Assassino Atemporal

Capítulo 422

Assassino Atemporal

(

Alguns dias depois, Ponto de Vista de Charles)

Charles foi informado sobre a luta pública apenas um dia antes do anúncio oficial ser divulgado.

As notícias não chegaram por mensagem ou mensageiro, mas do próprio Primeiro Ancião, que fez a viagem até o planeta Juxta pessoalmente para entregar o veredicto de Lord Soron.

Charles soltou uma gargalhada no instante em que ouviu o que tinha acontecido na sala do conselho.

"Hahahaha…"

No começo, soou alto e genuíno, mas a raiva que borbulhava por baixo da pele era impossível de esconder. Sua expressão se contorceu de desgosto ao cuspir no chão, a gota de saliva caindo bem ao lado dos pés do Primeiro Ancião.

"Vocês nunca deixam de me impressionar com o quão baixo vocês podem afundar," Charles rosnou, os olhos estreitando-se. "Ainda bem que Soron acha que vocês são essenciais para a paz e prosperidade do Culto, porque se dependesse de mim, teria estrangulado todos vocês pessoalmente."

Sua intenção de matar aumentava a cada palavra, preenchendo o ar ao redor enquanto ele dava um passo adiante e encarava o Primeiro Ancião diretamente nos olhos.

"E agora vocês querem que eu force o garoto a alcançar o reino transcendente em dois meses? Quando ele nem está preparado ainda?"

Ele bufou.

"Não. De jeito nenhum. Não vou arruinar o futuro dele por causa de um desastre criado pelo conselho."

"Não temos outra alternativa," respondeu o Primeiro Ancião, tentando manter a compostura. "Um Grande Mestre não consegue derrotar um Transcendente em uma arena aberta. Não é uma emboscada ou missão furtiva. Não haverá truques. Nenhuma vantagem. Essa é uma luta pública… e se Leo não estiver no mesmo nível, não vai durar mais de dez segundos."

Ele tentou argumentar, mas Charles não quis ouvir.

"Se ele não puder, que seja," Charles disparou num instante. "Que perca. Que desista. Pode passar a vida como Vice Chefe do Clã sob minha orientação. Mas nem pense em comprometer a base dele só porque você falhou em garantir sua nomeação do jeito certo."

*Sujeira

Ele cuspira novamente, desta vez bem perto do sapato de Mavern.

"Você realmente entende o quão talentoso esse garoto é?"

A voz de Charles mudou, suavizando um pouco com admiração.

"Ele passou em oito simulações de fuga de prisão nos últimos onze dias.

OITO simulações em apenas onze dias, Mavern! OITO!

Mesmo meus melhores operativos de nível Transcendente não conseguiam fazer isso com seis meses de preparação."

O menino é uma fera em formação. Um verdadeiro prodígio. Não tenho dúvidas na minha cabeça."

Mavern ficou parado, surpreso. Um elogio assim, vindo de Charles, era quase inacreditável.

Ele conhecia Charles há décadas e nunca ouvira ele falar de alguém com tamanha reverência.

"Ele vai se desenvolver da maneira certa," Charles continuou. "Mesmo que signifique perder essa luta. Mesmo que signifique ser humilhado na frente do Culto. Não me importo. A longo prazo, esse garoto será um dos pilares do Culto, e vou garantir isso a qualquer custo."

Deixou claro que Mavern não teria permissão para encontrar Leo, nem haveria uma forçada de avanço. A discussão, na visão de Charles, estava encerrada.

Porém, antes de virar para sair, a voz de Mavern se fez ouvir, desta vez mais suave.

"Pelo menos treine ele direito… dê treinamentos de combate de verdade. Não só essas missões de fuga de prisão. Se ele vai perder, que ao menos perca com dignidade. Isso você me deve… velho amigo."

Charles parou, respirou fundo e então exalou lentamente.

"Isso eu posso fazer," disse, suspirando, antes de balançar a cabeça e partir, desaparecendo no céu.

Mavern ficou ali, sozinho com seus pensamentos, questionando se, talvez, apenas talvez, o treinamento de combate de Charles fosse suficiente para virar o jogo.

"Não… O que eu estou pensando? Um Grande Mestre não consegue vencer um Transcendente em combate aberto… se Charles não empurrar ele para uma transição, essa luta já está perdida," murmurou baixinho, começando a perder a esperança de vitória.


(Ponto de Vista de Aegon Veyr)

Provavelmente, a única pessoa que sentiu verdadeira satisfação com o anúncio do combate público foi Aegon Veyr, pois esse era exatamente o tipo de resultado que ele vinha esperando o tempo todo.

Ele estava dentro do espaço de treinamento privado do Quarto Ancião, com os braços cruzados relaxados enquanto olhava a mensagem escrita que acabara de chegar pelo mensageiro, e um sorriso lento se desenhou em seu rosto.

"Heh… Eu já esperava por isso," murmurou Veyr, brilho de diversão nos olhos. "O velho Soron fez um favor pra mim aqui."

Ele inclinou a cabeça para trás e riu, o som saindo de sua garganta como se não pudesse evitar.

"Agora eu vou ser chamado de Dragão e, finalmente, colocar aquele rasteiro arrogante em seu lugar."

Ele já fazia tempo que ele andava como campeão das pequenas circuitos, mas agora era hora de diminuí-lo!

Seus dedos tremeram ao lado, a emoção da batalha já pulsando em suas veias enquanto imaginava a expressão de superioridade no rosto de Leo Skyshard se retorcendo de confusão, depois de medo e, por fim, de derrota quando eles finalmente se enfrentassem.

"Hahaha… isso é perfeito," Veyr riu consigo mesmo, mais alto desta vez, a voz carregada pelo vento.

"Não vai ter político decidindo nosso futuro, só uma luta.

Uma que vou ganhar de forma tão convincente que não haverá dúvidas. Vou arrastá-lo pela sujeira e garantir que todos saibam quem realmente merece ser chamado de Dragão."

Ele já via tudo — a multidão gritando seu nome, as vestes cerimoniais do Dragão sendo colocadas sobre seus ombros, e Leo caído aos seus pés, derrotado e humilhado.

"Um Grande Mestre contra um Transcendente? Tch. Isso nem vai ser uma luta."

Ele virou as costas do espaço de treinamento, com um sorriso ainda fixo no rosto enquanto caminhava de volta ao seu aposento de descanso.

"Treine bem, Leo," sussurrou, quase inaudivelmente para o mensageiro que o acompanhava.

"Faça algo interessante, para que, quando eu te destruir, pelo menos reste algo para lembrar."

E assim, Aegon Veyr começou seus preparativos para o combate, confiante de que o resultado já tinha sido decidido.

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