Assassino Atemporal

Capítulo 459

Assassino Atemporal

(Arena Lewis Hamilton, ponto de vista de Leo)

Leo continuou encarando os olhos de Soron após tomar sua decisão, enquanto o Grande Deus devolvia o olhar com uma expressão calma e inexpressiva.

Leo tinha considerado inúmeros fatores antes de fazer essa escolha, mas, no final, ele desistiu de se tornar o Dragão não por causa das complicações políticas ou das lutas pelo poder que o papel acarretava, mas porque, lá no fundo, simplesmente não se sentia à vontade ao assumir aquilo.

Por natureza, ele era um homem movido pela liberdade, alguém que agia em seus próprios termos, seguia seus caprichos e respondia somente a si mesmo. A ideia de viver uma vida dedicada a servir aos outros parecia estranha para quem ele era.

Ele reconhecia que era demasiado egoísta para se importar profundamente com alguém fora de sua família, e, no seu coração, acreditava sinceramente que os civis do Culto mereciam algo melhor.

Por toda sua fé, sua reverência e sua devoção inabalável, eles mereciam um Dragão que pudesse amá-los com a mesma intensidade. Alguém que carregasse suas esperanças e seus fardos como se fossem seus.

E Leo simplesmente não via esse homem no reflexo.

Então, no final, porque sentia uma dor genuína no peito ao pensar em aceitar um manto que sabia que não poderia honrar com sinceridade, tomou a única decisão que lhe pareceu correta.

Ele deixou isso ir.

"Bem, Joe, meus ouvidos tão tortos ou o Leo Skyshard realmente disse que se rende?" perguntou Dana, com a voz carregada de confusão genuína, enquanto se voltava para seu companheiro de comentários, questionando se estava sonhando.

"Não, seus ouvidos não estão enganados, Dana. Leo realmente disse que se rende… mas por quê? Por que ele faria isso, quando está a um passo de se tornar o Dragão?" respondeu Joe, igualmente perplexo, enquanto ambos lutavam para entender o que estava acontecendo.

*Sussurros*

*Caos*

Os murmúrios na arena começaram suaves, confusos, passando de um espectador atônito para outro, mas logo se transformaram em um tumulto completo quando a multidão explodiu, incapaz de entender a decisão de Leo.

"Vencedor por submissão — Aegon Veyr."

Finalmente, o árbitro declarou, levantando a mão de Veyr em sinal de vitória, ajudando-o a se levantar, embora o jovem guerreiro ainda parecesse demasiado surpreso para comemorar.

Enquanto isso, Leo virou-se e começou a caminhar de volta para a sala de preparação.

"ESPERE!"

Veyr gritou, com a voz trêmula ao notar Leo se afastando.

"Por quê?" Veyr perguntou, com tom agudo e sentido. "Por que você jogou tudo fora? Você quase me derrotou… então por que desistir? O que é isso... uma espécie de pena?"

"Não é nada pessoal, primo, juro," disse Leo, com expressão tranquila ao encolher os ombros com naturalidade.

"Apenas acho que não sou a pessoa certa para ser o próximo Dragão.

Você, por outro lado, parece alguém que realmente encaixa nesse papel.

Você foi criado dentro do Culto, moldado por suas tradições, e viveu as dificuldades e lutas que definem seu povo.

Você também é incrivelmente talentoso, tendo conquistado o Nível Transcendente aos vinte e três anos.

E tem ainda o fato de que você me pressionou mais nesta luta hoje do que quase qualquer outro que já enfrentei.

Então, sim… ao comparar nós dois, meu egoísmo contra alguém como você, não foi difícil de decidir.

Meu coração me disse que deveria ser você."

A voz de Leo permaneceu firme e sincera, e ao ouvir suas palavras, a fúria no rosto de Veyr suavizou-se lentamente, dando lugar à incredulidade e ao silêncio.

"Huh?" foi tudo que Veyr conseguiu dizer, quase um sussurro, pois mais uma vez se viu nervoso demais para falar.

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"Ha… Hahahaha!"

O Quarto Eremita explodiu de risadas, batendo as mãos e enxugando o suor da testa em puro descrença, enquanto a sensação de alívio tomava conta de todo seu corpo.

Poucos momentos antes de Leo fazer sua escolha, ele sentira como se estivesse prestes a perder a consciência e desmaiar.

Seu campeão estava à beira de perder a luta e ele já via as consequências dessa derrota se desenrolando para si próprio.

Sua carreira política, construída com tanto esforço ao longo de uma vida, estava prestes a acabar assim que Veyr perdesse.

Porém, então, do nada, como se o céu tivesse decidido fazer uma piada cruel com o universo, Leo se rendeu.

O Quarto Eremita não conseguiu entender por que Leo fez isso. Ele simplesmente não se importava o suficiente para perguntar.

O que importava para ele era que sua carreira, seu status, seu poder, seu orgulho, tinham milagrosamente sido salvos.

Qualquer raciocínio moral ou crise existencial que Leo estivesse vivendo não significava nada para ele. A única coisa que importava era que o nome certo tinha vencido a luta.

Mas antes que pudesse se entregar mais à loucura de sua sorte inesperada—

"REVOLTANTE!"

A voz aguda de um furioso irrompendo rasgou o ar, fazendo cabeças se virarem na arena, enquanto o Primeiro Eremita apontava um dedo direto para Leo.

Ele estava sentado a poucos camarotes de distância, rosto vermelho, veias à mostra, dedo apontado, parecendo prestes a explodir.

"Não cabe a você decidir se é digno ou não! Essa é da alçada do Conselho, não sua!" gritou, cerrando o dedo em um punho e batendo na grade à sua frente, deformando-a completamente.

Claramente, a escolha de Leo tocara uma ferida profunda.

Mas, antes que o Primeiro Eremita pudesse furtherar, antes que sua indignação virasse uma riada de palavras….

Soron se moveu.

Ele não se levantou.

Ele não falou.

Simplesmente levantou o dedo mínimo do apoio de braço de seu trono improvisado de pedra.

E, naquele instante, uma pressão invisível tomou conta de toda a arena.

A atmosfera desabou em um silêncio opressivo, espesso e sufocante, como se o próprio ar estivesse preso em correntes.

Cada respiração ficou presa. Cada sussurro morreu. Cada movimento parou.

O peso divino da presença de Soron desceu sem aviso, silenciando milhares, congelando até mesmo os Eremitas onde estavam sentados.

Todos os olhares se voltaram para aquele ser que não precisava falar para comandar obediência.

Soron olhou à frente, olhos calmos, seu dedo pequeno ainda erguido.

E, sem uma única palavra, transformou o coliseu em uma catedral de silêncio.

Somente então, com o peso de todos os olhos sobre ele, Soron finalmente falou.

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