
Capítulo 442
Assassino Atemporal
(2 dias antes da luta, ponto de vista de Leo)
Apenas dois dias restantes para o dia da luta, e a esperança de Leo de experimentar uma súbita explosão de progresso começava a se apagar.
Sua compreensão da cor vermelha tinha se aprofundado um pouco mais a cada dia, especialmente desde que começou a dissecar as razões por trás de por que as pessoas matavam—o que as impulsionava, o que sustentava sua raiva, o que levava sua mão a derramar sangue.
Mas, apesar de seus insights crescerem, ele ainda estava longe de avançar rapidamente.
Ele nem conseguira vislumbrar sequer o mais tênue rastro de sua primeira linha de intenção.
E o tempo estava se esgotando.
"Bom, você sabe o que dizem, filho. Às vezes na vida, é preciso dar um passo pra trás pra dar três passos adiante," disse Charles, dando uma tragada longa no cigarro enquanto tentava motivar Leo ao máximo.
"Quem? Quem fala isso?" perguntou Leo, com a sobrancelha levantada, enquanto Charles exalava, a fumaça cinza lentamente saindo em um suspiro e um sorriso de canto surgindo em seus lábios.
"Eu. Acabei de inventar." respondeu com arrogância, enquanto Leo balançava a cabeça em decepção.
*Suspiro*
"Por que eu não consigo enxergar intenção, Charles? E essa sede de sangue? O que ainda não estou entendendo?" perguntou, frustrado, enquanto massageava a cabeça tentando juntar as peças do que ainda faltava.
"Não sei… talvez o que você precise agora seja um gatilho. Um momento de clareza, algo que encaixe tudo no lugar e permita que o resto aconteça naturalmente.
Talvez você já tenha reunido todas as peças, mas esteja tentando forçá-las na forma errada," disse Charles, estendendo o cigarro meio apagado para Leo.
"Aqui. Quando a vida começar a parecer um enigma sem solução, dá uma tragada profunda. Deixe descansar nos pulmões, deixe a nicotina se espalhar pelo sangue... e depois expira devagar, devagar."
O alívio que isso traz…
É o que afia a mente." Charles pregava, enquanto passava o cigarro meio usado em direção a Leo, incentivando-o a dar uma tragada.
No entanto, Leo fazia careta e balançava o nariz, afastando o magneto de mau cheiro ainda aceso.
"Não, valeu. Não quero virar um cinzeiro ambulante como você." brincou, mas Charles apenas resmungou e estendeu novamente o cigarro.
"Vai, uma tragada só não mata. Pense nisso como… um rito de passagem."
Leo hesitou, os olhos alternando entre a brasa acesa e o olhar expectante e cansado de Charles.
"Eh? Que diabos…" murmurou, finalmente pegando o cigarro entre dois dedos e colocando de forma desajeitada nos lábios, como quem segura um objeto estranho.
*Inala*
Como iniciante, respirou de forma rápida e profundamente demais, como arrancar uma bandagem sem aviso, fazendo a fumaça cortar seu throata como fogo, seco e implacável.
Em um piscar de olhos, seus olhos se fecharam com força enquanto se dobrava, sua estrutura sendo tomada por uma tosse violenta.
*Tossir*
*Tossir*
"Que diabo é isso?" Leo fez gagas, ofegando enquanto a fumaça rasgava seus pulmões, enquanto Charles jogava a cabeça para trás e ria alto, batendo o joelho como se tivesse assistido à melhor comédia da vida.
"Acontece com todos os novatos, filho. Com todo mundo."
Os olhos de Leo se encheram d’água enquanto tentava piscar o incomodo, as tosses ainda ecoando no peito.
Mas então, sem entender exatamente porquê, ele voltou o olhar ao cigarro ainda aceso na sua mão, sua ponta brilhando na fumaça, e o levou de volta aos lábios com certa relutância, como se estivesse segurando um objeto estranho.
"Certo," disse Charles, com a voz mais calorosa agora. "Mais devagar. Puxe bem devagar. Segure… segure…"
Leo seguiu as instruções, mantendo a fumaça no pulmão até sentir uma sensação de calor fraco e constante.
Depois, soltou a fumaça lentamente, controladamente, observando-a girar e desaparecer no ar noturno.
Quase que imediatamente, a pressão nos ombros se dissipou. A tensão na mandíbula sumiu. Sua respiração ficou mais fácil, e pela primeira vez em dias, ele sentiu uma leve paz invadir seus nervos.
"É isso… é isso mesmo," murmurou Charles, com um sorriso orgulhoso surgindo nos lábios.
Ele olhou para as estrelas por um longo segundo, silencioso, com olhar distante.
"Meu mestre também me ensinou a fumar na minha primeira vez," ele finalmente falou. "Logo antes do meu avanço transcendente. Eu tremia igual a um cachorrinho, com medo de falhar. Medo de dar errado."
"Mas ele só riu, acendeu um e disse: 'Respira isso, e lembra... Quando estiver com medo, dê uma tragada e finja que não está.'"
"Homens de verdade não quebram, Charles; homens de verdade permanecem estoicos, não importa o quê."
Leo olhou pra ele. "Então, isso é tradição?"
Charles assentiu. "Passado de mentor pra aluno. Agora tô passando pra você também."
Houve uma pausa. Leo olhou para a brasa ainda acesa na ponta do cigarro e, então, perguntou de forma tímida: "Então... você vai comigo? Pra Tithia?"
Charles riu, mas foi um riso mais suave desta vez. "Ah, queria que sim, garoto. Mas se eu sair de Juxta agora, milhões de pessoas vão correr risco. Sou o único guerreiro do nível monarca na seita, tenho que cumprir meu dever e proteger as fronteiras."
Ele olhou com um sorriso meio maroto, acendendo um cigarro pra si próprio.
"Vou ficar por aqui, assistindo pela TV. Provavelmente gritando na frente da tela pra você perder."
Leo levantou uma sobrancelha. "Perder?"
"Sim," Charles sorriu, dando um empurrão no ombro. "Se você ganhar, acaba sendo sugado pra aquele inferno político, e de repente, você não é mais só meu aluno: vira o Dragon sagrado, futuro líder, figura pública, reuniões intermináveis, missões sem fim, sem dormir. Que saco."
Leo soltou outra fumaça, sorrindo de canto. "Então quer dizer que eu deveria perder de propósito?"
Charles riu de novo. "De jeito nenhum. Bate nele até o chão. Mas não esquece de se entregar no último segundo e deixá-lo vencer… hahahaha."
As risadas deles se espalharam na quietude da noite, o brilho dos dois cigarros tremulando sob o céu escuro, enquanto mentor e estudante compartilhavam um momento raro de paz.
Charles sabia que Leo carregava uma grande pressão, preocupado com como a luta seria vista pela multidão, e frustrado pelo progresso estagnado.
E, mesmo sem poder abrir o caminho pra ele, poderia ao menos ficar ao lado, compartilhar um cigarro e lembrar que ele não caminharia sozinho nesta jornada.