Assassino Atemporal

Capítulo 330

Assassino Atemporal

(Mundo Congelado no Tempo, um túnel subterrâneo desconhecido, ponto de vista de Leo)

Assim que Leo abriu o Codex, um novo texto começou a surgir em suas páginas, emitindo um brilho sutil sob o feixe de sua lanterna.

> "Você agora percebeu o segundo lampejo."

> "Vermelho Sangue—nascido do antigo instinto de dominar e destruir."

> "É a tonalidade da intenção de morte pura. Sem filtros. Sem diluição. Uma força que existe além da emoção, uma intenção tão afiada que grava sua marca no mundo ao seu redor."

> "Ao contrário da frustração, que obscurece a aura por dentro, a intenção de matar se estende para fora. Ela toca o ambiente. Deixa rastros, cicatrizes e uma pressão."

> "Você viu essa cor não porque quis matar… mas porque realmente tinha intenção."

> "Reconheça essa diferença. Acompanhe sua pulsação. Estude como ela varia quando você está calmo, como ela se acentua quando está encurralado, e como diminui quando a dúvida invade sua mente."

> "Somente ao mapear suas flutuações você aprenderá a controlá-la—a escondê-la, mascará-la ou até transformá-la numa lâmina mais afiada que qualquer arma que você empunhe."

As palavras desapareceram, mas os olhos de Leo permaneceram fixos na página vazia.

O fato de o códice reconhecer isso significava que ele não tinha imaginado. O brilho vermelho-sangue tinha sido real.

'Então agora são dois… Vermelho Borgonha e Vermelho Sangue. Frustração e intenção de matar', pensou, fechando lentamente o Codex enquanto olhava para a palma da mão aberta.

De alguma forma, ele conseguiu identificar duas das sete cores primais de aura agora, embora seu entendimento sobre elas fosse limitado.

"O Codex me mandou observar minha intenção de matar... como ela interage com o ambiente… como ela muda quando eu quero realmente matar versus quando apenas tenho a intenção… e como ela se altera quando a dúvida começa a surgir na minha cabeça…" Leo murmurou em voz alta, repetindo as instruções que o Codex lhe dera.

Por enquanto, ele só conseguiu observar a própria tonalidade, mas ainda não compreendia exatamente como ela flutuava sob diferentes estados mentais.

Ele ainda tinha um longo caminho a percorrer antes de poder afirmar que tinha alguma compreensão de verdade—quanto mais domínio—sobre sua própria intenção de matar, pois essa era uma jornada que ele tinha apenas começado a trilhar.

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200 dias passaram rapidamente para Leo, levando esse tempo todo para finalmente sair do sistema de túneis sem fim e chegar à superfície mais uma vez.

Durante esse período, seu corpo passou por mudanças drásticas.

A densidade muscular aumentou consideravelmente, enquanto sua capacidade de mana e o poder de lançar feitiços estavam quase cinquenta por cento maiores do que quando entrou neste mundo pela primeira vez.

A mana mais densa e rica do mundo Congelado no Tempo reconstruíra seu sangue de dentro para fora, tornando cada célula mais forte, maior e mais eficiente.

Demorou um pouco para ele perceber isso.

A melhora foi sutil no começo… como mudanças quase imperceptíveis na resistência, na taxa de recuperação e na resistência geral—mas, com o tempo, os efeitos do coração de mana no corpo dele tornaram-se impossíveis de ignorar.

Se antes suas circuitarias de mana resistiam e se esforçavam sob circulação em alta velocidade, agora pareciam quase sem atrito. As microimperfeições que antes atrapalhavam seus feitiços foram eliminadas, refinadas pelo trabalho passivo do Coração de Mana.

Se antes ele conseguia ativar [Vanish] em 0,8 segundos com perícia perfeita, agora fazia isso em 0,4.

Ainda na mesma classificação, mas na prática, a diferença era gigantesca. Esse segundo fazia toda a diferença entre a vida e a morte em combates corpo a corpo, e com todas as habilidades dele ganhando um enorme impulso no tempo de conjuração, era seguro dizer que sua capacidade de combate tinha avançado consideravelmente.

E, ainda assim, apesar de todo progresso em suas habilidades físicas e movimentos, se havia uma área que não teve evolução alguma, essa era o [Codex das Sete Revelações], pois ele não tinha visto avanço além das cores que já tinha descoberto.

Nos últimos 200 dias, não tinha visto uma única cor nova, já que o Vermelho Sangue de sua intenção de matar continuava sendo a única aura que ele tinha observado após o Borgonha.

Ele tinha visto essa cor brilhar ao seu redor mais três vezes nos últimos 200 dias, e numa ocasião rara, até percebeu uma leve impressão de sua própria aura ainda no corpo de uma fera que acabara de matar — como uma sombra que ainda não alcançou sua origem.

Mas além disso, nada.

Sem cores novas. Sem novas percepções.

Mesmo na tonalidade do vermelho-sangue, não havia nada de novo que pudesse levar a uma conclusão definitiva sobre como seu estado mental afetava sua intenção de matar.

O códice permanecia silencioso e frustrante, sem novos textos surgindo em suas páginas, independentemente de quantas vezes Leo abria o manual.

Porém, Leo não desistia.

Cada besta caçada, cada gole de mana absorvido, cada emoção sentida — se fosse alegria, ódio, amor ou ansiedade… ele continuava monitorando seu corpo em busca de sinais de uma nova cor, pois, embora não visse nada, sentia que estava cada vez mais perto de algo.

Por ora, ele não tinha clareza do que era isso, mas acreditava firmemente que estava no caminho certo.

E assim, após quase sete meses rastejando, matando, treinando e ficando mais forte sob a terra…

Quando finalmente viu novamente o céu cinza-alaranjado, sentiu uma pequena onda de alegria envolver seu corpo, pois a jornada até a superfície tinha sido difícil demais.

"Finalmente estou de volta à superfície...", murmurou Leo, olhando para o céu ao pôr-do-sol e soltando um suspiro aliviado, quando algo inesperado aconteceu.

Por um breve instante, viu a cor azul celeste envolvendo seu corpo. Era vibrante e leve, mas desapareceu quase tão rápido quanto apareceu, misturando-se ao céu ao entardecer.

'Huh? Uma cor nova?' pensou Leo, tentando localizar os rastros do azul celeste por todo o corpo, mas já era tarde demais.

A cor havia desaparecido, e a única forma de confirmar o que tinha visto era buscar validação no [Codex das Sete Revelações], que foi exatamente o que ele fez ao abrir o livro mais uma vez.

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