Assassino Atemporal

Capítulo 441

Assassino Atemporal

(3 dias antes da luta, Planeta Tithia, Quartel da Arena Central, Sala de Reuniões de Segurança do Setor Exterior)

A sala de reuniões estava silenciosa, carregada de tensão e propósito.

Cinquenta soldados de elite estavam sentados eretos em bancos de metal alinhados, corpos imóveis, expressões concentradas, todos vestidos com armadura de compressão preta como uma segunda pele que grudava neles.

O emblema vermelho do Cultue ostentava-se com orgulho sobre o peito esquerdo, brilhando suavemente sob as luzes brancas do teto, como uma marca de lealdade inabalável.

Eram diferentes de soldados comuns.

Formavam uma divisão especializada, escolhida pessoalmente pelo Primeiro Ancião por sua reputação como a força de segurança mais confiável e experiente que o Cult tinha para oferecer. Cada homem ali conquistou seu lugar com sangue e fogo.

E hoje, eles receberam a missão mais sagrada de suas vidas: proteger os Candidatos a Dragão durante a mega luta que se aproxima.

No palco à frente, o comandante Kavan permanecia imóvel, olhos varrendo a multidão, braços cruzados atrás das costas, sua voz ecoou com uma calma letal.

"Isto não é uma festa. Não é um desfile. E, com certeza, NÃO é uma batalha para VOSSAS diversões."

Ele deixou as palavras ressoarem antes de prosseguir, seu olhar afiado.

"Esta é uma coroação que acontece uma vez em uma geração. O próximo Dragão será coroado. O futuro do nosso povo será decidido. E, seja ele quem for, que saia vivo ou morra antes mesmo de poder dizer uma palavra… depende de nós."

Os murmúrios cessaram. As costas ficaram retas.

"Os clãs justos estão desesperados para matar os Candidatos a Dragão.

Podem apostar que estão tramando algo, porque se conseguimos infiltrar a Arena do Deus do Céu com nossos recursos limitados, eles certamente podem fazer o mesmo na nossa.

Talvez planejem infiltrar-se nas áreas de torcida, escondendo dardos envenenados ou bombas de fumaça devoradoras de carne sob suas mangas.

Mas estudamos suas táticas. O que significa que devemos supor que eles tentarão algo novo.

Supõem que já estejam dentro. Supõem que pelo menos uma pessoa naquela multidão esteja pronta para morrer se isso significar acabar com um Candidato a Dragão antes mesmo da luta começar."

Ele avançou, a voz subindo, punhos cerrados.

"Então, como garantimos a segurança dos Candidatos a Dragão nessas circunstâncias?

Fazendo o nosso dever com minúcia.

Nossa missão não começa no dia do torneio. Começa agora.

Hoje começamos a patrulhar a arena. Hoje começamos a procurar bombas plantadas ou mecanismos escondidos. Varremos toda a estrutura de hora em hora, e continuamos até vinte minutos antes de a luta começar."

Ele respirou fundo e apontou para o esquema que iluminava a tela atrás dele.

"Para proteger os Candidatos a Dragão de ataques físicos, o Primeiro Ancião autorizou a instalação de uma barreira de mana transparente na borda da zona de espectadores.

Essa barreira bloqueará todos os projéteis físicos, impedirá que magias espirituais e mentais vazem para a arena, e também evitará que a multidão invada o palco se as emoções ficarem descontroladas.

É tecnologia de ponta, muito superior ao que a facção justa consegue produzir. Mas, mesmo assim, operamos sob a suposição de que toda barreira pode ser rompida."

Ele deu um passo a frente, olhando nos olhos dos doze soldados na linha de frente.

"Se a barreira falhar, vocês doze imediatamente irão proteger os Candidatos a Dragão.

Não olhem para trás. Não hesitem.

Tornem-se um escudo humano. Sangrem se precisarem. Morram se for necessário. Mas ninguém chega perto dos Candidatos. Ninguém. Nenhum ataque."

A quietude pesada retornou.

"Para o restante de vocês, seu dever é controlar a multidão.

Sua postura deve ficar voltada para a arena. Seus olhos, fixos na multidão. Apontem qualquer movimento suspeito. Transmita informações para as equipes de patrulha nas arquibancadas e aja rápido se algo parecer errado.

Não me importo com o quão histórico é esse confronto ou o quanto vocês querem vê-lo acontecer. Não se viram, nem por um momento.

Seu curiosidade não pode colocar os Candidatos a Dragão em risco."

Sua voz ficou baixa, fria e cortante.

"Se eu pegar um de vocês olhando por cima do ombro, vou arrancar seus olhos com as minhas próprias mãos."

Ninguém se mexeu. Ninguém respirou.

A expressão de Kavan suavizou, só um pouco.

"Vou ser direto com vocês. Se eu ver qualquer arranhão nos Candidatos a Dragão enquanto estiver de plantão, vou cortar minha própria garganta ali na hora. Bem na frente da multidão.

Porque não poderei mais merecer esse uniforme."

Seus olhos percorreram a sala, fixando o olhar em cada homem um a um.

"Então, a menos que vocês estejam esperando ir ao meu funeral na próxima semana, recomendo que façam seus trabalhos direito. Entenderam?"

Um a um, os soldados se levantaram.

Calçados batendo no chão de aço de forma sincronizada.

Capas de punição atingiram peitorais enquanto vozes ressoavam em uníssono, como um juramento gravado de ferro.

"PELOS CANDIDATOS A DRAGÃO."

"PELO CULT."

"PELO NOSSO FUTURO."

A tensão no ar se intensificou, fundida como metal derretido e inflexível.

Nem lágrimas foram derramadas, mas o peso do dever fez homens endurecidos engolirem em seco duas vezes, com olhos carregados de fogo silencioso.

Ninguém feriria os Candidatos a Dragão.

Nem sob sua vigilância.

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(Enquanto isso, em uma cela de interrogatório subterrânea, Planeta Tithia)

O ar estava mofado e úmido dentro da cela de detenção, onde um agente da facção justa fora trazido após ser capturado tentando se infiltrar na Arena Lewis Hamilton.

Ele foi encontrado com muitas explosivos em seu poder e, por isso, foi espancado sem misericórdia antes de ser arrastado para essa cela de interrogatório, onde foi amarrado a uma cadeira de ferro, pulso e tornozelos presos com algemas com espinhos que há muito rasgaram sua carne.

Sua túnica estava metade queimada, metade rasgada, expondo um torso musculoso e magro, coberto de marcas de chicote, queimaduras de cigarro e sulcos vermelhos que gotejavam lentamente a cada respiração.

Sua cabeça caiu, não por fraqueza, mas com a racionalidade e o orgulho de um homem que não sentia medo, mesmo sendo torturado até a morte.

À sua frente estava um interrogador sênior do culto, mangas arregaçadas, peitoral marcado por sangue antigo, nós nos punhos, quebrou por contato repetido.

"Nome. Grau. Objetivo da missão," o interrogador repetiu com frieza, limpando o suor da testa com o dorso do pulso.

O espião tossiu forte.

Depois, cuspiu um sangue fresco no chão antes de levantar a cabeça e dar um sorriso arrogante ao interrogador.

Um sorriso que mostrava que ainda tinha todos os dentes intactos.

"Você não vai arrancar uma palavra minha," afirmou, com voz rouca mas firme. "Vocês não pegaram nada além de uma pedrinha inútil. Eu não sou nada comparado aos melhores agentes que temos aqui. Essa arena vai explodir, não importa se eu conseguir ou não."

O olhar do interrogador se contraiu. "Responda à porra da pergunta! Não preciso de suas previsões idiotas. Quero seu nome, seu grau e o objetivo da missão!"

O espião riu.

"Minha missão era colocar uma bomba sensível a espíritos sob a coluna oeste da arena. Explodi-la durante a luta… causando um desmoronamento.

Deveria colapsar o teto da arena sobre as cabeças dos milhares de idiotas presentes, e depois rir enquanto eles gritavam de dor… hahaha."

*BATER*

"FIQUE EM SILÊNCIO!" O interrogador ordenou, batendo as mãos na mesa.

"Quem mais te ajudou?" ele perguntou, no entanto, sua pergunta foi recebida apenas pelo silêncio, enquanto o suspeito se recusava a colaborar.

*Soco*

O interrogador o socou novamente, e desta vez, um dente voou.

O espião cuspiu o restante e riu novamente, respirando com dificuldade.

"Você acha que não infiltramos seus quadros ao longo dos anos também? Que só vocês, bastardos do culto, podem colocar agentes entre nós?"

Durante os últimos anos de calma, vocês relaxaram demais a segurança, promoveram oficiais indignos na velocidade errada. Deixaram suas muralhas apodrecerem. Agora temos muitos contatos no interior."

Ele se inclinou, na medida que as algemas permitiam, a voz virou gelo repentinamente.

"Nossos contatos internos… Treinaram com seus homens, comeram com seus homens… e quando chegar a hora, eles apunhalarão seus Dragões pelas costas."

O interrogador permaneceu calado.

Seus punhos relaxaram. Depois se cerraram novamente.

"Vocês vão queimar até virar cinzas na incineradora daqui a trinta minutos. Não vou te poupar. Você vai queimar vivo, de maneira das mais dolorosas."

Ele virou as costas.

Mas a voz do espião o seguiu.

"Então, morro com orgulho, tendo cumprido meu papel de livrar o universo do câncer que é o Cult do Mal.

Porque, enquanto vocês estiverem cavando a sujeira por ratos… os lobos que são meus camaradas já estarão na sua garganta."

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