
Capítulo 434
Assassino Atemporal
(Base Militar Juxta, manhã seguinte, ponto de vista de Leo)
Na manhã seguinte, Leo se viu novamente em um treino de luta contra Charles, agora dentro da improvisada instalação de treinamento da base, enquanto uma grande multidão se reunia para assistir aos dois se enfrentarem mais uma vez.
A torcida estava especialmente curiosa para ver o quanto Leo tinha ficado mais forte desde seu último confronto brutal, e não ficaram decepcionados com o que ele apresentou, já que suas melhorias em tão pouco tempo deixaram muitos na plateia empolgados.
Charles, sempre o showman, ficava do outro lado com um cano de encanamento enferrujado sobre o ombro, sem o menor pudor, girando-o entre os dedos como se fosse uma espada de mestre-swordsmanship.
"Não economize, não," disse Leo, rolando os ombros enquanto girava suas duas adagas em empunhadura inversa, com os olhos fixos em Charles com uma intensidade silenciosa.
"Quer que eu use duas mãos nesta rodada ou continue só com uma?" respondeu Charles, sorrindo enquanto fazia uma pequena reverência com o cano, arrancando algumas risadas da multidão.
Leo não respondeu com palavras. Avançou de repente.
*TRINC*
Seu primeiro choque ecoou no domo, enquanto metal batia contra metal, as adagas de Leo se movendo em arcos rápidos, cortando com precisão cirúrgica, enquanto Charles usava o alcance do cano para manter a mobilidade de Leo sob controle, contra-atacando com golpes largos e jabs surpreendentemente potentes que obrigavam Leo a recuar toda vez que tentava se aproximar.
Mas algo estava diferente hoje.
A cada vez que Leo sentia uma emoção forte, fosse irritação por uma investida que chegava perto demais ou um sorriso ao conseguir uma sequência que tinha orgulho, seus movimentos ficavam mais rápidos, mais precisos, seus golpes mais pesados, como se seu corpo estivesse desbloqueando reservas ocultas que não sabia que tinha.
'Que diabo? Aquele golpe foi muito mais forte que o último. Usei a mesma postura, coloquei a mesma força, mas o resultado foi completamente diferente…'
Percebeu, ao notar um padrão se formando.
Independente do tipo de emoção que sentia — frustração, alegria, raiva, sede de sangue ou até pura vontade — seu corpo ficava mais forte quanto mais emocional estivesse.
O Codex tinha informado a ele ontem que isso aconteceria, mas Leo nunca imaginou que fosse tão potente, já sentindo um aumento mínimo de 10 a 20% no poder de ataque quando suas emoções se intensificavam.
"Seu moleque… Você está tirando força das suas emoções, não está?" perguntou Charles na metade do movimento, levantando uma sobrancelha.
Leo não negou.
"Acho que… sim. Não sei por quê, mas quanto mais eu sinto, mais consigo extrair do meu corpo. É como se toda emoção fosse um turbo. Raiva, alegria, fome de luta, qualquer coisa. Até pânico."
Charles sorriu satisfeito.
"Isso acontece quando você domina o primeiro estágio da aura, pois, depois disso, as emoções viram uma ferramenta para desbloquear o poder, igual à mana.
Elas se transformam em uma energia da qual você pode extrair, e isso dá um impulso passivo na sua força." explicou Charles, enquanto replicava os mesmos efeitos nele mesmo, para mostrar que Leo também podia fazer o mesmo.
"Você pode alcançar entre 1% e 50% de aumento de força ao aprender a controlar as emoções, mas não exagere.
Quanto mais usar isso cedo na vida, mais ela vira uma parte do seu padrão, tornando cada vez mais difícil continuar extraindo essa energia."
"Então, use com moderação e só em ocasiões especiais!" advertiu Charles, enquanto Leo assentia, entendendo.
Eles seguiram treinando, seus golpes colidindo repetidamente enquanto a luta ficava mais dramática.
Leo pulava por golpes amplos, enquanto Charles continuava a desviar com esforço mínimo, ambos se movendo tão rapidamente que somente os soldados de maior posto na multidão podiam acompanhar claramente seus movimentos.
Porém, então, no meio do combate, ambos sentiram algo.
Um leve pico. Uma perturbação na atmosfera, como uma sombra vermelha entrando em seu campo de visão, desconfiada em um lugar que devia ser seguro.
O olhar de Leo desviou por um segundo, e ele viu. Uma aura vermelha distinta, brilhando como uma névoa, concentrada ao redor de um espectador na extremidade direita da galeria de observação.
'Sede de sangue!'
pensou Leo, enquanto tentava avaliar a ameaça durante o combate, buscando medir seu nível de força, mas, para sua surpresa, falhou, pois o homem parecia usar algum tipo de dispositivo de camuflagem.[1]
'Problema—' pensou Leo, ao lançar um olhar para Charles, que também parecia estar atento ao mesmo homem.
Ao contrário de Leo, o domínio de Charles sobre o realm do propósito lhe permitia ver além da aura sanguinolenta que se acumulava ao redor do estranho.
Enquanto Leo via apenas a aura, Charles via a intenção por trás dela, e percebia uma ameaça escarlate aguda se estendendo do posicionamento do homem em direção ao seu pescoço, mostrando a trajetória exata do provável assassino, caso tentasse atacá-lo.
'Você viu isso, garoto?' perguntou Charles sem voz, lançando um olhar breve ao assassino antes de voltar a focar em Leo, sem perder o ritmo.
'Sim, eu vi,' respondeu Leo silenciosamente, concordando com um leve aceno de cabeça.
Naquele momento, os dois decidiram agir rapidamente para eliminar a ameaça de uma só vez.
*WHOOSH*
Leo lançou uma adaga para o alto, e antes que a gravidade pudesse puxá-la de volta, Charles virou seu corpo numa rotação limpa, cravando o cano que carregava na empunhadura da adaga lançada, como se fosse um taco de basebol, enviando a lâmina voando na direção do pescoço do assassino.
*CLANG*
A adaga virou uma linha prateada, cortando o ar em uma velocidade assustadora.
*THUD*
O assassino percebeu tarde demais: embora tentasse se mover, não foi rápido o suficiente, a lâmina cortando sua pele e fazendo a multidão prender a respiração, sem entender direito o que tinha acabado de acontecer, exceto pelos três que estavam no centro da ação.
'Droga, eles perceberam minha disfarce—' Pensou o assassino, ao virar para fugir, sabendo que sua máscara tinha sido quebrada.
Porém, infelizmente para ele, não andou nem uma dezena de passos.
Antes que pudesse alcançar qualquer distância, Charles já tinha desaparecido de onde estava.
Não houve barulho. Nenhum aviso prévio.
Apenas a visão de uma cabeça decaptada rolando pelo chão levemente sujo, seguida por um corpo que se desmoronava.
Ninguém viu como aconteceu.
Até Leo precisou piscar duas vezes para perceber que o velho tinha se movido mais rápido do que seus olhos conseguiam acompanhar, já que ninguém realmente viu como Charles o matou — e ainda mais impressionante, sem a lâmina afiada, apenas com um cano de ferro comum.
"Huh?" murmurou Leo, confuso, enquanto Charles reaparecia calmamente ao seu lado, com o cano ainda na mão, seu rosto de volta ao sorriso preguiçoso de sempre.
"Só um मिशio de um agente da facção justiceira, nada demais para se preocupar," garantiu, quase sussurrando para Leo ouvir.
Leo não respondeu.
Ele apenas observou o cadáver.
Porque, apesar de todo seu crescimento, todo progresso que tinha feito…
ainda percebia que todas as suas forças eram inferiores às de gigantes poderosos nesse universo.