
Capítulo 367
Assassino Atemporal
(Planeta Tithia, Distrito da Fornalha Interna, Forja do Supremo Mestre Ferreiro Argo)
Após a reunião com o Primeiro Elder, o Décimo Segundo Elder entrou no distrito da Fornalha Interna, que abriga os FERreiros mais renomados e incontestáveis do universo.
Ele veio até aqui para garantir um pequeno ponto de portal dimensional que pudesse fornecer a Leo, para que a missão fosse concluída.
No entanto, quando fez o pedido ao Mestre Argo por meio de um cristal de comunicação no dia anterior, o homem não gostou nada da solicitação e logo começou a gritar como um cachorro raivoso.
Por fim, Argo exigiu que Noir o visitasse pessoalmente na forja, o que deixou Noir sem escolha a não ser fazer a viagem até lá.
*Estalo*
As roupas cuidadosamente passadas de Noir ondulavam levemente enquanto ondas de calor se espalhavam ao seu redor como fogo silencioso.
Centelhas dançavam no ar enquanto martelos batendo em metal derretido produzíam faíscas, e aprendizes se apressavam para fazer espaço, inclinando-se profundamente ao reconhecerem quem tinha entrado.
Mas o homem no centro de tudo isso não se curvou.
Ele nem sequer lançou um olhar para cima.
Até Noir aclarar a garganta uma vez.
"Supremo Mestre Argo, o senhor me chamou?" começou, assim que o som do martelar cessou instantaneamente.
O chefe ferreiro levantou a face marcada de fuligem, sua expressão não era de reverência — mas de exasperação.
"Vocês de novo?" balbuciou Argo, antes de se levantar completamente, enxugar as mãos em uma flanela suja — e, sem aviso, morder uma delas.
*Rasga*
O estalo afiado do tecido rasgado ecoou na forja.
"Você está fora de si, seu Lorde Décimo Segundo?" truncou Argo, com os olhos flamejantes enquanto cuspia o pedaço de pano rasgado ao lado e avançava.
Noir piscou, surpreso, não pelos insultos, mas pela hostilidade insofrível no tom do homem.
"Como já expliquei ao Lorde Quarto, quando ele entrou na minha forja com a mesma ideia maluca que a sua... o que você está pedindo simplesmente não dá pra fazer!" berrou Argo, sua voz retumbante agora, assustando alguns dos ferreiros mais jovens próximos.
Noir franziu a testa, mas não disse nada.
Argo não esperou resposta. Agachou-se, pegou duas peças aleatórias de sucata de metal do chão da forja e as segurou diante de si.
"Deixa eu te explicar como se você fosse um calouro na Academia de Ciências Arcanas", rebateu. "A teleportaçao tem leis. Regras. Limites. Quanto maior o salto — maior precisa ser o portal."
Segurou um dedo, posicionando os dois objetos a um centímetro de distância.
"Se eu quiser teletransportar essa sucata daqui pra um centímetro à esquerda, consigo fazer isso. Um portal do tamanho de um grão de areia, menor que o seu polegar, e funcionará perfeitamente."
Depois, estendeu a outra mão, apontando para o céu.
"Mas agora... se eu quiser teletransportar esse mesmo pedaço de lixo daqui para o Planeta Ixtal?" A expressão de Argo virou uma investida direta nos olhos de Noir.
"Então, o portal necessário precisaria do tamanho de todo este planeta, Senhor Décimo Segundo."
Deixou o metal cair no chão com um barulho metálico.
"Existe uma razão pela qual não existe viagem instantânea entre planetas. O espaço entre eles é vasto demais. Não importa quantas pedras de mana de alta qualidade ou núcleos de energia divina vocês joguem aqui, as leis da física simplesmente não se dobram."
O sobrolho de Noir se contraiu.
Ele não esperava milagres, mas não imaginava que o limite fosse tão... pontiagudo.
"Então, o que você está querendo dizer", ele falou lentamente, "é que, se quero um ponto de teletransporte pequeno o suficiente para caber no meu bolso — mas que ainda possa mandar uma equipe de um lado ao outro — então os operativos já precisam estar nesse planeta para fazer o salto?"
"Exatamente", Argo murmurou, já massageando a testa. "Estar perto já é pouco, eles precisariam estar a até dez quilômetros de distância, ou então você aumenta o tamanho do portal. Muito maior."
Ele deu um suspiro.
"Já expliquei isso ao Fourth Elder quando ele tentou invadir a Arena Principal com cinco divisões usando um portal do tamanho de uma moeda. A porcaria do portal colapsou e derreteu a cara de dois dos meus assistentes."
Noir estremesceu.
"E não se interprete mal, estamos certamente muito à frente do resto do universo em viagens dimensionais.
Temos âncoras dimensionais, relés quânticos e umas plataformas híbridas de magia-tecnologia novas. Mas ainda estamos presos às regras do espaço, tempo e energia."
Fez uma pausa para respirar, e acrescentou calmamente, "Então, não, Senhor Décimo Segundo, não posso forjar pra você uma pelota de pingue-pongue que teletransporte tropas de Tithia para Twin Fang."
Noir abaixou a cabeça, mexendo os dedos no pulso.
Ele tinha prometido a Leo um portal. Disseram a ele que o Cult cuidaria do restante após colocar o ponto de portal na Caverna das Serpentes Negras, mas claramente a situação era mais difícil do que pensava.
Ele olhou de volta para Argo. "Então... o que podemos fazer?"
Argo bufou e caminhou até sua bancada.
"A melhor coisa que posso oferecer é um portal dimensional do tamanho de uma moldura de foto", disse. "Vai ser simples, e vai levar pelo menos mais sete dias para calibrar, mas será portátil e resistente."
A expressão de Noir escureceu. "E o alcance?"
"Se eu levar ao extremo", murmurou Argo, "talvez consiga conectar a uma nave de suprimentos em órbita perto de Twin Fang. Algo pequeno. Algo próximo."
Ele encarou Noir novamente.
"Ou seja, seus operativos terão que sequestrar uma embarcação de entregas ou um pequeno jato de órbita baixa se quiserem uma chance realista de voltar. É viável. Mas o perigo real… começa após o teletransporte."
Noir assentiu silenciosamente.
Não era a operação limpa que ele queria, mas era o melhor que podiam fazer.
"Se esse é o melhor que consegue fazer, então os soldados terão que resolver o resto por conta própria... Obrigado, Supremo Mestre", encerrou, fazendo uma reverência e se virando.
Ao sair da forja, enquanto o calor intenso dava lugar ao ar frio, sua sobrancelha se aprofundou imediatamente.
Era para essa missão ser segura e fácil, depois que Leo deixasse o ponto de portal.
No entanto, hoje parecia um dia cheio de dores de cabeça desnecessárias.
"Ainda bem que o Supremo Mestre Argo é o ferreiro mais talentoso que temos, um pioneiro tanto em tecnologia dimensional quanto em mísseis — porque, com essa postura, ninguém o toleraria," murmurou Noir.
"Na prática, será muito mais difícil para Skyshard contrabandear um dispositivo do tamanho de uma moldura de foto na sala do cofre do que algo daquele tamanho de bolso. Mas acho que ele vai ter que melhorar seu jogo."
Ele fez uma pausa, coçando o queixo pensativamente.
"O mesmo vale para os operativos na hora de executar o roubo. Precisarão se adaptar rapidamente e gerenciar muito mais variáveis por causa do alcance limitado do teletransporte."
Noir soltou um suspiro e balançou a cabeça.
"Pois é, fiz tudo que pude para fornecer os melhores recursos. Agora, o resto está nas mãos deles."
No final, ele pensava na questão de fazer com que os sindicatos de trabalho aceitassem sua liderança, assim que voltasse para o Planeta Vorthas.
Em sua mente, ele trabalhava no limite de suas habilidades, fazendo o melhor possível pelo Culto e seu povo. No entanto, embora sua intenção de ajudar o Culto fosse genuína, seus métodos para alcançar os resultados desejados eram, sem dúvida, questionáveis.