
Capítulo 374
Assassino Atemporal
(Planeta Lobo Gêmeo, Anel Externo da Habitação, Um Dia Antes do Roubo)
O vento lá fora soprava suavemente pelas fissuras das janelas de vidro, mas Leo permanecia imóvel na ponta da cama, sem camisa e de pernas cruzadas, com os olhos fixos não no mundo ao seu redor, mas na tela em constante mudança de pensamentos que se desenrolava em sua mente.
Foi um dia longo de planejamento, e amanhã prometia ser ainda maior.
Ele não tinha a menor ideia dos procedimentos internos de segurança que a Guilda das Serpentes Negras utilizava para acessar o cofre, e isso o deixava bastante inquieto.
Parecia não haver informações concretas sobre quais medidas de segurança eram necessárias para invadir o cofre, já que, além do mestre da guilda e do vice-mestre, o cofre quase nunca era acessado por outros.
Por isso, ele teve que preencher as lacunas no seu conhecimento com a melhor alternativa que encontrou: pesquisando as medidas de segurança de outros cofres bancários de primeira linha espalhados pelo universo, e entendendo qual protocolo geralmente era seguido ao tentar acessá-los.
Uma rápida visita à biblioteca interna da Guilda das Serpentes Negras revelou uma coleção de tomos obscuros e registros de primeira mão sobre assaltos anteriores a cofres seguros espalhados por toda a galáxia.
E, embora os nomes e locais fossem diferentes, o procedimento antes de se acessar o cofre era sempre mais ou menos o mesmo.
Uma vistoria completa no corpo e uma varredura avançada eram procedimentos padrão.
Praticamente nenhuma organização séria pulava essa etapa, pois precisavam garantir que nada estranho entrasse ou saísse de lá.
'Essa é a parte mais óbvia, mas os idiotas do Cult que me atribuíram essa missão esqueceram disso,' Leo amaldiçoou silenciosamente, ao lembrar que eles esperavam que ele se infiltrasse no cofre carregando uma armação gigante de 1,20 metro de altura, sem um plano adequado, como se fosse algo tão fácil quanto matar um mosquito à mão.
Porém, felizmente, um ferreiro competente lhe dera uma saída.
O segundo procedimento era que itens de armazenamento, como anéis, bolsas ou pergaminhos dimensionais, jamais poderiam ser levados para dentro.
O risco era grande demais. Objetos poderiam ser contrabandeados para fora. Ou, pior, detonados de dentro para fora. Isso significava que era bem provável que seu anel de armazenamento fosse confiscado antes de entrar, só sendo devolvido após ele sair do cofre com um só item na mão.
'Isso era senso comum, mas acho que não poderei fazer planos que dependam do meu anel de armazenamento,' Leo concluiu, considerando essa segunda medida como um pequeno incômodo que poderia ser contornado.
Porém, o terceiro procedimento tornava tudo um pouco mais complicado.
Algumas instituições utilizavam feitiços arcanos de detecção que podiam perceber runas ocultas ou sigilos insculpidos diretamente na pele ou sob as vestes do invasor, para garantir que ninguém levasse encantamentos ou ferramentas escondidas.
Nesses casos, o invasor era frequentemente obrigado a se despiar, para provar que não carregava tais aprimoramentos.
Porém, como Leo não tinha marcas suspeitas ou tatuagens que levantassem suspeitas, não estava particularmente preocupado com essa etapa.
Na verdade, eram os procedimentos quatro e cinco que realmente o perturbavam.
Segundo os livros que ele havia lido, os invasores de cofres seguros frequentemente eram obrigados a tomar uma poção de vômito antes de entrar, pois deveriam vomitar tudo o que estivesse na boca, no peito ou no estômago, antes de serem autorizados a entrar.
Esse procedimento garantia que ninguém carregasse objetos escondidos na garganta, na cavidade torácica ou no estômago.
Ou seja, seu plano inicial de engolir a bola do chaveiro pouco antes de entrar no cofre e vomitá-la depois não era mais viável.
E isso também significava que seu único plano de backup agora era engolir a chave de raça do chaveiro treze horas antes do roubo e depois empurrá-la para fora pelo outro lado.
'Detesto isso,' pensou Leo, pois era algo humilhante e indigno de um verdadeiro profissional, embora fosse a opção mais segura disponível.
Porém, enquanto o quarto procedimento representava um inconveniente relativamente fácil de resolver, o quinto era um problema que só poderia depender do acaso.
Pois, se os Serpentes colocassem um observador dentro do cofre — seja um guarda, um oficial de alta patente ou até uma câmera de vigilância — isso bastaria para anular toda a missão.
Porque, mesmo que ele conseguisse tirar a chave com sucesso, e permanecesse calmo sob observação, não haveria chance de montar o portal dimensional, como instruído pelo Mestre Argo, se estivesse sendo vigiado o tempo todo.
Portanto, se esse observador de fato estivesse presente, Leo sabia que o melhor a fazer era não arriscar sua vida tentando executar o plano, e optar por recuar, que era a única atitude racional naquelas condições.
Pelo menos por enquanto, a vida ainda valia mais do que o orgulho, já que ele tinha consciência de que um eu morto não poderia proteger sua família.
No entanto, embora o quinto procedimento de segurança fosse muito difícil de contornar, era também raramente colocado em prática.
A maioria das organizações não permitia que seus guardas vissem o que havia além dos portões do cofre — não porque confiassem na visita, mas porque não confiavam em ninguém.
Guardiões eram descartáveis. Segredos, não. E por isso a chance de alguém ser vigiado dentro do cofre era mínima, embora não totalmente impossível.
E essa informação lhe trazia algum alívio.
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Após refletir sobre o que poderia dar errado no assalto, a mente de Leo passou a planejar sua rota de fuga.
Ao contrário do drama habitual, ele não pretendia desaparecer assim que recebesse sua recompensa.
Isso só levantaria suspeitas.
Em vez disso, ele planejava permanecer, misturar-se, agir como um estudante orgulhoso que tinha apenas coletado seu prêmio legítimo.
Depois, algumas horas depois, pretendia fingir que faria uma viagem de volta empolgada para o Planeta Rodova — uma estratégia que já tinha ensaiado na cabeça dezenas de vezes.
Assim que estivesse a bordo da nave de transporte privada, provavelmente levando-o sozinho, ele atacaria ao neutralizar rapidamente o piloto, antes de reprogramar o trajeto da nave para desviar para uma zona morta em órbita distante.
Pois, ao chegar lá, uma nave de transporte do Cult já estaria esperando para buscá-lo, conforme o acordo já feito.
De lá, o caminho era simples.
Pegar direto para Vorthas, para reencontrar sua família.
Porém, se algo desse errado — se a suspeita recaísse sobre ele prematuramente, ou se ele não conseguisse pegar a recompensa sem levantar suspeitas — ele abandonaria o voo e ficaria por lá, fingindo ser um membro inocente da guilda.
Não se importava de ficar mais uma ou duas semanas em Twin Fang, mas queria que sua saída fosse rápida e limpa.
Ele não queria envolver-se numa perseguição intergaláctica.
"Acho que amanhã vai ser mais um dia de nervosismo," pensou Leo, sem sequer imaginar qual recompensa queria levar do Cofre das Serpentes Negras.
Estava tão absorvido nos planos da invasão que nem parou para pensar na recompensa legal que poderia tirar dali — pois, neste momento, completar a missão parecia ser a única recompensa que interessava a ele.