Assassino Atemporal

Capítulo 331

Assassino Atemporal

( Mundo Congelado no Tempo, Planalto da Superfície, POV de Leo )

Assim que Leo abriu o Códice, uma nova sequência de palavras começou a se gravar no pergaminho envelhecido, brilhando suavemente no crepúsculo ao redor como pequenas ondas em água parada.

> “Você agora percebeu o terceiro brilho.”

> “Azul Celeste — uma cor nascida da harmonia entre alegria e esperança.”

> “Esta é a tonalidade do otimismo, originada entre a alegria da vitória e a esperança de um futuro mais brilhante, o verdadeiro estado ideal que todos os homens buscam.”

> “Ela marca o fim de uma respiração pesada. A quietude após uma tempestade. O mais tênue brilho de luz após suportar sombras longas.”

> “Diferente de frustração e intenção de matar, essa cor não permanece nem mancha — ela visita, então se vai, e deve ser cultivada, não perseguida.”

> “Para se tornar um verdadeiro líder, você deve entender o que mantém isso vivo. Pois os líderes mais fortes não são aqueles que comandam medo ou respeito... mas aqueles que inspiram esperança e alegria em seus súditos.”

O texto cintilou suavemente, antes de desaparecer em silêncio novamente.

Leo não disse palavra. Seus dedos ficaram tempo demais na página, enquanto seus pensamentos voltavam para o tom azul-celeste que vira poucos momentos atrás.

'Foi... passageiro,' pensou ele. 'Mas foi bom.'

E talvez esse fosse o ponto.

Nem toda emoção era uma arma a ser afiada.

Algumas eram apenas lembretes... indicadores de que talvez os piores momentos já tinham ficado para trás e que havia esperança de dias melhores pela frente.

"A cor da alegria e esperança... Espero vê-la mais vezes…" Leo refletiu, enquanto um sorriso suave se espalhou em seu rosto.

Das três cores que ele tinha visto até então, o azul era definitivamente a que ele mais desejava ver. No entanto, ele tinha uma forte sensação no coração de que o azul também seria a cor mais difícil de encontrar ao longo da vida.


Após retornar à superfície, Leo começou lentamente a caminhar em direção à crista da montanha, que ficava a aproximadamente 300 quilômetros do cânion, atravessando um deserto quase totalmente árido.

Com suprimentos suficientes para durar 1500 dias ao entrar neste mundo, Leo já tinha consumido cerca de 250-270 dias de provisões desde que se separou da equipe, significando que aproximadamente 3 dias haviam se passado no mundo exterior desde sua entrada nesta dimensão.

Segundo suas estimativas, poderia percorrer os 300 quilômetros até a base da montanha em cerca de 4 dias se não parasse, mas se fizesse pausas para caçar e se alimentar, levaria entre 8 e 12 dias para chegar ao destino.

'De acordo com advertências históricas, este deserto abriga inúmeras arenas de gigantescos vermes-da-areia, variando de nível Mestre a Transcendente em força. Então, deve ser divertido caçá-los…' pensou Leo, enquanto começava a seguir na direção oeste, em direção às cadeias montanhosas, moderando cuidadosamente seus passos para evitar fazer barulho desnecessário que pudesse atrair a atenção dos vermes-da-areia, contra os quais ainda não estava preparado para lutar.

Porém, menos de uma hora após começar sua jornada, de repente, avistou um conjunto de pegadas humanas impressionadas na areia — demasiadamente limpas e recentes para ignorar — o que imediatamente o alertou para a presença de assassinos nas proximidades.

Ao se ajoelhar para inspecioná-las, percebeu as impressões precisas do calcanhar e os padrões intactos nas pontas, tudo indicando que o equipamento deles ainda estava em boas condições.

Eles não ficara tempo suficiente neste mundo para que as solas perdessem aderência ou se desgastassem, o que sugeria que eles estavam aqui há menos de cem dias.

As pegadas eram recentes, levemente pressionadas na superfície, com espaçamento uniforme e rastro claro de botas intactas. Sozinha, essa informação dizia que não eram pegadas de lunáticos ao acaso, mas de um grupo de assassinos bem equipado e ainda em plena sanidade.

'Interessante...' Leo se agachou, analisando as marcas com mais atenção, percebendo que não havia marcas das palmas das mãos após cada passo, indicando que eles caminhavam de duas pernas — e não em quatro patas como bestas — e que o espaçamento entre cada pessoa era justo, quase ao alcance de um braço, o que sugeria que a coordenação do grupo ainda não tinha se desfeito.

O espaço apertado ao caminhar significava que todos confiavam uns nos outros. Diferente do grupo de Raiden, onde cada um mantinha distância por medo de traição, este grupo se movia como uma unidade.

'Um grupo estável? Talvez valha a pena falar com eles… faz cerca de 250 dias que não converso com outro humano, e eles podem ter informações sobre este mundo que eu não tenho,' pensou Leo enquanto se levantava da areia e começava a seguir as pegadas.

Ele acompanhou as pegadas por quase cinco quilômetros, com passos leves e calculados, deslizando entre as dunas abertas, com olhos fixos na trilha à frente.

A areia era macia, o ar seco, e o ambiente assustadoramente silencioso, até que não estivesse mais.

*Shing!*

*Clang!*

"Espalhem-se — formação em leque!"

De repente, o silêncio quebrou. O estrondo agudo do metal ecoou pelo ar, seguido pelo latido de comandos de combate e o ritmo inconfundível do choque de armas.

As pupilas de Leo se estreitaram e, sem hesitar, ele acelerou em direção à origem do som.

Seu manto de assassino flutuava atrás dele, botas levantando pequenos jorros de areia enquanto ele avançava, o coração batendo firme, a mana pronta para explodir a qualquer momento.

'Com quem eles estão lutando? É um verme-da-areia? Não — o som era definitivamente do metal colidindo contra o metal, como se fosse uma luta contra outro humano…' avaliou Leo, ao chegar perto da fonte do conflito e se esconder atrás do topo de uma duna baixa.

O que viu diante de si foi algo que jamais esperava: por um momento, perdeu completamente o controle das emoções, até que [Indiferença do Monarch] lhe lembrou de respirar novamente.

Antes dele, um pequeno grupo de aventureiros parecia estar preso numa luta desesperada, tentando conter os movimentos erráticos e violentos de um único oponente.

Um homem solitário — vestido com robes rasgados, com os membros se contorcendo de forma desordenada e uma grossa baba escorrendo de seus lábios rachados, movendo-se como um animal raivoso, brandindo armas com força descomunal, mas com uma precisão que vinha de um instinto totalmente anormal.

A mandíbula de Leo se cerrava.

'Karl…'

Mesmo de longe, ele reconhecia aquele rosto descontente, os olhos meio loucos e aquele sorriso malicioso que o assombrava muitas noites desde que caiu das ilhas flutuantes.

Só que agora, algo nele tinha mudado.

Totalmente diferente.

Como se um pé estivesse na realidade e o outro mergulhado na loucura.

Comentários