
Capítulo 361
Assassino Atemporal
(Planeta Dual Fangs, Quartel-General da Guilda Serpentes Negras, Escritório do Vice-Guildmaster)
Antonio ocupou seu assento atrás da ampla mesa do escritório, os dedos já deslizando pelo painel de cristal embutido para abrir o arquivo de missão de Leo, seus olhos afiados vasculhando o conteúdo com uma intensidade silenciosa.
O ambiente dentro do cômodo estava calmo, salvo pelo ocasional som de toques dos dedos de Antonio, enquanto ele passava pelos dados da missão de Leo.
À sua frente, Leo sentava-se com uma expressão serena, a postura relaxada, mas atenta, o brilho calmo nos olhos não revelando sinais de cansaço ou insanidade, algo que imediatamente chamou a atenção de Antonio.
"Hm."
Antonio recostou-se na cadeira, uma perna cruzada sobre a outra, enquanto continuava a leitura.
"Quase um ano," ele murmurou para si mesmo. "Você ficou exposto à mana contaminada do mundo parado por um ano inteiro, e ainda assim não mostra sinais de colapso mental; sua resistência mental deve ser de nível elite,"
Ele tocou a mesa suavemente, o som sendo sutil, porém deliberado.
"Normalmente, quando temos candidatos que retornam do mundo parado após uma estadia prolongada de 180 a 200 dias, eles apresentam sinais de esquizofrenia e dificuldade para dormir à noite.
No seu caso, parece estar bem—"
Seus olhos retornaram a Leo.
"Ou você é mais forte que a maioria… ou está escondendo algum segredo que eu desconheço."
Leo não disse nada, apenas deu uma leve shrug de reconhecimento — nem confirmando, nem negando.
O olhar de Antonio baixou enquanto ele continuava a leitura, parando em uma seção marcada em vermelho.
[Membro da equipe: Karl Maxtern.
Nível de ameaça: Alto.
Afiliação: Culto do Mal.
Observações: Captura imediata em caso de retorno]
A expressão do Vice-Guildmaster não mudou. Ele leu, digeriu, e então fechou o painel com um movimento rápido do pulso, deixando a discussão para depois.
Em vez disso, ele se inclinou para frente, entrelaçando as mãos, sua voz assumindo um tom mais concentrado.
"Então… vamos ver. Onde está o metal-âncora?"
Leo, prevendo o pedido, assentiu com a cabeça e pegou, dentro do anel espacial, o bloco de metal-âncora, colocando-o na mesa com um suave *Toc*.
Os olhos de Antonio se estreitaram.
Mesmo sem tocar ou escanear, ele podia sentir.
O metal-âncora. Pesado. Puro. Saturado de uma energia mais antiga que a maioria dos planetas do ciclo galáctico atual.
Porém, ele não o tocou.
"Por favor," disse, com a voz fria, porém firme, "libere tanto seu anel espacial quanto sua bolsa."
Leo se enrijeceu um pouco.
Não havia agressividade na voz de Antonio, mas a mensagem era clara: transparência completa… ou total desconfiança.
Um longo segundo passou até Leo assumir um leve gesto de aprovação com a cabeça.
Ele destravou seu anel e sua bolsa, esvaziou ambos sobre a mesa, onde pequenos osculos de objetos caíram na superfície lisa:
Pacotes de rações, poções de mana, pedras de mana, óculos de visão noturna, cordas grossas, pedras de luz, um kit de iniciação de fogo, alguns pergaminhos antigos do conclave, e algumas granadas de gelo roubadas.
Entretanto, não havia mais nenhum metal ou qualquer item suspeito que pudesse indicá-lo como uma ameaça.
Antonio observou a disposição dos objetos, seus dedos desenhando círculos preguiçosos no ar enquanto uma fina pulsação de mana violeta saía de sua palma e atravessava os itens, vasculhando encantamentos ocultos ou objetos disfarçados.
Nada piscou.
Não houve leituras falsas.
Após alguns segundos, ele assentiu de relance e recolocou o anel e a bolsa na mesa, empurrando-os em direção a Leo.
"Obrigado pela cooperação," disse calmamente.
Só então, ele finalmente tocou o metal-âncora, pegando-o com uma facilidade surpreendente e segurando entre as palmas, aproximando-o dos olhos para inspeção.
Por um instante, permaneceu em silêncio, os olhos fixos apenas na matéria estranha em suas mãos, uma expressão de preocupação lentamente se formando na testa.
"Consigo detectar rastros de encantamento neste—" disse, enquanto Leo assentia e mostrava as marcas de queimadura em sua palma.
"Assim que o segurei, o metal queimou uma marca na minha pele em uma linguagem antiga que não consigo ler."
"Acho que foi encantado para proteger contra furtos," respondeu Leo, enquanto Antonio examinava de perto suas palmas, finalmente assentindo, aparentemente satisfeito com a explicação.
Até aquele momento, a entrevista tinha decorrido bem para Leo, mas isso se devia à sua precaução de já ter enviado o metal antes de vir aqui buscar suas recompensas; se não tivesse feito isso, teria sido pego na hora em que Antonio pediu para verificar seu anel e bolsinha.
'Esse cara é minucioso—' pensou Leo internamente, sentindo a pressão aumentar conforme Antonio intensificava sua inspeção.
"As pedras de mana que você trouxe do Mundo Parado ainda exibem vestígios de corrupção suave, provavelmente devido à exposição prolongada à mana contaminada daquele ambiente. Então sim, acredito que você esteve lá," disse Antonio, examinando cuidadosamente as pedras na mesa.
"Os registros da guilda também confirmam sua entrada e retorno."
Ele recostou-se na cadeira, sua expressão ficando mais séria.
"Dito isso, acreditar apenas não basta."
Sua voz ficou mais firme.
"Preciso de um relato completo do que aconteceu com você e sua equipe dentro do Mundo Parado. Só assim poderei marcar a missão como concluída e autorizar sua recompensa."
Cruza os braços e fixa o olhar em Leo.
"Comece do começo. Conte como perdeu seus companheiros ou como se separou deles. Explique as medidas que tomou para proteger sua mente da corrupção do mundo. Descreva como identificou o Operativo do Culto do Mal e o que fez com ele. E, por fim, explique como conseguiu recuperar o metal-âncora e sair vivo."
Sua voz era calma, mas inflexível.
"Não deixe nada de fora. Tome seu tempo e me guie por tudo.
Leo respirou lentamente. Já previa exatamente esse momento e tinha sua história bem preparada há um tempo.
O relato dele era verdadeiro na maior parte, com apenas uma omissão: não falou sobre ter encontrado o Conclave ou sobre sua reunião com Moltherak.
Pois esse era o trecho que preferiu guardar para si mesmo.
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Antonio ouviu toda a narrativa com atenção, interrompendo de tempos em tempos com perguntas incisivas, às quais Leo respondeu com precisão e compostura.
Quando a história finalmente chegou ao fim, até mesmo o experiente Vice-Guildmaster ficou surpreso—momentaneamente sem palavras diante da magnitude das dificuldades que Leo conseguiu superar.
"Ainda não consigo acreditar que você conseguiu derrotar um operante de culto transcendente apenas sendo um Grande Mestre," disse Antonio, com a voz baixa, misturando admiração e incredulidade. "Poucos guerreiros no universo poderiam fazer isso."
Seu tom, que começou com uma postura de suspeita moderada, agora carregava uma nota de respeito evidente.
A história de Leo tinha sido impecável—detalhada, coerente e sem exageros. Era um relato que não só merecia crédito pelo que dizia, mas também pela forma como foi apresentado.
"Vou admitir… se não houvesse testemunhas para confirmar suas palavras, provavelmente teria descartado a maior parte como bravata," disse Antonio, recostando-se na cadeira. "Mas, de qualquer forma, vou verificar tudo. É procedimento padrão."
"Claro," respondeu Leo de forma tranquila, assentindo uma vez. "Por favor, faça isso. Nunca tive motivos para me gabar nem para exagerar."
Antonio deu um leve sinal de aprovação com a cabeça.
"Venha comigo," disse, levantando-se. "Guerreiros do seu nível geralmente não têm uma audiência direta com o próprio Guildmaster—mas acho que uma exceção é justa."
Fez um gesto na direção da porta.
"Vamos levar esse metal até ele pessoalmente. Suspeito que Dupravel ficará muito interessado em conhecê-lo."
Com isso, os dois entraram novamente no elevador privado, subindo em direção ao Piso 72—a nível reservado ao escritório pessoal do Guildmaster.