Assassino Atemporal

Capítulo 360

Assassino Atemporal

(Planeta Dente Gêmeo, Distrito dos Comerciantes, 45 minutos depois)

Após deixar a loja da United Carriers, Leo entrou em uma loja modesta de itens ao lado, escondida entre uma boutique de armas e uma loja de acessórios de mana.

As paredes internas eram repletas de equipamentos tanto para assassinos iniciantes quanto para os experientes, como botas que neutralizavam o som dos passos, pulseiras de proteção que podiam desviar feitiços de baixo nível e máscaras desenhadas para borrar traços faciais.

Olhos de Leo foram parar numa máscara de ocultação preta simples, perto da prateleira central.

Não tinha design nem frescura, apenas uma superfície fosca, contornada, com textura lisa e um dampener de mana embutido que interferia nas tentativas de reconhecimento facial.

"Quanto custa?" perguntou ao vendedor.

"Trinta e dois mil MP," respondeu a mulher, sem precisar fazer propaganda, já que o item praticamente se vendia sozinho.

Leo pagou sem pechinchar, virou-se e colocou a máscara no rosto ao sair, ciente de que, sendo cauteloso do jeito que agora era, era melhor do que ir ao hall de missões exibindo o rosto abertamente, especialmente para reivindicar sua recompensa de 6,5 bilhões de MP.

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(Planeta Dente Gêmeo, Sala de Missões da Guilda Serpentes Negros)

A sala de missões fervia com atividade como de costume, com uma grande multidão reunida logo abaixo do mural de missões, procurando por aquela próxima missão lucrativa para aceitar.

Assassinos de todos os tipos e especializações circulavam em grupos, suas vestes negras passando umas pelas outras, a energia tensa mas disciplinada.

Enquanto Leo passava silenciosamente no meio deles.

Ele não fez anúncio, nem declaração. Em vez disso, sua figura mascarada foi direto ao centro da sala, onde o painel dourado imponente ainda pendia intocado no quadro principal.

Brilhava levemente sob a iluminação artificial, irradiando uma aura de importância—não era uma missão comum. Era a joia da coroa de todas as listagens atuais.

Sem dizer uma palavra, Leo estendeu a mão e puxou o painel para baixo.

Um estrondo metálico ecoou pela sala como um trovão. As conversas pararam. Cabeças se virou. Em segundos, o murmúrio virou um baixo rugido.

"Espera… ele acabou de tirar o Painel Dourado?"

"É a missão do Mundo Congelado no Tempo! Aquela que o Garry disse que era suicida de tentar!"

"Quem é aquele cara?"

"Ele está sozinho? Onde estão os outros da equipe dele?"

"Ei, amigo, você sabe que só consegue tirar o painel se a missão estiver concluída, né?"

A onda de vozes aumentou rapidamente enquanto mais assassinos se reuniam, curiosos e incrédulos. Alguns pareciam chocados. Outros já desconfiavam. Mas Leo ignorou tudo isso.

Ele não diminuiu o ritmo.

Caminhou com passo firme e tranquilo pelo meio do tumulto até a mesa do atendente, onde, sem hesitar, deixou o painel, olhando fixamente nos olhos surpresos do atendente.

"Concluí a missão," disse, com a voz um pouco abafada pela máscara. "Podem verificar em uma sala particular, depois quero discutir minhas recompensas."

A atendente, uma jovem que claramente não esperava por esse tipo de caos durante seu turno, paralisou de horror. Seus olhos se demoraram no painel dourado, depois em Leo, e voltaram ao painel.

Suas mãos tremeram levemente ao pegar o cristal de comunicação na mesa e levá-lo à boca.

"Senhor, o Supervisor Geral," ela gaguejou, tentando manter a voz firme. "Temos uma situação… Um homem mascarado acabou de entregar o painel dourado de missão para verificação. Diz que está concluída. Ele solicita processamento imediato."

Sua voz caiu para um sussurro.

"Sim… aquela missão. Do Mundo Congelado no Tempo."

Leo não disse nada enquanto ela continuava falando, sua postura imóvel, o olhar afiado por trás da máscara escura, enquanto a multidão ao seu redor seguia fervorosa com especulações.

"Sério, quem é aquele cara? Não parece mais forte que um Grande Mestre… Ele realmente completou a missão?"

"Por que ele está escondendo a identidade se realmente completou a missão? Não quer levar o crédito?"

"Provavelmente está escondendo a identidade porque não é um idiota completo."

Imagine mostrar seu rosto numa sala cheia de assassinos que agora sabem que você é mais rico que o Vice-Guilda, mas não tem força para proteger essa riqueza.

Ele é inteligente… vou admitir, mas ainda duvido que realmente tenha concluído a missão—

As pessoas ao seu lado murmuravam quando um supervisor ofegante entrou na sala, gotas de suor escorrendo pela testa.

"Senhor, o senhor que concluiu a missão?" perguntou, com a voz cheia de descrença, enquanto Leo apenas balançava a cabeça em confirmação.

"Por favor, me acompanhe… O Vice-Guilda quer falar com você no escritório dele," disse, enquanto Leo pulava o balcão do atendente e se aproximava do supervisor, sinalizando para que liderasse o caminho.

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O supervisor conduziu Leo até o prédio da sede da guilda, onde o colocou em um elevador privado que subiu rapidamente pelo eixo central e parou no 65º andar—bem na porta do escritório do Vice-Guilda.

"Espero não ter causado atraso ou incômodo significativos," disse, fazendo uma reverência superficial, enquanto se despedia rapidamente, as portas do elevador se fechando com um sussurro suave.

*Música*

Leo ouviu um pouco de música no elevador até que um *bip* anunciou sua chegada ao andar desejado.

*Sussurro*

Quando a porta do elevador se abriu novamente, Leo se endireitou instintivamente—mas foi recebido pelo olhar intenso de ninguém menos que o Vice-Guilda Antonio, que estava ali na entrada, de braços cruzados, uma sobrancelha levantada em sinal de suspeita.

O coração de Leo pulou uma batida.

Por um instante, pareceu que sua máscara era de papel, como se os encantamentos de ocultamento e os runas de dampener de mana não funcionassem contra o olhar afiado do homem, cuja presença irradiava uma autoridade que não deixava espaço para fingimentos ou máscaras.

E, como temia, ficou claro que o disfarce não tinha servido de nada, ao ouvir as primeiras palavras de Antonio, que mostraram como sua máscara era inútil diante de seres do nível dele.

"Estava pensando em qual jovem conseguiu completar a missão," disse Antonio, com calma, mas com uma ponta de autoridade na voz. "Se for o Campeão do Circuito, Leo Skyshard… então faz sentido."

Leo exalou pelo nariz e sorriu secamente por baixo da máscara, ao mesmo tempo que a puxou com uma mão e a guardou na sua argola espacial de forma suave.

"Desculpe minha cautela, prefiro manter um perfil discreto," murmurou, descendo do elevador e entrando no escritório do Vice-Guilda.

Antonio assentiu e virou-se sem mais comentários, seu longo casaco preto formando pequenas ondas enquanto caminhava em direção à sua ampla mesa no outro lado da sala.

"Venha. Temos muito a conversar," disse sem olhar para trás, enquanto as janelas de vidro reforçado ao fundo ofereciam uma vista panorâmica de toda a cidade de Dente Gêmeo, brilhando com vida.

Leo o seguiu sem hesitar, se preparando para o que quer que viesse a seguir, sabendo que uma intensa sessão de questionamentos o aguardava, onde qualquer deslize poderia colocá-lo numa enrascada séria.

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