
Capítulo 424
Assassino Atemporal
Em Territórios do Cult, no Dia do Anúncio
Quando a notícia de que o próximo Dragão seria escolhido finalmente veio a público, as emoções despertadas pelas massas foram mais do que catastróficas.
Eles aguardavam seu próximo messias há mais de três décadas — trinta anos de silêncio, trinta anos de esperança partida, trinta anos observando o Cult cambalear na incerteza sem seu líder espiritual.
E então, sem aviso, numa manhã radiosa, quando o sol rasgava o horizonte, aconteceu.
Os céus de todos os planetas sob controle do Cult piscavam com glifos brilhantes e banners projetados, cada um formando uma mensagem única.
[ Em 57 dias, o próximo Dragão será escolhido! ]
A notícia se espalhou pelos torres de rádio e transmissões de satélite, rolou das bocas de âncoras holográficos e ecoou por todos os corredores dos domínios do Cult.
De metrópoles tecnológicas a vilarejos nas montanhas agarrados à beira do mundo, a mesma mensagem soava em perfeito uníssono.
["O Conselho dos Anciãos declara: O próximo Dragão será escolhido em 57 dias.
Dois candidatos, Leo Skyshard, um guerreiro de nível Grande Mestre, e Aegon Veyr, um guerreiro Transcendente, foram selecionados pelo Conselho.
Estes dois irão duelarem em uma luta pública para determinar quem carregará o título de Dragão.
Mais detalhes sobre local e protocolos de combate serão divulgados em breve…"]
No momento em que essas palavras foram pronunciadas, blocos inteiros da cidade pararam.
O trabalho cessou sem comando.
Escolas liberaram as crianças no meio da aula, compradores pararam no meio das ruas do mercado, mãos ainda segurando produtos pela metade.
Até mesmo os trens pausaram no meio do percurso, enquanto os maquinistas engasgaram com a respiração contida.
Por um breve momento, uma silêncio mais profundo do que qualquer campo de batalha morto caiu sobre todos os mundos sob controle do Cult.
Até que veio o impacto —
Com soluços.
Velhos chorando abertamente sob estátuas de pedra de Dragões há muito falecidos, estendendo dedos enrugados como se tentassem puxar a presença de algo divino.
Mulheres idosas caiu de joelhos onde estavam, agarrando-se às contas de oração como se a própria anúncio tivesse inundado o mundo com mana sagrada, chorando sem controle, por uma alegria que há décadas não ousavam sentir.
Veteranos de guerra ficaram de prontidão, virando-se para as telas de aviso de suas cidades, levantando mãos trêmulas em saudação, enquanto guerreiros acostumados ao combate, que há muito esconderam emoções por trás de cicatrizes e protocolos, agora abaixavam a cabeça, tomados por algo que nenhuma palavra poderia descrever.
Mães apertaram seus filhos mais do que nunca, ajoelhando ao lado deles, sussurrando sonhos em seus ouvidos com lágrimas nos olhos.
“Fique forte, meu amor.
Corra rápido.
Treine com orgulho e honra.
Pois o Dragão voltará… e talvez você viva tempo suficiente para servir sob ele.”
Mesmo em lugares onde a luz do Cult mal alcançava…
Cidades remotas na fronteira, colônias em pântanos, portos espaciais esquecidos e mosteiros às beiras de penhascos…
Mesmo ali, pessoas se reuniam descalças em praças empoeiradas, agrupadas ao redor de antigas telas que piscavam com energia de núcleos reaproveitados, tentando ouvir os nomes chamados em voz alta.
Leo Skyshard.
Aegon Veyr.
Dois nomes.
Dois guerreiros.
E uma promessa antiga e sagrada, gravada até os ossos da terra.
“O Dragão voltará a caminhar novamente….”
Em poucas horas após o anúncio se tornar público, escritórios de recrutamento fechados há anos reabriram com entusiasmo renovado, sendo invadidos por uma enxurrada de novos voluntários.
Jovens ainda incapazes de manejar uma espada e idosos bem além da sua melhor fase estavam lado a lado nessas filas, unidos por um propósito, unidos pela fé.
Vieram em massa, declarando com punhos cerrados e olhos orgulhosos que treinariam, sangrariam, serviriam, porque o Dragão voltava e eles queriam que suas vidas significassem algo quando ele chegasse.
Isso não era política.
Isso não era propaganda.
Era fé em sua forma mais pura e cega.
Canções antes consideradas perdidas no tempo voltaram a ser cantadas, ecoando de varandas, tavernas e escadarias de templos.
Velhas poesias foram redescobertas e ganhas nova vida, enquanto chamas de orgulho antigo reacendiam em cada canto esquecido dos territórios destruídos do Cult.
Fogos de artifício iluminavam o céu noturno sem cerimônia, enquanto os comuns comemoravam a volta do Dragão.
E, no entanto, sob toda essa fé e fervor, uma energia diferente se agitava em cantos sussurrados.
CURIOSIDADE.
DÚVIDA.
MARAVILHA.
Leo Skyshard.
Aegon Veyr.
Esses nomes agora eram figuras míticas.
Discutidos em chá quente nas cozinhas e gritos nos campos de treinamento.
Eram as primeiras e últimas palavras em todos os canais.
Estavam escritos em desenhos de giz por crianças e entalhados nas paredes de becos por monges errantes.
Mas quem eram, de fato, eles…?
Aegon Veyr era um mistério. Um nome nunca ouvido antes, um prodígio criado fora do olhar público, moldado às escondidas pela mão do Conselho, rumoroso por ser poderoso, mas inexplorado.
E então… havia Leo Skyshard.
Leo, o prodígio dos Territórios Justos, o menino que cruzou fronteiras e emergiu como Campeão do Circuito de Rodova.
Um nome sussurrado com reverência entre estudantes de elite e temido nas academias militares de toda a galáxia.
Um guerreiro que dispensava apresentações, mesmo dentro do Cult, onde tinha muitos fãs após sua performance nos Circuitos.
Mas ele era um Grande Mestre.
E seu oponente era um Transcendente.
Então por que ele tinha sido escolhido?
Como isso era justo?
Alguns zombavam da absurda situação.
Outros alegavam corrupção ou espetáculo.
Porém, muitos, muito mais do que se esperava, se sentiram entusiasmados.
Porque ao revirem os velhos vídeos das lutas de Leo…
Ao assistirem novamente aos Circuitos e ver Leo lutar sem medo, sem pausa, sem fraqueza…
Quando leiam os relatos rumorosos de suas batalhas e das provas que enfrentou na Ordem das Serpentes Negras, a opinião pública mudou.
“Talvez… ele não seja um Grande Mestre comum.”
“Talvez o Conselho dos Anciãos veja algo nele que nós não conseguimos enxergar.”
“Talvez ele seja simplesmente especial.”
“Talvez… seja alguém que transcende os níveis.”
E assim começou a contagem regressiva.
Cinquenta e sete dias.
Cinquenta e sete dias até que o próximo Dragão subisse ao monte para transformar o mundo.
Cinquenta e sete dias até que a história fosse marcada na pedra e no sangue.
Até que um nome se elevasse à lenda e se tornasse o próximo líder sagrado do Culto da Ascensão.