
Capítulo 362
Assassino Atemporal
(Sede da Guilda das Serpentes Negras, a caminho do escritório do Mestre da Guilda, 72º andar)
A música do elevador privado tocava suavemente enquanto subia, o indicador de piso azul acima das portas marcava lentamente cada nível.
Antonio permanecia de pé com as mãos cruzadas atrás das costas, os olhos fixos nas portas de metal polido enquanto falava sem se virar.
"Antes de entrarmos", disse ele, a voz mais baixa que o habitual, "gostaria de pedir que desculpe o comportamento do Mestre da Guilda. Ele... está lidando com alguns assuntos pessoais."
Leo levantou uma sobrancelha diante dessa advertência incomum, mas não disse mais nada além de um aceno breve.
*Ding.*
As portas do elevador deslizaram silenciosamente com um som de sibilo.
Leo avançou—e parou congelado.
A sala além não era nada do que ele esperava.
Lá, sentado descalço em cima da mesa reforçada, como uma fera empoleirada, estava Monarch Dupravel Nuna, Mestre da Guilda das Serpentes Negras.
O capa rasgada caía de seus ombros como uma pele de animal solta, enquanto seus cabelos selvagens e emplastados caíam ao redor do rosto em mechas oleosas. Entre os dentes, tinha um estilhaço roído do que tinha sido um lápis—os fragmentos alinhados nos cantos de seus lábios rachados.
Seus olhos... fundos, irados e trêmulos, travaram contato com Leo assim que ele apareceu.
"Grrrr..."
O som não era uma saudação. Nem mesmo uma fala. Era um aviso soturno, gutural, metade uivo, metade instinto animal.
Leo se enrijeceu de forma instinctiva, cada fibra treinada do seu corpo se tensionando, enquanto seu cérebro tentava conciliar a presença avassaladora de poder que emanava dessa... criatura... com a imagem de um homem destruído.
Mas antes que pudesse reagir mais, Antonio deu um passo à frente de forma abrupta.
"Dupravel. Comporte-se."
Sua voz cortou o ambiente como o estalar de um chicote.
"Este garoto trouxe a Matéria-Prima do Metal do Origem que você queria tanto. Ele foi quem completou sua missão. Ele é a razão de que esta guilda provavelmente não vai quebrar. Então, trate-o com respeito."
Por um longo momento de tensão, Dupravel não se moveu.
Depois, com a graciosa CLUMES e desajeitada de alguém que está tentando lembrar como ser humano, ele deslizou da mesa e caiu na cadeira. Seus ossos rangeu. Sua postura permaneceu curvada, mas a respiração acalmou.
Pela primeira vez, ele olhou para Leo—notando-o como uma ameaça ou um simples inseto, mas como um ser humano.
Seus olhos estreitaram-se, focando, procurando, enquanto se inclinava para frente e murmurava—
"…Você é o... que traz... o meu passaporte de volta pra casa?"
Leo deu um passo à frente, mantendo a expressão tranquila, as mãos relaxadas ao lado do corpo.
"Sim", respondeu calmamente. "Sou eu quem trouxe de volta."
Dupravel cerrou os olhos, como se as palavras não fossem imediatamente compreendidas até rodar em sua cabeça por mais alguns segundos.
Então, seus olhos tremeram.
"Como você passou... pelo padre louco de olhos violetas?" perguntou, cada palavra saindo como uma pedra de cascalho atravessando sua garganta.
No entanto, Leo não vacilou diante da pergunta.
"Fui muito fraco para o padre se preocupar em me matar", respondeu honestamente, enquanto um som baixo e engasgado rolava na garganta de Dupravel—um ruído que poderia ter sido uma risada… ou o começo de uma outra crise.
"Veja isto—" ele orientou, inclinando-se para trás e começando a arranhar as dobras de sua túnica até que sua mão encontrou o rasgo na bandagem do peito.
"Ugh,"
Com um grunhido lento, ele puxou o tecido de lado, revelando uma cicatriz retorcida, irregular, quase um metro de comprimento, que cruzava diagonalmente sua caixa torácica, a carne ainda levemente descolorada com marcas de magia da maldição.
"Padre louco se junta ao herói de prata... para cortar meu peito", murmurou, batendo na cicatriz com certo orgulho sombrio. "Eu, mal sobrevivi."
Leo assentiu lentamente.
Não havia descrença em seus olhos, apenas compreensão. Tendo enfrentado os dois, sabia exatamente o quão poderosos eles realmente eram.
Antonio, que permanecera em silêncio respeitoso, avançou agora e colocou o bloco de Metal do Origem sobre a mesa entre eles.
Ele fez um som metálico baixo ao tocar na mesa, enquanto a mão de Dupravel imediatamente avançava para agarrá-lo.
*Apertar*
Amarrando-o como um homem faminto amarra pão, o Mestre da Guilda encarou o bloco de metal do Origem com olhos vívidos e febris.
Seus dedos tremiam, suas unhas compridas e não aparadas arranhavam suavemente sua superfície.
Por alguns segundos, o ambiente ficou em silêncio novamente, a gravidade do momento intacta.
Até que, alguns segundos depois, Dupravel finalmente olhou para cima.
"Boa... garoto," grunhiu ele.
"Agora te perdoo por ter vencido meu filho na final."
Ele virou a cabeça na direção de Antonio, nodding.
"Dê a recompensa."
Leo fez uma reverência com graça treinada, a voz calma.
"Fico honrado com suas palavras, Mestre da Guilda. E aceito a recompensa."
Antonio ficou em silêncio, mas o mínimo de um sorriso sutil apareceu nos seus lábios—foi o mais próximo de uma expressão de satisfação que Leo tinha visto desde que começaram a conversar.
Enquanto isso, Dupravel continuava a segurar o Metal do Origem contra o peito, balançando levemente na cadeira como um lunático acalmando uma criança.
"Eu disse, Antonio", mugiu quase convencido, "que essa missão... não é impossível. Aranhas como ele... podem completá-la."
O sorriso de Antonio se abriu um pouco mais enquanto cruzava os braços.
"Talvez você ainda não esteja completamente senil, velho amigo. Talvez ainda tenha alguma(1) inteligência aqui", disse sob o sorriso, enquanto Dupravel, ou não lhe ouvia, ou preferiu não responder.
Em vez disso, ele continuou a balançar o Metal do Origem... enquanto a loucura em seus olhos piscava como a luz de uma vela morrendo.
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Leo foi dispensado do escritório de Dupravel logo depois da confirmação de que o Metal do Origem era verdadeiro, e, ao retornar pelo quartel-general da guilda, ainda tinha dificuldade em acreditar em quão longe tinha caído o outrora enigmático Monarch.
Ele tinha assistido Dupravel durante os Circuitos Interestelares e sabia, em primeira mão, o quanto o homem tinha sido poderoso e carismático.
Mas a versão que encontrou hoje era apenas uma casca daquela lenda.
'Se eu denunciar isso ao culto... eles tentarão assassinar o Dupravel?' pensou Leo, soltando uma risada seca ao imaginar.
Antes de partir, Antonio informou que, tanto na recompensa em ouro quanto no item do cofre, ele poderia retirar qualquer uma delas na sala de missões em duas semanas, onde a equipe já estaria informada para esperar por ele.
Isso lhe dava uma janela de duas semanas para planejar mais um assalto—um que, em termos de dificuldade, era bem mais fácil que o último. Contudo, diferente do trabalho anterior, onde cada elemento estava sob seu controle, desta vez ele teria que confiar completamente no Culto do Mal para fazer o plano funcionar, o que não o deixava confiante.
"Cumpri minha parte do acordo e consegui uma oportunidade legítima de entrar no cofre. Espero que esses idiotas tenham cumprido a deles também e realmente tenham um método viável para eu roubar o pergaminho que tanto desejam."
"Se, depois de tudo que fiz e arrisquei, eu não conseguir pegar o pergaminho por causa da incompetência ou má preparação do culto, então não há maior tolo neste universo de Deus," concluiu Leo amargamente, balançando a cabeça e começando a caminhar de volta ao seu apartamento, onde pretendia contactar Muiyan Faye sem delay algum.