Assassino Atemporal

Capítulo 375

Assassino Atemporal

Planeta Anzol Gêmeo, Sede da Guilda Serpentes Negras, Gabinete do Vice-Guildmaster, manhã do desafio

*Anel* *Anel*

*Anel* *Anel*

O comunicador embutido na mesa de Antonio tocou, enquanto ele recebia uma ligação pelo sistema interno da guilda.

"Vice-Guildmaster", veio a voz clara do setor de segurança, enquanto o guarda que fazia a ligação soava tranquilo e composto.

"O garoto já chegou no portão. Estamos aguardando a autorização." Informou, enquanto Antonio, sentado atrás de sua mesa larga, se inclinava lentamente para frente, entrelaçando os dedos enquanto se aproximava do comunicador.

"Deixe-o passar," disse Antonio, com uma voz calma e autoritária, como se tivesse chegado a essa conclusão após muito refletir.

"Garanta que todos os protocolos sejam seguidos," acrescentou, sua voz mais grave agora.

"Todo procedimento que enviei. Quero tudo cumprido à risca. Entendeu?" Ele enfatizou, pausando por um instante na linha, até que uma resposta rápida e concisa veio: "Entendido." e a ligação foi encerrada.

Antonio tentou, por duas semanas, encontrar uma maneira de impedir a entrada de Leo na Câmara dos Cofres, mas, no final, não encontrou nada que o desqualificasse para entrar.

Por isso, quando o 14º dia finalmente chegou, ele autorizou Leo a entrar.

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(Mais tarde, nas ruas do anel interno, ponto de vista de Leo)

Leo caminhava silenciosamente entre dois operativos da Serpentes Negras, cujos uniformes opacos de cor preta tinham apenas um insignia violeta indicando sua filiação à Guilda.

Era a primeira vez que ele via um membro da guilda usando uma insígnia de tal cor, pois assumia que faziam parte de uma divisão especial que ele ainda desconhecia.

Eles não falavam. Não olhavam na direção dele. Simplesmente o conduziam, em silêncio assustador, do salão de missões até a sede da guilda.

Mesmo tentando várias vezes, Leo não conseguiu perceber o nível de força deles, que parecia estar oculto por algum artefato que escondia sua aura, o que era uma pena, pois o fazia duvidar se poderia enfrentá-los numa luta.

Quando chegaram ao prédio da sede, o trio passou rapidamente pelos postos de controle tradicionais, sem nem uma reverência aos guardas habituais, indo diretamente ao saguão das escadas privadas.

Era o mesmo saguão por onde Leo tinha passado quando foi acompanhado para encontrar o vice-Guildmaster, porém, desta vez, ao invés da segunda escada que levava ao escritório dele, pareciam aguardar pela terceira, que ficava mais à direita.

"Espere—" disse um dos dois operativos, avançando e retirando de uma bainha oculta na cintura um token fino, semelhante a uma lâmina, e o inserindo em uma fenda vertical ao lado do terceiro elevador.

*Zzzip*

Um breve brilho branco refletiu na superfície da porta, que reconheceu o token e se abriu suavemente, deixando o trio entrar.

*Música de elevador*

Começou a tocar assim que eles entraram no elevador e as portas se fecharam, enquanto Leo esperava pacientemente pelo movimento.

Porém, para sua surpresa, nada aconteceu.

Passaram-se minutos, e ele não sentiu movimento, nem solavancos, nem trancos... Nada indicava que o elevador estivesse se movendo, o que o deixou verdadeiramente perplexo.

Era uma descida sem descida.

Uma jornada sem movimento.

Ele não sabia se estavam teleportando, caindo ou sendo reassemblados em outro lugar.

E, quanto mais tempo permanecia ali, mais seus ouvidos começavam a latejar, pois uma leve mudança na pressão fazia seus ossos na mandíbula se tensionarem e suas têmporas doerem um pouco, sinalizando que, na verdade, estavam descendo — e possivelmente demais.

Então, após cerca de 10 a 12 minutos no elevador, as portas se abriram de repente, sem som, revelando um corredor envolto numa luz branca suave e artificial, que se estendia sem marcas, sem decorações, sem som.

Chamada de 'Piso Subterrâneo V', essa camada não tinha sinais ou entradas grandiosas.

Porque quem vinha para cá já sabia exatamente para onde ia.

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(Piso Subterrâneo V, Cofre da Serpentes Negras, Câmaras Pré-Segurança)

O que se seguiu foi uma série de verificações redundantes, mas precisas— primeiro, os dois operativos ao lado de Leo passaram por suas próprias inspeções, fornecendo dados biométricos e verificação de retina, tudo aceito pelo sistema sem resistência.

Só então, as portas internas se abriram com um sibilo lento, revelando a sala que Leo já imaginava, embora ainda temesse o que encontraria lá.

Sala de inspeção.

Estava mais fria aqui. Não só pela temperatura, mas pelo design, pois ele não sentia calor nas paredes de pedra, nem via encantamento na disposição do ambiente.

O que havia eram apenas paredes limpas, uma bancada longa cheia de instrumentos de detecção mágica e uma mulher de braços cruzados, de costas, observando.

Ela era mais alta que Leo, alguns centímetros, com corpo atlético, vestindo uma roupa preta ajustada, com o insignia da guilda da serpente violeta no peito, igual aos guardas ao seu lado.

Seu rosto não tinha maquiagem, sua pele castanho-cobre era lisa e severa, e seus olhos eram afiados como duas adagas, que pareciam não perder nada.

Ela se aproximou sem aviso prévio.

"Abra os braços," ordenou, com voz firme e sem emoção, enquanto colocava luvas finas de inspeção e avançava.

Leo obedeceu sem dizer uma palavra, abrindo os braços enquanto ela começava uma inspeção completa, com precisão clínica. Seus dedos percorriam o contorno do peito e dos lados, pressionando os músculos do abdômen e quadris, enquanto ela circulava ao redor dele.

Ela se movia com uma frieza estranha, sem timidez nem agressividade, apenas com foco na rotina, não na curiosidade.

Porém, Leo não pôde evitar notar a tensão em seus ombros, enquanto seus dedos passavam pela coluna dele, pressionando o espaço entre as escápulas, descendo pelas coxas e panturrilhas.

Por um momento, sua mão ficou perto da região lumbar.

"Sem bainha ou bainha oculta," ela murmurou mais para si do que para alguém.

Ela deu a volta até ficar na frente dele novamente, pegou uma varinha de detecção de mana na mesa e apontou para o seu esterno.

"Fique quieto," instruiu, enquanto o aparelho calibrava com um ronronar lento, alinhando-se ao pulso natural de sua mana.

Alguns segundos se passaram.

"Nada de mana estrangeira detectada, picos de pulso incomuns não foram encontrados," ela murmurou novamente, deixando o aparelho no lugar e olhando para os guardas.

"Gire-se e encare a parede."

Os dois obedeceram imediatamente.

"Despeje-se totalmente," ela ordenou, sem tirar os olhos dele.

Ele hesitou por um segundo, então tirou a camiseta e saiu da calça.

O underwear não foi removido de imediato, mas, sob o olhar firme dela, acabou sendo tirado também.

Ela se aproximou mais, examinando a pele dele com disciplina militar, os dedos percorrendo os braços, inspecionando as dobras nos cotovelos e pulsos, depois o torso, até tocar perto das costelas e do esterno, como se ouvisse por trás de painéis falsos.

Finalmente, ajoelhou-se diante dele, passando a mão pelas coxas internas, levantando delicadamente, e depois apoiando-se sob o local onde a coxa encontra o quadril.

Suas mãos se moveram sem hesitação, com as palmas tocando as nádegas, os dedos pressionando sem vergonha, inspecionando entre as nádegas, enquanto ela mantinha seus olhos fixos nos dele, com a frieza de alguém que já fazia isso centenas de vezes.

Leo tentou manter a expressão neutra, mas sua mente, treinada, não conseguiu evitar uma careta interna.

"Provavelmente uma das experiências mais humilhantes da minha vida," pensou, enquanto ela levantava brevemente a mão até seu queixo, girando seu rosto primeiro para a esquerda, depois para a direita, como se confirmasse que nem suas orelhas carregavam sinais.

Finalmente, ela recuou, tirou as luvas, e deu um breve sinal de cabeça.

"Liberado," disse simplesmente, entregando a Leo uma roupa nova e pedindo que a trocasse.

Essas roupas pareciam uma bata de médico, com 50% de transparência sob a luz, sem pregas que escondessem qualquer detalhe, pois a guilda se mostrava extremamente rigorosa em como permitia a entrada de visitantes no cofre.

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