tinha mudado. Ele continuava mais lento. Ainda faltava a explosão de força que antes tinha.
Mas, de alguma forma, ele sempre chegava no lugar certo na hora exata, como se cada um dos ataques de Veyr tivesse sido antecipado por ele com antecedência.
Veyr não conseguia explicar. Não conseguia entender.
Porque ele não estava vendo o que Leo via.
—--------
(Ponto de vista de Leo)
O mundo ao seu redor permanecia escuro, não em cor, mas na presença.
A multidão, a arena, o barulho— nada mais existia.
Somente duas coisas se moviam.
Seu oponente e o fio vermelho.
O fio curveava mais uma vez, sangrando na ponta da lâmina de Veyr, formando um laço alto antes de se encaminhar em direção à coxa ferida do adversário, num arco descendente em forma de crescente.
'Eu vejo… lá está novamente.'
Leo colocou o calcanhar no chão, ajustou sua postura e empurrou sua adaga para interceptar o arco do oponente no momento perfeito.
*Estalo*
As lâminas encontraram-se exatamente onde deveriam, e os olhos de Veyr se arregalaram mais uma vez.
Leo não vacilou. Avançou para o lado direito aberto de Veyr, arrastando sua outra adaga ao longo das costelas em um corte fechado e em arco—não apressado, não frenético… apenas inevitável.
*Corte*
Ele via tudo antes que acontecesse. O fio vermelho dançava diante dos seus olhos como uma profecia pintada, e tudo que precisava fazer era seguir sua orientação.
'Cada ataque… cada golpe… cada mudança de peso. Está tudo aqui. Escrito em vermelho. Enquanto eu conseguir ver, posso responder,' pensou Leo, enquanto o sorriso leve nos lábios se alargava um pouco mais.
Em contraste, Veyr recuou tropeçando, os olhos queimando de descrença, como se tivesse acabado de ver um fantasma desviar de um raio.
'Não, preciso descobrir o que Skyshard está aprontando antes de continuar meu ataque. Os últimos contra-ataques dele não foram normais…' pensou Veyr, segurando o lado ensanguentado enquanto dava um passo atrás, com o olhar sério e cauteloso.
Pelo contrário, pela primeira vez na luta, Veyr optou por não atacar.
E com essa única decisão, o ritmo de Leo vacilou.
O fio vermelho desapareceu.
Não havia arco guiando-o.
Ele não via novas brechas a explorar.
Nenhuma orientação divina ajudando.
Os olhos de Leo se aguçarom enquanto avançava com cautela, as lâminas levantadas com intenção de matar, mas a clareza que o tinha levado até ali havia se dissipado completamente.
'Onde está? Por que não consigo enxergá-lo…?'
Ele circulou, tentando provocar um ataque de Veyr, mas a postura do homem permaneceu firme. Cotovelos dobrados, pés firmes no chão, cada ponto vital protegido com precisão de manual. Ele não tinha intenção de atacar primeiro.
Finalmente, foi Leo quem teve que se mover.
Avançou com uma finta baixa, seguida de um golpe real na direção das costelas.
*Estalo*
Bloqueado.
Veyr desviou o ataque com facilidade, como se estivesse espanando uma mosca.
Leo tentou novamente, girando a pulso no momento do golpe para alterar o ângulo.
*Estalo*
Mais uma vez bloqueado, apesar de sua nova tentativa de ataque, o resultado permaneceu o mesmo.
Sem o fio guiando-o, Leo não tinha velocidade bruta nem força suficiente para criar uma brecha do nada.
'Então é isso… só vejo os fios e tenho vantagem quando ele tenta me matar. Não quando eu tento matar ele,' percebeu Leo, ao notar que, assim que Veyr parou de atuar como predador, sua vantagem desapareceu.
Agora ele estava num limbo— um estranho estado de equilíbrio entre instinto e lógica, mas sem nenhum fio que pudesse virar a balança.
Mas então… algo mudou.
Ele viu.
Um pontinho vermelho sutil.
Uma leve mancha brilhante logo acima do quadril esquerdo de Veyr.
Seus olhos se arregalaram ao perceber mais algumas.
Shoulder direito. Joelho interno. lateral do pescoço.
Era tudo pontos isolados— pequenas manchas vermelhas pulsantes que brilhavam de forma tênue, com uma promessa não dita.
'O que… são essas marcas?’
Ele não hesitou.
Leo virou bruscamente e mirou direto na mancha vermelha brilhante do quadril. E no momento em que sua adaga alinhou-se com o ponto de brilho, algo clicou no lugar.
Um fio vermelho ganhou vida— não vindo da arma de Veyr, mas de sua própria lâmina.
Ele curvou-se como uma fita do destino, estendendo-se até aquele ponto fraco, seu arco revelando não só o destino, mas o ângulo perfeito para atravessar limpo.
*Corte*
A adaga rasgou tecido e carne, causando um grunhido de dor enquanto Veyr cambaleava novamente.
O ponto vermelho desapareceu assim que o impacto ocorreu.
Mas outros dois acenderam instantaneamente.
Um no colo.
Outro atrás do joelho.
'Essas são as frestas… as brechas na defesa dele. Com o entendimento desbloqueado, não vejo só como sobreviver… mas também como matar.'
Veyr recuou, ajustando a postura, tentando desesperadamente reforçar sua defesa restante.
Mas já era tarde.
A maré mudou novamente.
E desta vez, foi Leo quem começou a fazer as perguntas difíceis.