Assassino Atemporal

Capítulo 427

Assassino Atemporal

Leo sentia-se confuso sobre por que Charles tinha uma intenção de matar pairando ao seu redor neste momento, no entanto, seus pensamentos estavam lentos demais, seu corpo muito machucado e sua mente demasiado vazia para juntar alguma resposta significativa.

A única explicação que parecia fraco à superfície era que, talvez, Charles estivesse bravo com o pouco progresso que ele tinha feito.


Um metro. Apenas um metro.

Bem menos do que os cem que lhe tinham sido atribuídos.

Mas mesmo nas suas previsões mais remotas, cheias de pesadelos, Leo nunca teria imaginado o tipo de punição que estava prestes a acontecer.

"Eu—Desculpe, Comandante," ele gaguejou, a voz rouca e frágil. "Mas não tinha como, porra, correr cem metros sem parar. Eu não tenho força ou resistência pra isso."

Ele forçou-se a levantar a cabeça, piscando forte na tentativa de focar na expressão de Charles, esperando ver uma faísca de compaixão ou, pelo menos, compreensão.

Porém, antes que seus olhos pudessem se ajustar completamente, a única coisa que viu vindo em sua direção não foi uma mão estendida para ajudar, mas sim um punho cerrado vindo direto ao seu rosto.

*BAM*

A cabeça de Leo foi jogada de lado com a força do golpe, seu osso da bochecha levando o impacto total enquanto ele sentia o gosto de cobre misturado à sujeira ao mesmo tempo.

Sua mente girava, a dor florescendo instantaneamente: crua, aguda e pulsante, mas, mais do que o choque físico, era a confusão que o esmagava primeiro.

Que porra era aquilo?

Por quê?

Por que Charles tinha acabado de bater nele?

Ainda escorado no chão, Leo piscou rapidamente, tentando resetar sua visão em turbilhão enquanto tremia ao levantar um braço para se proteger, instintos chegando tarde demais.

"Espera—o–"

*CRACK*

O segundo soco atingiu direto sua testa, fazendo sua cabeça recuar com uma força tão grande que ouviu algo estourar dentro do pescoço.

Sua guarda foi destruída como papel, seus membros demasiado lentos, fracos e drenados para resistir de verdade.

E assim, ele entendeu.

Não era acidente.

Era a punição que Charles havia jurado que viria se ele não cumprisse as expectativas.

"Porra!" — Leo resmungou, com o lábio partido, cuspindo sangue enquanto tentava encarar a confusão que era Charles. "Bater em um cara quando ele está na pior, completamente exausto, é de uma maturidade que só você, hein—"

*THUMP*

Charles atingiu suas costelas com o joelho, fazendo Leo escorregar alguns metros pelo cascalho como se fosse um saco de ossos quebrados.

O couro de seu ombro e costas rasgou-se ao rolar até parar, tossindo violentamente enquanto o sangue jorrava da boca num arco rubro.

O Monarca não respondeu.

Não falou.

Simplesmente seguiu passo a passo, até ajoelhar-se ao lado de Leo e atingir seu queixo com o cotovelo.

*SNAP*

Leo gritou, seu grito curto, gutural e selvagem, enquanto uma dor diferente de tudo que tinha sentido até então se espalhava por seu lado esquerdo, deixando seu braço completamente dormente.

Seu osso do ombro estalou como galhos secos, e, pela primeira vez, uma centelha de pânico verdadeiro surgiu em sua mente.

Isso não era só disciplina padrão.

Não podia ser parte de um treino.

Já não era mais punição.

Era ele sendo espancado até virar um pulpito, sem motivo algum.

"Você... está quebrando meus ossos…?" — Leo engasgou, o peito arfando, os olhos arregalados enquanto Charles levantava a mão novamente, sem pausa, e golpeava seu esterno com os nós dos dedos.

*BOOM*

Algo cedeu, algo no meio do seu peito, e Leo sentiu um estalo horrível ao longo de suas costelas, a pressão inundando seus pulmões com sangue e dor de forma instantânea.

O choque fez seus membros espasmar, seu corpo convulsionando violentamente de dentro para fora enquanto o sabor de ferro voltava, mais espesso desta vez, mais escuro.

Foi quando ele percebeu.

'Ele não só está me machucando… o filho da puta está tentando me matar de verdade—'

"Chegou longe demais…" — Leo tossiu, mal conseguindo falar enquanto sua voz tremia. "Você está indo longe demais…"

Em desespero, ele cavou fundo dentro de si e acionou o [Stormflash Traverse], querendo que seu corpo desaparecesse, que sumisse da pesadelo que agora tinha o rosto de seu mentor.

Mas, no instante em que sua forma começou a cintilar—

*PEGADA*

A mão de Charles saiu como uma serpente e prendeu a perna de Leo no meio da teleportação.

"Quer passar alguma coisa?"

O grito de Leo rasgou o ar noturno enquanto seu tornozelo torcia grotescamente na pegada de Charles, um estalo nauseante ecoando pelos campos militares vazios.

Então vieram os golpes.

Um.

*TRONCO*

Dois.

*CRACK*

Três.

*CRAC*

De novo e de novo, Charles arremessava o corpo de Leo contra o chão como um boneco de pano encharcado de sangue, a superfície rochosa dividindo pele, rasgando músculos e quebrando articulações de formas que não deveriam ser possíveis.

O sangue jorrava livremente agora… do couro cabeludo, dos ouvidos, do nariz, de cada ferida aberta que cuspia sua vida na terra impregnada de poeira.

Cada nervo de seu corpo gritava. Cada osso implorava por misericórdia.

E, por mais que tudo aquilo fosse torturante, a única coisa que Leo podia fazer era respirar de forma superficial, irregular, e balbuciar uma pergunta partida.

"Por quê…?"

"Por que você está fazendo isso….?" — perguntou com a voz rouca, enquanto Charles parava por um instante sua violência.

Ele ficou de pé sobre Leo, as botas encharcadas com seu sangue, olhando para o garoto esgarçado pelos golpes, que se agarrava à vida por poucos fios.

Então, agachou-se.

E se inclinou.

Quase tocando as testas.

"Por quê?" — Charles repetiu, com tom distorcido, cruel, de uma forma zombeteiramente pensativa. "Por que importa por quê?"

Ele deixou a pergunta pairar no ar enquanto uma centelha de loucura brilhava por trás de seus olhos mortos.

"Talvez Veyr tenha comprado minha lealdade ontem à noite, e eu esteja aqui pra te terminar."

"Ou talvez eu seja apenas um psicopata que gosta de matar seus alunos."

"Ou talvez eu tenha perdido a cabeça hoje depois de te ver falhar nas minhas expectativas."

Seu hálito quente contra o rosto de Leo, cheio de fumaça e loucura.

"Por que importa o por quê?"

Outro golpe.

Mais uma costela quebrada.

Mais uma descarga de agonia.

E, enquanto Leo se engasava com sangue, dor e terror tudo ao mesmo tempo, algo dentro dele sussurrava—

'Por que importaria o por quê?'

'Sempre te disse… Não confie em ninguém!'

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