Assassino Atemporal

Capítulo 359

Assassino Atemporal

(Planeta Dente de Touro, Cinturão Exterior, Apartamento de Leo, Um Dia Depois)

Após retornar ao Planeta Dente de Touro, Leo não se apressou em relatar o sucesso da missão. Em vez disso, seguiu direto para seu apartamento, optando por se isolar do mundo exterior para poder sentar, pensar com calma e refletir de verdade.

Seu tempo no Mundo Congelado no Tempo tinha sido esclarecedor de várias maneiras, mas se havia uma lição que tinha se gravado mais fundo em seus ossos, era confiar na própria intuição, mesmo quando o que ela dizia parecia ser absurdo ou improvável de ser verdade.

Seus instintos, aguçados por anos de sobrevivência e forjados em inúmeras batalhas, eram frequentemente mais confiáveis do que qualquer lógica ou manual de instruções, e atualmente estavam levantando questões importantes que ele nunca tinha considerado antes.

'Por que as Serpentes Negras querem o metal de origem?'

'O que torna esse metal tão valioso que Zhanrok, uma entidade morta há milhares de anos, ainda se mexe só de pensar que ele pode ser roubado?'

As perguntas queimavam sua mente enquanto ele caminhava pelas ruas mais tranquilas do Cinturão Exterior, voltando para seu apartamento.

*Bum*

*FSSHHH—*

A primeira coisa que fez após fechar a porta foi tomar um banho bem quente e demorado.

A água fervente escorria sobre seus músculos tensos, percorrendo os vestígios de hematomas e cortes rasos, limpando a sujeira e a sujeira residual do Mundo Congelado no Tempo, permitindo que se sentisse mais revigorado quando aquele cheiro horrível finalmente fosse embora.

E, mesmo dentro do conforto de um banho quente, Leo insistia em sua paranoia.

Seu anel espacial e sua pochete continuaram presos a ele o tempo todo, sem se desgrudar do olhar, nem por um segundo, mesmo dentro das paredes trancadas de seu próprio apartamento.

Quando saiu, com o corpo limpo mas a cabeça pesada, vestiu uma calça de treinamento escura e se jogou no canto de seu colchão macio e denso, que afundou levemente sob seu peso, enquanto sua mente começava a trabalhar a toda velocidade.

"Bem, não posso demorar muito para relatar o sucesso da missão. Atrasar só vai levantar suspeitas e pode parecer que estou sendo suspeito."

Suas sobrancelhas se franziram enquanto apoiava os cotovelos nos joelhos, com os dedos entrelaçados na frente do rosto.

Se demorasse demais para relatar o sucesso, os superiores poderiam ficar suspeitos e tentar silenciá-lo por meios clandestinos — pois envolvimento com itens de tanto valor não é algo incomum ser traído pelas costas.

Precisava de uma história sólida, e para isso, tinha que relatar o sucesso da missão dentro de poucas horas após seu retorno, deixando pouco tempo para pensar em outras estratégias.

"Abrir mão de algo que pode valer mais do que os 6,5 bilhões que estão oferecendo… seria uma burrice… Instinto me diz que esse bloco de metal pode valer muito mais que tudo isso…”

Seus olhos se dirigiram ao saco ao lado da ponta da cama, onde ele tinha colocado o que conseguiu recuperar.

"Mas e se eu entregar só metade? E se eu entregar um dos dois lingotes que recuperei? O documento de missão só pediu que eu trouxesse o ‘metal de origem’. Nunca especificaram quantidade."

A ideia se assentou no peito dele como uma pedra, e lentamente, aquele peso virou estabilidade.

"Se eu posso receber a mesma recompensa entregando apenas um bloco… e ficar com o outro para investigar depois… por que não deveria fazer isso?"

A lógica parecia válida e segura — após pensar mais um pouco, Leo decidiu entregar metade do metal e relatar o sucesso da missão, mantendo a outra metade para si, para pesquisar seu valor posteriormente.

"Se eu confiar no Culto, talvez eu entregasse o metal a eles e pedisse que me recompensassem de forma justa," murmurou, recostando-se, com a voz carregada de um cinismo silencioso. "Mas eu não confio neles."

Seu maxilar se tensionou ao pensar nisso.

"Os bastardos tentaram me matar duas vezes já."

Sua memória voltou a girar. A tentativa na Grande Arena. A emboscada do Karl dentro do Mundo Congelado no Tempo. Dois agentes diferentes da mesma organização — o tal ‘elevação superior’ — tentaram tirar sua vida, e ele não tinha intenção de perdoar isso.

Se eles sabiam quem ele realmente era, pouco importava.

O simples fato de isso ter acontecido — duas vezes — já era suficiente para lançar sombras profundas na estrutura do Culto.

Se eles nem conseguiam coordenar suas próprias forças internas para proteger seus ativos, que esperança tinham no grande esquema das coisas?

Se quem o treinava tinha que esconder sua verdadeira identidade até mesmo dos outros altos escalões, isso, por si só, revelava uma verdade assustadora.

O Culto da Ascensão não era uma organização unificada.

Estava fragmentado.

E Leo não tinha intenção de depositar sua confiança cega em algo que nem mesmo consegue administrar suas próprias rivalidades internas.

"Sim… Acho que o melhor a fazer agora é não contactar o Culto por enquanto.

Vou falar com a Faye só depois de relatar o sucesso desta missão aos Serpentes Negras e garantir minha chance de entrar na Camada do Tesouro deles." Leo concluiu, colocando um novo uniforme de guilda e saindo.

Mas não foi direto ao centro de missões, primeiro foi ao distrito dos comerciantes.

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(Planeta Dente de Touro, Distrito dos Comerciantes, Loja dos Panteras Laranja)

O lojista da filial da Loja dos Panteras ficou radiante ao ver Leo ao entrar na loja, sorrindo amplamente e se dirigindo rapidamente até a porta da entrada para cumprimentá-lo.

"Senhor Skyshard! Você está vivo e bem… Que alívio—" disse, gesticulando para Leo entrar com um sorriso grande no rosto.

"Ficamos todos muito preocupados quando descobrimos que um operante do Culto Maligno havia se infiltrado na sua equipe. Mas fico feliz em ver que você está bem!" declarou, enquanto os olhos de Leo se arregalavam de surpresa com o quanto a notícia sobre a verdadeira identidade do Karl já era conhecida em Dente de Touro.

"Sim, tive sorte de sobreviver ao filho da mãe do Culto..." respondeu Leo, com despreocupação, enquanto o lojista acenava e fricava as mãos, feliz.

"Sua sequência de boa sorte continua, Senhor Skyshard, porque, como prometido, negociei um valor de venda de 50 milhões pela sua fórmula! Além disso, consegui negociar sua divisão de royalties, aumentando de 10% para 15% em todas as vendas futuras!" contou orgulhoso, enquanto Leo assenti silenciosamente, aprovando com um sorriso tranquilo.

"Muito bem. Você realmente merece sua comissão por esse negócio, além daquele 1% extra que prometi," disse Leo, com um sorriso suave, e o lojista se curvou humildemente em sinal de concordância, entregando-lhe os papéis assinados do novo acordo.

Leo revisou rapidamente os papéis, guardando abaixo do braço, e então virou-se para fazer uma pergunta em tom baixo ao lojista.

"Vamos supor que eu queira enviar algo de forma segura pelo galáxia.

Algo como a fórmula original desse veneno, para que, no caso de eu morrer de repente por uma disputa financeira, a fórmula do veneno ainda possa estar sob custódia dos meus confidentes. Como faria isso?"

O olho dele se arregalou de surpresa, mas ele manteve a compostura.

"Percebo que você é um homem bem cauteloso, Sr. Skyshard, posso respeitar isso.

Nesse caso, eu recomendaria procurar os serviços da United Carrier e pedir que entreguem discretamente um pacote.

De preferência, bem lacrado.

Eles são conhecidos pela profissionalismo e entregam na velocidade máxima," aconselhou, enquanto Leo assentia e agradecia antes de sair da loja.

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Depois, foi à loja dos United Carriers, onde enviou um dos dois lingotes de metal de origem, junto com um cheque em branco de 10 milhões de MP, para um certo 'Chaosbringer' no planeta Terra Nova.

Sabendo bem que, se houvesse alguém capaz de manter aquilo seguro com inteligência e lábia, esse alguém era justamente ele.

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