Assassino Atemporal

Capítulo 447

Assassino Atemporal

(Base Militar Juxta, Refeitório comum, Pontos de vista de Charles)

Charles quebrou a gargalhada assim que viu a silhueta de Soron descendo no rio, batendo no joelho com a palma da mão enquanto apontava para a tela, balançando a cabeça como se tivesse acabado de assistir a uma piada se desenrolar perfeitamente.

"Pois é… O velho realmente apareceu."

Mas o humor não durou muito.

Ao seu redor, dezenas de soldados da Base Militar Juxta já estavam de joelhos, testa no chão diante da televisão.

Até mesmo aqueles que estavam na metade da refeição abandonaram suas bandejas completamente, optando por se curvar em silêncio, com as mãos juntas em oração silenciosa ao Protetor Divino, que agora estava sentado na borda da arena.

Charles expirou lentamente enquanto olhava ao redor do refeitório.

'É isso…' lembrou a si mesmo.

Para eles, Soron não era apenas um homem.

Para eles, Soron era uma divindade.

O pior pesadelo da facção dos justos. O deus mais forte que caminhava silenciosamente entre as estrelas, deixando para trás apenas corpos mortos e sangue.

Charles silenciou sua risada e se recostou na cadeira, com expressão neutra novamente. Então, tomando um gole de seu cigarro, deixou a fumaça escapar lentamente pelo canto da boca.

"Pois é…" murmurou mais uma vez, desta vez em voz baixa, enquanto seus olhos voltavam à tela. "Talvez essa luta seja realmente mais importante para o futuro deste Cult do que eu imaginava."

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(Ao mesmo tempo, na sala de preparação, ponto de vista de Leo)

Leo se perguntava o que toda aquela confusão lá em cima tava acontecendo?

Por um minuto inteiro, parecia que o estádio inteiro tinha se transformado em uma loucura total.

Porém, infelizmente, sem uma transmissão ao vivo ou mesmo uma única tela aqui nos túneis de preparação, ele só podia imaginar o que estava acontecendo.

"Sinto a presença de alguém extremamente forte, Senhor Pai," sussurrou Dumpy, com uma leve tremedeira na voz rouca. "É como… se todos os outros brilharem como uma vela neste arena, e esse indivíduo… ele brilha como um sol."

Leo olhou para ele, acariciando suavemente as costas do sapinho para trazer calma.

"Tudo bem," disse Leo suavemente. "Não importa quem veio ou quem não veio. Ainda tenho que lutar essa batalha do mesmo jeito que tinha cinco minutos atrás."

As palavras foram ditas em voz baixa, quase só para si mesmo, uma âncora firme contra a maré crescente de nervos.

Segundos passaram, sem serem medidos, lentamente, enquanto ele fechava os olhos e centrava a respiração.

Recordou as batalhas com Charles.

Lembrou a pressão nos ossos, a sensação de falta de ar ao dançar na borda do reino da intenção.

Ele envolveu essa sensação ao seu redor. Repetiu a memória em loop, várias vezes, até que seu pulso desacelerasse e seus membros se sentissem leves novamente.

"Senhor Pai, não pense demais," disse Dumpy com sinceridade. "Você pode ser um Grande Mestre… mas é Senhor Pai. Ninguém consegue te vencer de verdade, quando você tenta."

Os olhos de Leo se abriram lentamente, um leve sorriso surgindo nos cantos da boca. Ele deu um último tapinha no tadinho do sapinho antes de colocá-lo na bancada atrás de si.

Enquanto a voz retumbante dos comentaristas ecoava pela arena, chamando seu nome para todos ouvirem, Leo respirou fundo e saiu para enfrentar a luz.

Seus passos eram firmes.

Coração tranquilo, enquanto um sorriso silencioso repousava no rosto.

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(Palco principal da arena, segundos antes do início da luta)

Quando o relógio marcou zero e finalmente chegou a hora de começar a luta, a plateia explodiu em aplausos enquanto o árbitro oficial do dia era apresentado.

"Primeiramente, por favor, recebam o árbitro oficial da luta de hoje… Muito experiente, muito confiável, muito famoso… Capitão Max!"

O chão vibrava sob a força dos aplausos enquanto Max entrava na arena, seus passos ressoando com autoridade imponente.

Uma faixa vermelha grossa era amarrada diagonalmente no peito, indicando seu papel oficial, enquanto acenava para a plateia com uma expressão firme e concentrada.

"Capitão Max não é estranho a situações de alta pressão, pessoal. E não consigo pensar em melhor homem para arbitrar uma batalha desse nível." disse Joe, sua voz ecoando na transmissão, forte e orgulhosa.

"Ele é um oficial condecorado, um executor de lei neutro e um dos poucos homens confiáveis por todos os Anciãos da Seita," acrescentou Dana.

Max chegou ao centro da arena e parou, fazendo uma reverência profunda em direção ao trono de Soron, antes de se virar um pouco para o túnel à esquerda.

A voz de Joe ficou um pouco mais baixa enquanto a câmera se movia para a entrada, agora com um brilho branco suave.

"E agora… o momento que todos esperávamos."

A voz de Dana caiu para um sussurro, como se a reverência em si exigisse silêncio.

"Apresentando primeiro… vindo da renomada Academia Militar Rodova, facção dos justos… Campeão dos Circuitos Interplanetários… O guerreiro indicado pelo Décimo Segundo Anciente…"

Uma pausa. Uma respirada.

"LEO SKYYYYSHAAAARD!"

A multidão se voltou com força novamente.

E das sombras do túnel, Leo deu um passo à frente, entrando na luz, com um sorriso tranquilo no rosto, confiante ao avançar para a arena principal.

*OVÇÃO*

*VULCÂO DE GERAIS*

O rugido da multidão ecoou como trovão enquanto Leo cruzava o palco, cada passo calmo e deliberado, sua presença impressionando não pelos gestos dramáticos, mas pela compostura que exalava como calor silencioso.

Ele não acenou, não olhou para o público, não respondeu aos gritos desesperados, simplesmente seguiu em frente com os olhos fixos, como se todo o estádio tivesse desaparecido ao seu redor.

O Capitão Max veio ao seu encontro na metade do caminho, dando uma reverência respeitosa antes de oferecer um pequeno scanner de energia.

Ele verificou rapidamente Leo, confirmando que todo o equipamento no corpo dele era o mesmo registrado antes da luta e que suas armas principais ainda não tinham sido envenenadas entre a primeira inspeção e a batalha.

Depois de garantir que tudo estava em ordem, Max sinalizou para o lado esquerdo do campo de batalha, enquanto Leo assumia seu lugar no ponto de partida designado.

'Que diabo… que pressão é essa?' pensou Leo ao ocupar sua posição inicial, sentindo dois olhos antigos olharem fixamente para ele.

Foi quando percebeu…

Soron, observando com calma curiosidade.

Seus olhares se cruzaram por um instante.

E, apesar de seu corpo implorar para se ajoelhar, Leo não o fez. Optou por ficar de pé, em vez disso.

Enquanto Soron não piscava, continuando a examinar Leo com uma intensidade constante.

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