Assassino Atemporal

Capítulo 376

Assassino Atemporal

(Nível V do porão, Câmara de Inspeção, segundos depois)

Leo atravessou a porta deslizante da câmara de inspeção, agora usando o robe de algodão semitransparente que grudava desconfortavelmente na pele, enquanto o ar frio da sala ao lado picava seu peito e suas coxas.

Os dois operativos marcados com o símbolo violeta o seguiram bem de perto, seus passos silenciosos como sempre, conduzindo-o por um corredor estreito e estéril que se curvava levemente para a esquerda.

No final desse corredor havia uma alcova forrada de aço, com um único banquinho de metal, sobre o qual repousava um frasco de cristal selado, preenchido com um líquido iridescente de coloração verde que brilhava suavemente sob as luzes fracas do teto.

"Beba," ordenou um dos operativos, com tom seco mas não rude.

Leo deu um passo à frente, pegou o frasco, desenroscou a tampa e, sem cerimônia, virou-o na boca.

O sabor era horrível... grosso, ácido, e vagamente metálico, como cobre podre misturado a algas marinhas, e, segundos após engolir, seu corpo reagiu violentamente.

Seu estômago revirou enquanto bile subia pela garganta, e ele cambaleou de joelhos ao lado do banquinho de metal, antes de vomitar no chãogradeado.

*Hurk—*

A primeira dolla trouxe um fluxo de líquido transparente, seguida por uma segunda que arrastou pedaços mais espessos de ácido estomacal translúcido, todos silvando suavemente ao entrarem no ralo encantado, antes de escorrerem em globos sucessivos.

*Hurk—*

Na terceira tentativa, nada saiu além de uma dor aguda nas costelas, enquanto Leo tossia roucamente e limpava os lábios com o dorso do pulso, seu corpo tremendo de convulsões.

Mas, quando a crise passou, ele se levantou, respirando pesadamente, porém com maior estabilidade, o rosto pálido mas com olhos aguçados.

"Que Deus agrade que não adotei o plano do vômito, ou teria sido revelado aqui mesmo," pensou, sentindo-se estranhamente satisfeito por sua decisão de engolir a pulseira de chaves 12 horas antes, como plano de backup — por mais pouco digno, havia dado certo.

Os dois operativos observavam atentamente seu vômito, mas, ao não encontrarem nada de relevante, trocaram olhares antes de sinalizá-lo para que avançasse novamente.

Passaram por um último arco de segurança, cuja moldura curva gravada com runas pulsava suavemente em branco enquanto escaneava o corpo de Leo uma última vez.

Quando nenhuma sirene soou, a porta final se revelou, dividindo-se ao meio com um sussurro de ar.

Ali além estava o verdadeiro caminho até o cofre.


*Passo*

*Passo*

Caminhando pelo corredor estreito de cem pés que levava até a porta do cofre, Leo sentiu uma estranha pressão pairando sobre ele.

Esse corredor não tinha guardas, mas parecia ter uma parede falsa, um falso obstáculo.

Enquanto sentia uma constante sensação de inquietação, como se algo mortal fosse surgir da parede no momento em que alguém que não deveria estar ali tentasse passar.

No entanto, era um instinto que ele nunca conseguiu confirmar, pois logo chegou à porta do cofre.

A porta era imensa, aproximadamente 12 metros de altura por cerca de 7,5 metros de largura, parecendo feita de um metal que Leo não conseguia compreender totalmente.

Sua superfície brilhava suavemente com sigilos dourados que se rearranjavam continuamente, como se fossem uma escritura viva.

Seu perímetro não tinha fechadura, painel ou código para abrir, apenas um anel metálico liso e três pequenas ranhuras que, à primeira vista, pareciam não ter função mecânica evidente.

"Espere—" disse um dos operativos, ao tirar a mesma peça de token semelhante a uma lâmina que usara antes, embora desta vez, ele desencaixou uma segunda do companheiro e colocou ambas nas ranhuras ao lado do selo principal.

Um suave *click* ecoou.

Depois, os dois colocaram as mãos sobre um painel de glifos que começou a brilhar no topo da porta do cofre.

Um ruído mecânico baixo ecoou pelas paredes, seguido por um som mais profundo e primal — um *HISSSSS* gutural — enquanto a pressão dentro da câmara se ajustava, sugando o ar suavemente para dentro antes de se estabilizar.

O cofre havia perdido pressão, e sua extremidade subitamente saiu da parede ao redor, abrindo-se automaticamente até aproximadamente 27 graus, o suficiente para que um homem pudesse entrar.

Quando o cofre se abriu, os dois guardas imediatamente deram um passo para trás, em uníssono, e de costas para a porta, como se não ousassem nem espiar seu interior.

"Você tem trinta minutos para decidir uma vez que estiver lá dentro," disse o que estava à sua esquerda.

"O ar dentro só dura trinta minutos," respondeu o de sua direita.

"Depois disso, essa porta vai se fechar," continuou o da esquerda.

"E você ficará preso lá dentro, sem respirar, sem escapar, e sem ninguém para salvar você," completou o da direita.

"Portanto, tome sua decisão dentro do prazo e volte antes que o ar acabe," concluiu o da esquerda, ainda de costas.

Leo assentiu com um curto gesto.

"Entendo," disse com voz firme.

Então, sem hesitar, passou pelo portal, cruzando o limiar em direção ao cofre.

O ar lá dentro era frio, incrivelmente quieto, e tinha um leve cheiro de cobre e pergaminho antigo.

*Estalo*

A porta do cofre deslizou para trás com uma finalização quase suave, e uma placa verde brilhante com a palavra 'Abrir' apareceu na parte traseira da porta, enquanto um cronômetro marcava 30:00 minutos.

Leo deduziu que tocar naquele sinal de 'Abrir' permitiria que ele saísse, então aplaudiu as mãos e agradeceu aos deuses por ter aquele lugar só para si, pois, ao menos, não tinha guardas físicos vigiando.

"Sem observadores, também sem câmeras, vou conseguir prosseguir com o plano do roubo," pensou imediatamente, examinando o interior do cofre enquanto sua visão percorreu o chão, as paredes e o teto.

O espaço era vasto, muito maior do que esperava, como uma cúpula vazada entalhada na parte mais profunda da Terra.

Prateleiras altas margeavam as bordas, empilhadas até o topo com relíquias, armas e lingotes metálicos selados atrás de vidro mana reforçado.

Fileiras de plataformas iluminadas no centro do cômodo, cada uma sustentando um artefato diferente, suspensos em campos de estabilidade suave.

Perdizes que brilhavam com correntes rúnicas.

Espadas que cintilavam com camadas elementais dobradas.

Joias que pulsavam como corações adormecidos.

Sem dúvida, era a maior exposição de magia que ele já tinha visto.

E, ainda assim, Leo ignorou tudo isso.

Porque seus olhos não estavam ali para admirar.

Suas mãos não estavam ali para pegar.

Sua missão não era pegar uma recompensa, mas completar a preparação do roubo que planejava fazer, então ele sorriu entre cerrado e cauteloso, enquanto vasculhava as paredes em busca de qualquer coisa incomum, como câmeras, olhos mágico-flutuantes ou runas de detecção sonora, mas, por mais que examinasse, nada revelava o interior.

Parecia que não havia artefatos mágicos embutidos nas paredes, nem sinais de vigilância, nem vestígios de uma presença que pudesse trair seu próximo movimento.

Mas, para ter certeza, ativou a [Visão Absoluta] para fazer uma varredura profunda e, embora os artefatos de mana no recinto brilhavam com energia sobrenatural, as paredes se mostraram apenas metal reforçado, sem dispositivos ocultos.

Parecia que as serpentes negras, na sua arrogância, supunham que ninguém chegaria tão longe e não se deram ao trabalho de incluir essa segurança.

E assim, Leo respirou fundo, relaxou os ombros e começou a trabalhar, pois o cronômetro na parede já marcava 28:20.

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