
Capítulo 380
Assassino Atemporal
(Câmara do Cofre, Timer: 14:59)
Com Antonio desaparecido, Leo permaneceu sozinho na sala do tesouro, finalmente permitindo que seus olhos percorressem a câmara pela qual havia acabado de arriscar tudo para invadir.
Havia tesouros por toda parte.
Artefatos de todas as formas e tamanhos, alguns brilhando, outros opacos e antigos, mas dois itens chamaram sua atenção imediatamente. Enquanto em toda a sala o restante dos tesouros eram acessíveis e estavam abertos para ele, apenas dois estavam selados atrás de várias camadas de vidro reforçado com mana, que ele não podia tocar nem abrir.
E, por esse motivo, ele se dirigiu a eles primeiro.
Seus botas ecoaram suavemente no chão impecável até parar diante do primeiro item lacrado.
[Sangue do Dragão Culto do Mal, Noah]
Um frasco, do tamanho do seu mindinho, flutuava suavemente no centro de um campo de contenção reforçado, seu líquido ainda vermelho vivo com movimentos sutis de ouro que se recusavam a se estabilizar, como se estivesse vivo.
O sangue não parecia uma essência mortal qualquer— sua textura mais parecia fumaça mantida em forma líquida.
'Por que será que isso está lacrado?' pensou Leo, enquanto a aura protetora emanada do vidro fazia sua pele formigar, mesmo sem tocá-lo.
Pela sua noção de coleta de sangue de mortos, aquilo seria útil para clonar alguém.
Ou para herdar os poderes de sua linhagem ancestral, porém, ele não tinha certeza do procedimento exato para qualquer uma dessas opções, então avançou até o segundo compartimento trancado.
[Períodico de propriedade do Assassino Atemporal, Recuperado do Dragão Culto do Mal Noah]
Este compartimento selado era diferente do que envolvia o frasco, pois, ao invés de algumas camadas de vidro protetor, Leo contou pelo menos sete para este.
O pergaminho em si pendia sem rasgos, aberto, suspenso no ar e mantido na posição de revelação constante por magia anti-gravidade.
Leo deu um passo à frente, olhos estreitados enquanto inclinava a cabeça e começava a leitura linha por linha, cada caractere imediatamente claro para ele, apesar do dialeto antigo.
[Deslocamento Temporal]
Era o nome da técnica, escrito em ouro no topo.
Era uma habilidade de movimento que desafiava os limites do possível.
O pergaminho falava de velocidade próxima à metade da velocidade da luz, de dobrar o espaço entre os movimentos, de pisar mais rápido que a visão, a percepção ou até mesmo a causalidade.
Era, sob todos os aspectos, a manobra mais complexa e esmagadora que ele já tinha visto.
Mas, então, vinham as limitações.
Ela exigia Essência Divina, um tipo de energia além de seu alcance atual.
Nenhum canal de mana poderia suportar tais velocidades. Nenhum osso mortal aguentaria o atrito. Nenhuma percepção ordinária poderia guiar tal técnica.
'Só um Monarca ou guerreiro de nível superior pode ter esperança de usar essa técnica e sair vivo para contar história,' percebeu Leo, enquanto continuava a leitura mesmo assim, cada músculo de seu corpo subconscientemente absorvendo as posturas, os diagramas de fluxo, a técnica de respiração ancorada na coluna e as posições de compressão de alta velocidade gravadas no pergaminho.
Levou cinco minutos.
Cinco minutos silenciosos e ininterruptos para estudar cada centímetro do pergaminho com foco de navalha, como se estivesse gravando o conhecimento em seus ossos.
E então, viu a linha final.
> Apenas aqueles relacionados à Assassina Atemporal por sangue podem realizar esta técnica.
Leo piscou, depois encarou por mais um segundo, aquela linha ecoando mais alto que o tique-taque do timer atrás dele.
'Então é por isso que está trancada e não na coleção pessoal da Dupravel Nuna—' percebeu, enquanto até mesmo o Monarca Dupravel, por mais poderoso que fosse, não podia usá-la.
Não era apenas uma questão de força ou cultivo, mas sim de sangue e legado.
"Então é isso que toda essa confusão era sobre..." sussurrou Leo, não como uma bravata, mas em reconhecimento solene, enquanto recuava lentamente e se voltava para o restante do cofre.
[09:50]
O timer piscou ao longe, os números agora exigindo urgência.
Leo inspirou lentamente e marchou em direção à próxima fila de objetos, decidido a escanear o máximo possível, sabendo que tinham poucos minutos para escolher algo que pudesse ajudá-lo na próxima fase de sua jornada.
Ele leu rapidamente.
[Lanterna da Alma do Eremita do Vazio]
Uma lanterna selada capaz de revelar os rastros de aura de qualquer ser morto em um raio de dez milhas. Funciona uma vez ao dia e consome toda a mana do usuário em cada ativação.
[Manopla do Monge Quebrador de Encantamentos]
Uma luva de corrosion de cor enferrujada, gravada com runas de ruptura. Permite ao portador anular uma construção mágica por hora, seja barreiras, encantamentos ou até ilusões, esmagando-as com as mãos nuas.
[Tinta do Contrato com a Besta]
Um frasco de tinta prateada-escura capaz de criar um contrato eterno com qualquer fera de sua escolha. Usável apenas uma vez. Não pode ser desfeito. Funde para sempre a alma da fera com a do mestre.
[Espelho da Sétima Mentira]
Um espelho do tamanho da mão que revela a maior mentira que uma pessoa já falou sobre si mesma.
[Capa do Ceifador Silencioso]
Uma capa cinza simples feita de algo mais leve que o ar. Proporciona silêncio total ao mover-se, abafando sons de passos e batimentos cardíacos, além de permitir que passe por barreiras menores sem ser detectado.
Os olhos de Leo varriam de um item ao outro, cada um raro, estranho e mortal à sua maneira.
E, no entanto, à medida que o tempo passava, ele percebia que nenhum desses itens iniciais parecia realmente adequado para ele, e começou a buscar freneticamente o item perfeito.
"Vamos lá, deve ter alguma coisa valendo bilhões de MP, ou um item único no universo—" murmurou Leo, cada batida do coração aumentando a esperança e a urgência na sua busca.
Ele sabia que a escolha não era apenas por valor.
Era por encontrar um item que combinasse com seu estilo de luta, com seus instintos, com tudo que o tornava perigosamente único.
Ou um item que o ajudasse a navegar pelo caos de entrar na Seita, aumentando suas chances de sobreviver drasticamente.