
Capítulo 379
Assassino Atemporal
(Bem do lado de fora da porta da câmara-forte, ponto de vista de Antonio)
A porta mal se abriu completamente quando Antonio avançou, cruzando o limiar com a calma calculada de um homem treinado para confiar mais em seus instintos do que nos olhos, enquanto seu olhar transcendente escaneava a câmara da câmara-forte numa arcada lenta, analisando cada sutil piscar de movimento, cada mudança de temperatura, cada vestígio de mana que permanecia de forma anormal no ar.
"Hein? Vice-Guilda-chefe?" Leo perguntou, fingindo surpresa, com uma voz casual enquanto se virava para encarar o homem mais velho com um meio sorriso, como se nada estivesse fora do lugar no mundo.
Antonio não respondeu imediatamente.
Seus olhos varreram o perímetro primeiro, verificando cantos, sombras, sinais de respiração, batimentos ou assinatura térmica… basicamente tudo que pudesse indicar a presença de um segundo corpo ou clone, mas não encontrou nada suspeito na superfície, o que só o deixou ainda mais atento do que antes.
"Achou alguma coisa interessante? Você não tem muito mais tempo para escolher," ele perguntou a Leo, olhando diretamente nos seus olhos.
Uma leve camada de suor brilhava na testa de Leo, sutil, porém visível, indicando para Antonio que ele estava nervoso.
Havia também um leve vai e vem no peito dele, que expunha suas respirações firmes como um mero esforço forçado, fazendo parecer que ele tentava demais parecer calmo.
"Você parece preocupado," disse Antonio por fim, com uma voz suave, sem pressa e surpreendentemente amigável, enquanto percorria o perímetro da sala com as mãos cruzadas atrás das costas, os olhos preguiçosamente passando de um artefato a outro. "Está tudo bem?"
"Estou bem," respondeu Leo instantaneamente, com um tom tão suave quanto o dele, embora um pouco mais vivo, como se estivesse tentando corrigir algo. "Estava só preocupado que o oxigênio acabasse antes do tempo, mas… você entrar aqui provavelmente me dá mais alguns minutos."
Ele respondeu, sorrindo gentilmente, provavelmente, até demais, o que aprofundou ainda mais a suspeita de Antonio.
*Toque*
*Toque*
As botas de Antonio fizeram barulho contra o chão polido com mana enquanto ele caminhava até o canto perto do pedestal, onde Leo havia se agachado anteriormente para pegar a corrente com a chave.
Lá, ele parou, inclinou a cabeça e respirou lentamente pelo nariz, com uma expressão impassível.
"Fazer cocô aqui, Skyshard?" perguntou Antonio com uma expressão séria, enquanto o rosto de Leo ficava vazio diante da pergunta, optando por não responder.
Antonio permaneceu olhando por um segundo a mais, então deixou passar, avançando com seu passo silencioso, embora agora seu caminho curve gradualmente em direção ao final da câmara, onde o quadro flutuava silenciosamente sobre seu novo pedestal.
Leo engoliu em seco, seu olhar seguindo cada passo de Antonio.
'Sujeito desconfia que há algo errado…' ele percebeu neste momento, enquanto silenciosamente começava a traçar uma rota viável de [StormFlash Traverse] na cabeça, da sua posição atual até a porta da câmara-forte, em linha reta, preparando-se para o pior cenário possível.
O homem mais velho não disse nada. Continuou caminhando calmamente, com passos deliberados, parando apenas para inspecionar outra peça de tesouro aqui, outro relicário brilhante ali, enquanto percorria toda a extensão da câmara, sempre com as pupilas atentas a Leo pelo canto do olho.
Segundos passaram, e à medida que Antonio se aproximava cada vez mais do quadro, o coração de Leo começava a bater mais forte, contudo, seu sorriso falso permaneceu intacto.
'Por favor, seja burro. Por favor, seja burro. É só passar por cima…' ele rezou desesperadamente, e, para seu alívio silencioso, Antonio fez exatamente isso.
Sem nem parar perto do pedestal, ele continuou andando como se o quadro fosse apenas mais um artefato entre tantos itens insignificantes, que simplesmente não mereciam sua atenção, até que lentamente contornou a câmara e voltou ao local onde Leo estava.
"Você ainda tem tempo," disse Antonio, com a voz baixa enquanto passava, "Tire mais alguns minutos, já que eu interrompi, mas garanta que volte a tempo, vou reajustar o cronômetro para quinze."
Ele falou antes de entrar pela porta, que começou a se fechar novamente atrás dele, o som do pressurizador retornando a todo vapor enquanto o cronômetro interno voltava para 15:00.
'Que perto!'
Leo pensou, respirando fundo, sem perceber que estava segurando o ar.
*Haaah…*
Ele limpou o suor da testa, finalmente relaxando um pouco os músculos, enquanto a familiar onda de adrenalina lentamente diminuiu dentro de seu peito.
A missão tinha sido concluída, e nem mesmo o Vice-Guilda-chefe desconfiava de algo errado, pois a sua decisão de colocar o quadro no topo do pedestal tinha funcionado perfeitamente.
'Isso significa que estou livre… Se Antonio não me pegou, provavelmente vou conseguir sair vivo!' Leo percebeu, enquanto apenas agora, com todas as obrigações e ameaças afastadas, virou-se para inspecionar o conteúdo real da câmara-forte, sabendo que, pelo menos pelos próximos minutos, podia agir normalmente.
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(Enquanto isso, bem do lado de fora da câmara-forte, Antonio)
Antonio franziu profundamente a testa ao sair da porta da câmara-forte, sem se virar para reconhecer os guardas que se posicionavam ao seu lado em sinal de respeito.
'Será que estou desconfiando daquele garoto sem motivo algum?' pensou Antonio, tentando decidir se algo dentro da câmara faucet tinha chamado sua atenção de forma negativa… Mas nada havia suspeitado!
No entanto, algo na expressão de Leo, calma na superficialidade, porém ligeiramente ensaiada, continuava a coçar a sua mente como uma lasca que não conseguia tirar.
"Certifique-se de que ele saia com apenas um item," ordenou, sem se virar para os guardas, com a voz plana. "Faça uma checagem mais rigorosa, boca, garganta e tudo mais."
Então, sem dizer mais uma palavra, ele se afastou, seus pensamentos girando em loops que até ele próprio tinha dificuldade de desatar, questionando se estaria ficando paranoico demais à medida que envelhecia.
Pois, no retrospecto, toda a ida até a vault tinha sido um desvio inútil, uma perda de doze minutos, e nada havia além de uma sensação visceral que ele não conseguia rejeitar.