
Capítulo 421
Assassino Atemporal
(Algumas horas depois, ponto de vista de Soron)
Após a saída dos dois anciãos, a estrutura de Soron lentamente voltou à sua forma fraca e mortal.
Ele segurou o peito, fazendo uma expressão de dor, enquanto o esforço de manter aquela fachada de força anterior claramente o havia desgaste.
"Já suspeitava que o Conselho fosse corrupto há um tempo... mas não imaginei que estivesse tão apodrecido," murmurou baixinho, ao fechar os olhos e relembrar as informações que tinha extraído dos pensamentos dos dois anciãos.
Além das palavras ditas em voz alta pelos dois, Soron também conseguiu penetrar em suas mentes e emoções. Sentiu tudo o que carregavam naquele momento: cada medo, cada mentira, cada esperança.
Ele os estudara minuciosamente, mesmo antes de serem permitidos dentro do castelo, analisando a verdade escondida sob suas expressões e palavras cuidadosamente escolhidas.
Quando entraram na sala do trono, ele já sabia o que eles realmente acreditavam e o que secretamente desejavam alcançar.
O Primeiro Ancião buscava destituir seis membros do conselho, convencido além de dúvida de que haviam se aliado para cometer traição.
O Segundo Ancião, por outro lado, veio apenas buscar perdão.
Embora não pudesse dizer com certeza por que o Quarto Ancião decidiu ensinar técnicas proibidas a Veyr, o Segundo agiu movido por uma crença genuína de que Veyr estava destinado a se tornar o próximo Dragão.
Na cabeça dele, não era rebelião, mas preparação. Ele havia quebrado regras, sim, mas sem má-intenção.
E assim, embora a lei tivesse sido de fato infringida, Soron optou por não punir imediatamente o Segundo Ancião. Pois, apesar dos erros, seu coração ainda pulsava pelo Culto, e suas ações, por mais equivocados que fossem, não tinham maldade na base.
Com essa compreensão, Soron elaborou a condição que propôs. Em vez de julgar por trás de portas fechadas, ele deixaria a verdade ser revelada através do confronto. Uma duelo público, onde força, mérito e destino falariam mais alto que interesses políticos.
O vencedor seria feito Dragão, enquanto o perdedor — caso fosse Leo — ainda assim seria preparado para a posição de Vice-Líder do Culto.
"O destino faz o que deve, porém, não acho que será tão ruim para o garoto perder a luta…
De várias formas, a vida de um Dragão é amaldiçoada.
Em vez de depender de um conselho podre, seria melhor que ele fosse treinado exclusivamente por Charles e moldado para ser Vice-Líder.
Assim, talvez ele não odeie tanto o Culto quanto odiaria se se tornasse Dragão…" pensou Soron consigo mesmo, soltando um suspiro profundo enquanto se deitava na cama para descansar.
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Enquanto isso, o Primeiro Ancião, na sua volta de Ixtal, rapidamente digitou uma mensagem em sua prancha de dados e enviou a todos os outros anciãos ainda aliados, informando-os da decisão que Lorde Soron havia tomado.
"Um duelo público contra um oponente de nível Transcendente?" perguntou o Primeiro Ancião, enquanto não conseguia evitar balançar a cabeça em desalento ao pensar nas chances de vitória de Leo.
"O garoto do Skyshard é talentoso, sim, mas não consegue lutar e vencer alguém que esteja um nível acima dele.
Mesmo para ele, isso é impossível—" refletiu o Primeiro Ancião, com o coração afundando, não só por falta de fé, mas também pelas amargas limitações do tempo.
Dois meses não seriam tempo suficiente para Leo treinar para enfrentar Veyr.
"A menos que ele consiga um avanço," murmurou o First Elder, "ele não tem chance."
Porém, mesmo ao pronunciar essas palavras, não conseguiu abandonar a esperança, começando a se perguntar se Charles poderia ajudá-lo a alcançar esse avanço a tempo.
Enquanto isso, o Décimo Segundo Ancião, sentado com a cabeça entre as mãos, sentia-se completamente derrotado enquanto lia a mensagem que o First Elder enviara pelo aparelho de dados.
"Parece que Lorde Soron quer que Leo perca e siga o caminho de Charles, ao invés de se tornar um Dragão…" concluiu Noir, ao estalar a língua e balançar a cabeça desapontado.
Ele lutara duro para apoiar o crescimento de Leo nas sombras.
Passara por muitas dificuldades para torná-lo um candidato viável a Dragão, mas justo quando tudo parecia dar grandes passos, circunstâncias imprevistas haviam tirado sua vitória dele.
"Um duelo como esse, em níveis diferentes… não é um verdadeiro teste de valor, é uma humilhação pública," murmurou, batendo nervosamente os dedos ao lado do corpo.
A única saída dessa confusão era se Leo conseguisse fazer o impossível.
Ou seja, subir de nível nos próximos dois meses e depois enfrentar Veyr em condições iguais, porque sem isso, Noir não via outro caminho para o sucesso.
Enquanto isso, o Quarto Ancião também permanecia deitado, desanimado, dentro de uma câmara pouco iluminada, a luz tênue de sua prancha de dados iluminando sua mandíbula cerrada.
O Segundo Ancião também informara sua equipe sobre a decisão de Lorde Soron, e o Quarto Ancião não se sentia nada feliz com isso.
Se Veyr perdesse, sua cadeira no conselho e tudo pelo que lutara tantos anos seriam perdidos.
E isso o assustava feito o diabo.
Queria rir. Afinal, que chances tinha um novato de nível inferior contra seu Campeão Transcendente escolhido?
Mas, por outro lado…
Leo não era qualquer garoto aleatório.
Ele era o Campeão das Circuitos Rodova.
O azarão dos azarões.
Aquele que já neutralizou um operador de Nível Transcendente na televisão ao vivo.
Aquele menino amaldiçoado tinha uma maneira de estragar previsões.
E isso o assustava mais do que queria admitir, porque se Leo vencesse, seria o fim de sua carreira política.
Por fim, o Sétimo Ancião também se sentiu tão horrorizado com toda a situação quanto o Quarto, ficando paralisado no meio do seu ritual de tomar chá, ao receber a mensagem do Segundo Ancião, anunciando a cruel decisão de Lorde Soron.
Ele havia apostado, de forma perigosa, no futuro de Veyr, ao se juntar ao campo do Quarto Ancião há um mês.
Mas agora, esse futuro estava prestes a ser posto à prova.
E os riscos não eram apenas de orgulho ou reputação — eram de cadeiras, de poder. De tudo.
"Leo Skyshard… não me diga que vai mesmo conseguir fazer isso," sussurrou.
Pois, no fundo, o Sétimo Ancião tinha um pressentimento sombrio de que o garoto poderia sim, e isso o aterrorizava até o âmago.