
Capítulo 377
Assassino Atemporal
(Nível V do Subsolo, Dentro do Cofre, Timer: 28:19)
“Tenho que começar a agir... Passo 1, pegar o bendito porta-chaves,” murmurou Leo consigo mesmo, enquanto seu rosto ficava vermelho de nervoso só de pensar no que deveria fazer a seguir.
Ele olhou ao redor novamente, com os olhos estreitando-se, certificando-se de que não havia dispositivos de gravação o observando....
Embora já tivesse confirmado que estava fora do alcance com [Visão Absoluta], a ideia de fazer a coisa abertamente ainda o fazia arrepiar.
'Sei que ninguém está assistindo. Mas mesmo assim—'
Ele não conseguia se imaginar fazendo aquilo em público.
Essa sempre foi a pior parte do plano para ele, pois havia secretamente esperado que houvesse um guarda de prontidão, garantindo que ele nunca precisasse completar essa etapa; porém, o destino parecia ter outros planos.
Parecia que hoje, o próprio destino queria que ele realizasse o ato humilhante de puxar um objeto engolido de um lugar onde ninguém, com um mínimo de dignidade, gostaria de colocar a mão.
E para completar, ele teria que fazer isso sozinho, em uma sala cheia de artefatos valiosos e pedestais de vidro mágicos reforçados, que valiam pelo menos algumas centenas de milhões de MP cada.
'Vou morrer de vergonha se Chaosbringer ou alguém do Levante descobrir que o poderoso “chefão” já fez cocô na câmara do tesouro,' pensou ele sombriamente, enquanto só o pensamento fazia arrepiar-se involuntariamente.
'Sei que provavelmente não deveria precisar, mas ainda assim acho melhor seguir o plano de contingência que criei, por respeito a mim mesmo...' Leo pensou, enquanto corria em direção ao objeto mais próximo, usando ao mesmo tempo o [Mundo Espelho] para invocar um clone perfeito que imitava imediatamente sua postura e expressão.
Naquele mesmo instante, ele ativou o [Desaparecer], envolvimento invisível de seu corpo, enquanto se agachava escondendo seu corpo atrás de um dos pedestais de artefato, na posição de despejo.
De um lado, o clone assumiu a postura, caminhando com um andar natural, com as mãos nas costas, enquanto inspecionava os campos de estase e os itens mágicos com interesse calmo.
E, do outro, o verdadeiro Leo puxou seu manto de lado, abaixou-se ainda mais e se preparou mentalmente.
'Tudo bem. É só fazer isso. Rápido. Fácil. Limpo.'
Ele pressionou as mãos contra o chão de metal frio, respirou fundo e começou a exercer pressão—devagar, deliberado, cada vez mais desajeitado.
Seu maxilar ficou tenso. Suas pernas tremeram um pouco, enquanto o vestido grudava de forma pouco ajudadora às suas coxas.
'Deus, isso é a coisa mais humilhante que já fiz na minha vida.' Pensou ele, enquanto segundos passavam e nada acontecia.
Ele insistiu mais uma vez.
Ainda nada.
E então—
*Plof*
Um som metálico suave caiu ao lado dele, e Leo quase suspirou aliviado antes mesmo de olhar para baixo.
Estava lá. O mini porta-chaves preto, coberto por uma fina camada de muco, mas, felizmente, só isso.
'Graças aos deuses da digestão,' pensou, enquanto segurava o porta-chaves com dois dedos, tomando cuidado para não encostar diretamente, e ativou imediatamente o [Chama Sombria] para queimar e limpar o objeto.
*Uish*
Ele teve cuidado para não danificá-lo, ativando a chama por um instante e depois parando, garantindo que o encantamento do pequeno porta-chaves permanecesse intacto.
'Pois é, nunca mais faço isso de novo,' concluiu Leo, sem se sentir orgulhoso do que conseguiu, preferindo a ideia de apagar essa memória de sua mente para sempre.
Depois, sem perder tempo, endireitou as costas, respirou fundo mais uma vez e começou a procurar no cofre o melhor lugar para montar um Portal Dimensional. Ao olhar ao redor, viu alguns pedestais de objetos vazios em um canto, que provavelmente podiam suspender um item em estase vertical, mas estavam atualmente fora de serviço, pois não tinham nenhuma joia para segurar.
'Isso parece perfeito!' pensou ele, já que disfarçar a estrutura como uma joia parecia a melhor estratégia a seguir.
Faltando vinte e sete minutos.
Notou no relógio enquanto se apressava em direção a um dos pedestais vazios, começando a ativar o porta-chaves na sua mão para puxar o quadro de mana de dentro dele, conforme instruções do Mestre Argo.
Enquanto isso, lá nos níveis superiores do Quartel-General da Guilda, Antonio recostou-se na poltrona de couro, com as pernas preguiçosamente apoiadas sobre a longa mesa polida, segurando em uma das mãos uma xícara de porcelana quase cheia, e na outra, um pequeno artefato com moldura de ouro, que parecia um espelho com a largura de uma palma, mas com runas brilhantes gravadas ao longo das bordas.
O vidro pulsava suavemente em tons de verde e dourado, sincronizado com sua mana, exibindo uma vista aérea perfeita da câmara do cofre abaixo.
Ele girou o chá na xícara, observando os movimentos de Leo com interesse moderado.
"Hm… ele está escaneando o teto primeiro, hein?" comentou Antonio em voz alta, enquanto seus dedos batiam duas vezes na borda da xícara.
"Não me surpreende. Assassinos adoram mapear a zona de ataque primeiro."
Ele deu uma risada baixa e tomou um gole do chá, sem tirar os olhos do reflexo.
"Procurando uma câmera? Ela nunca esteve nas paredes, garoto," sussurrou, divertido.
O espelho em sua mão era um artefato (Semi-Divino) que podia mostrar a ele a vista aérea de qualquer lugar que ele tivesse visitado pessoalmente nos últimos seis meses, não importando a distância.
E, como Antonio tinha estado no cofre nos últimos seis meses, podia ver cada ação de Leo com clareza total.
Ele observou Leo, que, após procurar por câmeras na sala, virou uma bola de movimento rápida, correndo para o artefato mais à esquerda na sala, parando apenas ao alcançá-lo, antes de se inclinar sobre ele, enquanto lia a placa de descrição fixada abaixo.
De um lado, parecia tudo certo, nada muito suspeito, mas por outro, algo na sua movimentação repentina parecia... estranho.
Por um breve instante antes de começar a correr, quase um segundo, sua forma parecia piscar de forma anormal, como uma ondulação na água ao luar.
Para os olhos treinados e transcendentais de Antonio, parecia uma rachadura.
Mas, com o espelho em sua mão mostrando apenas 120 quadros por segundo, ele não tinha como ter certeza do que viu, como se estivesse assistindo a tudo ao vivo diante de seus próprios olhos.
"Que diabo?"
Sorriso de Antonio se suavizou um pouco enquanto ele se inclinava, estreitava os olhos e tocava duas vezes na lateral do espelho.
A transmissão permanecia perfeitamente estável.
Sem travamentos.
Sem mais divisões estranhas.
E, mesmo assim, o que ele tinha visto não deixava dúvidas: foi uma rachadura.
"Hm... Estou sendo paranoico demais?" murmurou, com a voz baixa e os olhos afiados.
"Ou o garoto tentou alguma coisa bobona?"
Ele ficou imóvel por um longo momento, ponderando as variáveis em sua cabeça.
Depois soltou um suspiro e se levantou lentamente, colocando o espelho de volta à sua caixa revestida de veludo com cuidado.
"Melhor prevenir do que remediar," afirmou, caminhando ao redor de sua mesa, enquanto seu sobretudo arrastava-se pelos lados das botas.
O passeio de elevador até o cofre levaria bastante tempo, pois primeiro precisava descer ao hall, depois trocar de elevador para o Elevador 3, e de lá, uma descida completa até o Nível V do Subsolo levaria, no mínimo, doze minutos. Isso significava que Leo poderia já estar fora do cofre quando ele chegasse, mas Antonio decidiu ir mesmo assim.
Como vice-mestre da Guilda, era seu dever garantir que tudo estivesse sob controle com seus próprios olhos; se Leo estivesse mesmo inventando alguma pegadinha, tinha que ser punido antes que conseguísse prejudicar a instituição.