
Capítulo 423
Assassino Atemporal
(Planeta Juxta, Logo fora de uma cela de prisão, ponto de vista de Leo)
Leo tinha acabado de sair com sucesso da sua nona cela nos últimos doze dias quando avistou Charles, um pouco preocupado, esperando por ele perto do ponto de saída.
"E aí, comandante? Por que essa cara de derrotado? Não me diga que finalmente acabou a lista de prisões onde você pode me jogar," perguntou Leo com um sorriso convencido, alongando os ombros como se esperasse outro desafio.
Porém, Charles não retribuiu o sorriso. Em vez disso, levantou a mão e fez um gesto para que Leo se acalmasse, sua expressão mais séria do que o normal.
"Olha, filho..." começou Charles, com a voz mais lenta e pesada do que de costume.
Foi aí que Leo, a última pessoa a saber sobre suas próprias circunstâncias, sentiu uma pulsação familiar na cabeça, como quando Charles lhe falou sobre a luta pública. Uma dor de cabeça imensa começou a se formar na sua cabeça, como se o universo tivesse escolhido aquele exato momento para lhe lembrar o quão absurdo sua vida tinha ficado.
"Que diabo? Quem é que quer ser Dragão? Nem eu, com certeza..." murmurou Leo, exasperado, porque, na verdade, ele nunca teve interesse em se tornar o Dragão escolhido do Cult.
Foi o Vigésimo Segundo Ancião quem tentou forçar o título nele, chegando a manter sua família como refém para garantir cooperação. Mas, na hora de convencer os aliados políticos, o cara de repente não conseguiu entregar o que prometeu.
"Juro que o Vigésimo Segundo Ancião é o maior idiota que eu já conheci. Ele me mete medo sem parar, mas na hora de agir, é completamente inútil!" exclamou Leo, jogando as mãos ao ar enquanto reprimia uma sequência de palavrões que queria soltar a todo custo.
"Comandante Charles... será que eu posso simplesmente abandonar essa luta? Não me interessa o título de Dragão, dá muito trabalho mesmo assim. Se esse tal Veyr quer tanto, vamos dar a ele essa merda e pronto—" perguntou Leo, meio a sério, meio zoando, enquanto Charles apenas balançava a cabeça em recusa firme.
"Você pode perder mantendo sua dignidade, mas não pode abandonar a luta. Todo o Cult vai estar de olho, e se você causar uma má impressão logo de cara, isso vai ficar grudado ao seu nome pra sempre," explicou Charles calmamente, com uma seriedade rara na voz.
"Ganhe ou perca, precisa mostrar coração. Assim, quando você entrar pro exército ou assumir outro cargo, seu pessoal vai te respeitar... não como um covarde que recuou na sua primeira prova de verdade."
Leo deu um everything com os olhos, incapaz de entender quem na cabeça pensante achou que era uma boa ideia colocar um Grande Mestre pra lutar contra um Transcendente em combate aberto.
Pra piorar, essa palhaçada de duelo ia marcar sua estreia oficial dentro do Cult — justamente o lugar onde ele tinha que construir uma nova vida, já que agora era considerado um criminoso procurado na facção dos justos.
"Perfeito… só perfeito. Parece que fiz escolhas de vida excelentes ao me aliar com vocês—" murmurou Leo de forma sarcástica, enquanto Dumpy, que estava sentado no ombro dele com os braços cruzados, assentia como um sábio antigo.
"Senhor Pai, por favor, deixe-me enfrentar esse Veyr no seu lugar. Posso garantir que vou dar um jeito de chapar a bunda dele e trazer grande honra ao seu nome. Basta dizer a palavra..." ofereceu Dumpy, com orgulho, numa mistura de convicção ridícula, e Leo não pôde deixar de rir da própria provocação.
"Quer ser o próximo Dragão, Dumpy? Acho que você seria um messias excelente," provocou Leo, observando Dumpy inflar o peito de orgulho e fazer um gesto de cabeça convencido.
"Por que eu iria querer ser uma criatura inferior como um Dragão, Senhor Pai? Quando eu sou um sapo de pântano místico e muito bonito? Amo minha raça mais do que tudo!" declarou Dumpy, sério, e Leo explodiu numa risada sincera.
Apesar de toda a confusão toda que vinha rondando sua vida ultimamente, ter Dumpy por perto pelo menos trazia algum brilho aos seus dias cinzentos.
"Falando sério agora, filho..." de repente disse Charles com uma voz mais grave, trazendo Leo de volta à realidade.
"Você quer ganhar essa luta ou não? Porque, dependendo do quanto você deseja isso, eu ajustarei seu treinamento nos próximos dois meses." perguntou Charles, enquanto Leo sorria de forma autodepreciativa, sem saber exatamente como responder.
Pela esquerda, ele não ligava de não querer ser Dragão, nem um pouco.
Mas, por outro lado, não era do tipo que gostava de perder também.
Se fosse pra aparecer e lutar de verdade, naturalmente, queria vencer.
"Comandante… pra ser sincero, quero que você me treine o mais forte que puder nos próximos dois meses."
"Não porque queira ser o Dragão de verdade ou algo assim — porque, na real, nem ligo pra esse título. Mas quero treinar pra isso, independente."
"Crescer, ficar mais forte, me esforçar nunca será tempo perdido pra mim."
"Se eu ganhar, ótimo. Se perder, pelo menos o treino não foi à toa. E vou considerar isso minha verdadeira vitória." Disse isso de forma despreocupada, dando de ombros, enquanto Charles o encarava em silêncio, sentindo algo despertar lá no fundo.
Ao ouvir a mentalidade de Leo, Charles sentiu uma fagulha se acender dentro dele, uma faísca rara que não via há anos.
Era incomum encontrar uma criança na idade de Leo com uma mentalidade de guerreiro como a de um sábio.
Na idade de Leo, a maioria das crianças era egoísta, obcecada por resultados, títulos e reconhecimento.
Mas Leo não era um deles.
"Bom," finalmente disse Charles com uma voz cheia de determinação. "Se você está pronto pra trabalhar duro, eu prometo: Veyr não vai vencer fácil, não importa o nível de vantagem que tiver."
Leo sorriu radiante e fez um sinal de positivo, totalmente inconsciente de que, naquele exato momento, tinha acabado de despertar um gigante adormecido.
Até agora, Charles só tinha treinado Leo por obrigação, mas, a partir de agora, decidiu levar a sério.
Nos próximos dois meses, Charles planejava empurrá-lo ao limite, garantindo que ele estivesse preparado para enfrentar Veyr com habilidades que nenhum guerreiro comum de nível Grande Mestre deveria possuir.