Assassino Atemporal

Capítulo 444

Assassino Atemporal

(Planeta Tithia, Arena Sir Lewis Hamilton, 4 horas antes da luta)

As portas da colossal Arena Sir Lewis Hamilton finalmente se abriram, com exatamente quatro horas de antecedência ao aguardado grande combate, enquanto a primeira onda de espectadores ansiosos começava a entrar, apenas para se deparar com uma recepção não de música ou celebração, mas pela vigilância fria e implacável das forças de segurança de elite do Cult.

Cada espectador era parado, submetido a uma revista minuciosa, escaneado cuidadosamente com detectores de mana e interrogado com uma intensidade mais adequada a uma zona de guerra do que a um evento ao vivo.

As bolsas eram esvaziadas, os anéis de armazenamento eram examinado com rigor, e ninguém era poupado—independentemente da aparência, idade ou posição social.

Desde um bebê curioso com pouco mais de quatro anos até um homem frágil na casa dos noventa, todos passavam pelos mesmos critérios rigorosos.

Esse protocolo de segurança severo não se limitava às portas de entrada.

Nas horas que antecederam a luta, o Líder da Esquadra Kavan e sua divisão de segurança continuaram a fazer varreduras ao redor de toda a arena com método meticuloso.

Inspecionaram cada corredor, vasculharam cada ventilação, revistaram todas as bandejas de comida, vasculharam cada banheiro no subsolo e até examinaram os complexos dutos de mana construídos profundamente na infraestrutura.

Suas expressões severas e postura afiada não deixavam dúvidas: não era equipe que aceitava riscos ou permitia que a complacência se instalasse.

Até os policiais de patrulha, posicionados nas arquibancadas para manter a ordem e controlar a multidão, não eram considerados confiáveis automaticamente. Também passavam por múltiplas inspeções, pois a equipe de segurança se recusava a deixar nada ao acaso.

O evento de hoje era grande demais para ser comprometido por complacência, e por isso, nada era deixado ao destino.

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(Por volta de 180 minutos antes do início da luta)

Acima do burburinho constante da multidão e da eficiência incessante das inspeções, os Anciãos começaram a fazer sua entrada.

Um a um, subiram para os níveis superiores da arena com seus entourages seguindo atrás, todos trajando túnicas fluidas e máscaras completas bordadas com o emblema do Cult, sua presença chamando atenção de todas as direções ao entrarem numa das doze caixas VIPs privadas, destinadas exclusivamente ao conselho supremo do Cult.

Eles acenaram para as massas como políticos benevolentes, oferecendo acenos graciosos e polegares levantados com alegria, desfrutando do coro de aplausos, enquanto silenciosamente nutririam seu desprezo pelos Anciãos rivais sentados a poucos metros de distância.

"Pronto para ver seu candidato perder feio?" o Quarto Ancião se inclinou, sua voz baixa e carregada de uma malícia sussurrada, bastante audível para o Primeiro Ancião ao seu lado.

O Primeiro Ancião, sempre calmo, apenas sorriu em resposta, colocando uma mão firme no ombro do Quarto antes de responder com uma voz igualmente serena: "Aproveite essa vida de Conselheiro enquanto dura. Você nunca sabe quando seu tempo na cadeira acaba."

Seus palavras eram leves e seus tons educados, mas o olhar nos olhos deles dizia uma história totalmente diferente—uma rivalidade carregada de história, política e interesses pessoais profundos.

Porque, por baixo das cerimônias e roupas cerimoniais, cada Ancião sabia bem o que estava em jogo hoje.

Vitória não significaria apenas prestígio para o candidato vencedor, mas elevaria toda a sua facção na hierarquia do Cult.

Se o candidato do Quarto Ancião triunfasse, sua facção estaria prestes a uma ascensão meteórica de influência e alcance. Mas, se perdesse... as consequências seriam rápidas e implacáveis, com as carreiras políticas de toda a facção encerradas de um dia para o outro.

Então, enquanto acomodados em suas caixas VIPs elevadas, com vozes controladas e linguagem corporal ensaiada, os Anciãos do campo do Quarto Ancião não podiam deixar de sentir uma ansiedade crescente sob a aparência calma.

Porque não era um duelo comum. Era o momento que decidiria o futuro político deles.

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(Enquanto isso, nos aposentos de preparação)

Longe da rivalidade política e da multidão em fúria, escondidos sob as arquibancadas da arena, ficavam dois vestiários imensos, cada um capaz de acomodar mais de duzentos competidores, com bastante espaço para alongar, treinar ou se preparar.

Mas hoje, esses amplos ambientes permaneciam quase vazios, cada um sendo ocupado por apenas um lutador.

Aegon Veyr e Leo Skyshard tinham chegado exatamente no horário definido, três horas antes do combate marcado. Seus anúncios foram silenciosos e discretos, mas suas presenças já alteravam o clima ao redor, atraindo atenção como se a gravidade os puxasse sem precisar dizer uma palavra.

Os oficiais de inspeção já estavam aguardando, munidos de leitores de artefatos, rolos detectores e kits de testes, com uma missão bem clara: verificar se cada arma, peça de roupa ou item auxiliar de ambos os lutadores estavam livres de veneno, encantamentos proibidos ou qualquer sinal de trapaça.

O procedimento era clínico, minucioso e executado com precisão inabalável. Ambos cooperaram em silêncio, com expressões imutáveis e auras constantes.

Apesar da postura profissional, a curiosidade deles, enquanto humanos, se infiltrava silenciosamente.

Eles tinham ouvido os rumores, as teorias que dominavam os canais internos e conversas nos tavernas há semanas.

Reza a lenda que Leo Skyshard já teria passado para o Nível Transcendente. Os boatos diziam que seu status de Grande Mestre era apenas uma ilusão engenhosa, criada para enganar inimigos e esconder seu verdadeiro poder até o momento certo.

Então, naturalmente, enquanto rodavam suas verificações, seus dedos hesitaram por um segundo mais do que o necessário.

Repetiram as leituras. Uma, duas vezes.

Porém, sempre o resultado permanecia o mesmo.

Sem sinais de avanço para o Nível Transcendente.

Leo Skyshard continuava, decisivamente, um Grande Mestre.

Os oficiais não disseram nada. As expressões estavam inalteradas. Sua missão não era julgar.

Mas, por baixo do rosto stoico, nos corredores silenciosos de seus pensamentos, uma conclusão já estava formada.

'Ele não consegue vencer. Essa luta já está perdida.'

Eles não disseram isso em voz alta, nem deixaram escapar qualquer traço de preferência, mas ao terminar a inspeção e se prepararem para sair, essa certeza interior os acompanhou como uma sombra.

Na cabeça deles, o resultado do combate já era uma questão resolvida.

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