Assassino Atemporal

Capítulo 332

Assassino Atemporal

Leo observava Karl por trás da duna de areia, assistindo enquanto o traidor lutava contra os sete assassinos espalhados ao seu redor com um sorriso selvagem estampado no rosto.

Uma parte de Leo queria saltar, derrotar Karl e acabar com aquele bicho — mas algo na aura atual do homem fazia sua pele arrepiar.

A aura dele agora não parecia com a de Karl que ele se lembrava.

Parecia perigosa.

Predatória.

E, por isso, seus instintos recomendavam ficar escondido, esperar.

'Essa aura… parece de um guerreiro de Nível Transcendente. Será que esse é seu verdadeiro poder?' Leo se perguntou, apertando os olhos enquanto tentava conectar esse monstro diante dele com o cozinheiro que conhecera um dia.

O Karl que ele se lembrava era um chef fraco, de fala mansa, mestre de cozinha, com uma língua afiada e uma espinha de covarde.

Leo nunca o vira lutar de verdade — nem o considerava uma ameaça.

Mas agora?

Agora a pressão que emanava dele era artificial, como se fosse um berserker de Nível Transcendente que tivesse perdido a cabeça, e Leo não podia deixar de ficar em alerta.

Seus movimentos oscilavam entre clareza e caos, seu corpo tremia por puro instinto enquanto seus olhos lutavam para focar.

'Que velocidade é essa…?' Leo pensou, enquanto observava Karl evitar mais uma adaga voando em sua direção.

Naquele momento, ele estava no centro dos sete assassinos, cercado em círculo, mas a expressão no rosto dele dava a impressão de que não estava nem aí para ser cercado.

Ele permanecia com as costas curvadas de maneira anormal, a cabeça se contorcendo de forma irregular para um lado, enquanto a baba escorria de sua boca caída que se abria e fechava numa respiração difícil e desigual.

E, mesmo com a aparência grotesca, quando se movia, parecia um demônio.

Os pés nuos arranhando a areia com movimentos explosivos, os dedos mais parecendo garras do que mãos, e cada investida vinha com uma torção anormal de músculos e articulações que nenhum humano deveria conseguir fazer.

Os sete assassinos de Nível Gran Mestre mantinham-se firmes em um círculo apertado ao redor dele, os rostos marcados por disciplina e nervos esticados ao limite.

Porém, apesar de estarem em maior número, era evidente que estavam lutando para controlar Karl.

Cada um deles usava uma arma diferente — adagas, lanças curtas, manoplas brilhantes — todas desgastadas, testadas, marcadas por várias batalhas anteriores… demonstrando experiência, mas mesmo assim, eles tinham dificuldade em prender Karl.

"Formem um círculo mais apertado! Não deixem que ele escape! Bairon, vá para a esquerda — use [Passo Serrilhado do Vento] e corte o tornozelo dele por trás! Mantenham a formação!" gritou seu líder, uma mulher de cabelo prateado, com uma voz firme, enquanto sua trança longa balançava atrás dela.

Bairon obedeceu na hora. Seus botas brilharam com mana de vento enquanto ele se deslocava rapidamente para o lado, com uma silhueta borrada, e cortou em direção ao tornozelo de Karl, com a lâmina chegando a tocar a pele.

*Lâmina rasgando*

A lâmina escorregou, sem fazer corte, produzindo um som metálico agudo ao passar por uma pele que parecia reforçada de aço.

"Hehehehe…" Karl riu, e, ao invés de recuar da dor, ele deu uma risadinha.

Sua mão pulou para frente, apanhando Bairon pelo topo da cabeça como quem pega uma maçã, tentando apertar e explodir o crânio do rapaz.

Porém, antes que pudesse fazer isso, outro guerreiro do grupo gritou "[Contramovimento Palma de Pedra]!", e golpeou o cotovelo de Karl no momento exato, desviando o movimento fatal.

*Estalo*

O cotovelo de Karl saiu do lugar com um barulho molhado, sua mão se lançou para trás.

Mas ele não gritou.

Nem sequer fez careta de dor, apenas emitiu um gemido gutural, como se a dor lhe lembrasse que ainda estava vivo.

"Mantenha a pressão! Alterne os ângulos! Della, use [Finta Flamejante], não deixe ele encontrar o equilíbrio!" gritou novamente a líder, enquanto Della avançava com velocidade, a lança reluzindo em tom laranja, mirando o peito de Karl.

*Leve rajada*

Seu ataque quase errou, passando raspando pelo ombro de Karl enquanto o guerreiro de Nível Transcendente torcia-se na última hora — mas não o bastante rápido para escapar totalmente, e a ponta da lança de Della rasgou uma pequena porção de carne de seu braço.

"Por que ele não está sangrando?" sussurrou Della, observando o braço de Karl, ferido, mas sem sinais de sangue, pouco sangue vazando de sua ferida.

"Ele já está mutado," murmurou outro.

"Aquele corpo não é mais completamente humano." observou a líder, enquanto Karl de repente se agachava baixo e, como uma mola, saltava para cima, com a perna se formando sob o queixo de um portador de duas adagas chamado Reed, que tinha se aproximado para atacar após Della.

*Estalo*

A cabeça de Reed se projetou para trás enquanto seu corpo se levantava no ar, caindo pesadamente contra uma duna.

Sangue jorrava de sua boca, e embora se mexesse uma vez… nunca mais se moveu.

"Droga — Reed caiu!"

A equipe recuou, sem saber como reagir à morte repentina, pois tudo o que Karl precisou foi uma chute limpo no queixo — com força suficiente para matar um Gran Mestre!

*Estalo da junta dislocada*

Karl voltou a encaixar o braço deslocado com um estalo nauseante, após matar Reed, e lançou-se contra o próximo menor integrante do grupo — um garoto de não mais do que vinte anos, que mal tinha conseguido concentrar mana suficiente para uma magia de ataque explosiva.

*Socando*

Karl foi até ele antes mesmo que a magia se formasse, e sua mão perfurou o estômago do rapaz como se fosse pergaminho molhado.

*Garganta explodindo*

Sangue saiu violentamente da boca do menino, escorrendo pelo queixo em grossos jatos enquanto sua coluna se curvava grotescamente.

Seu corpo convulsionava, joelhos fraquejando, até que Karl agarrou e torceu sua mão.

Então veio o rasgo.

Com um movimento brutal para cima, o braço de Karl rasgou o torso do garoto, e o som que produziu parecia pano molhado sendo rasgado debaixo d'água.

Um jorro de entrañas saiu com um estalo nauseante, enquanto sua outra mão arranhava o interior do peito, com dedos que rasgavam os ossos e tendões, arrancando carne das costelas como se estivesse descascando uma árvore.

A boca do menino se abriu, silenciosa, como se seu grito fosse sufocado antes mesmo de sair.

Sua traqueia tinha sido esmagada no instante em que o braço de Karl atravessou seu diafragma, por isso nenhum som escapou quando morreu.

*Toc*

Quando o corpo caiu no chão, já não parecia mais uma pessoa.

Era um montinho de carne rasgada, intestinos espalhados e algo úmido e pulsante que antes era um coração.

Leo não recuou ao ver a cena chocante, mas os outros da equipe estavam claramente abalados.

Eles eram assassinos, acostumados à crueldade em suas vidas.

Já tinham infligido dor e dançado na sanguinolência dos inimigos.

Mas aquilo era diferente.

Era brutalidade — não nascida da raiva, mas de algo mais profundo — algo selvagem, insano e sem limites, e diante de tamanha selvageria até os mais corajosos tremiam.

"Acho que não conseguimos vencê-lo, Capitã… Não dá pra passar pela pele dele! Acho melhor darmos uma fuga..." sugeriu Della, enquanto a Capitã rangeu os dentes, visivelmente preocupada.

"Não…." ela respondeu baixinho.

"Ele é mais rápido que todos nós… se tentarmos fugir, um por um vamos ser pegos…. Ou enfrentamos aqui e agora, ou morremos…" — concluiu, sabendo que não tinha hipóteses de escapar desse monstro.

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