
Capítulo 368
Assassino Atemporal
(Escritório Privado do Quarto Ancião)
O espião se curvou profundamente, sua figura envolta em uma túnica preta que parecia se mover e brilhar a cada respiração, o tecido encantado abafando todo som ao dar um passo à frente na câmara.
"O Décimo Segundo Ancião visitou a forja do Supremo Mestre Argo nesta tarde", o espião relatou calmamente, com a voz firme, mas discreta. "Ele solicitou a construção de um ponto de portal dimensional."
Os olhos do Quarto Ancião estreitaram-se.
"Para que finalidade?" ele perguntou, com os dedos se unindo sob o queixo.
O espião hesitou, então abaixou ainda mais a cabeça. "O objetivo exato não foi divulgado, mas pelo que pude observar e ouvir na forja—parece que eles estão planejando um roubo. Talvez para recuperar algo importante de território inimigo. O nível de sigilo com que operam sugere fortemente isso."
O ambiente ficou mudo por um instante.
Somente o suave tique-taque do antigo cronômetro do ancião ecoava suavemente no canto da sala.
"Entendo", respondeu o Quarto Ancião após uma pausa, com a voz estranhamente tranquila. "Você fez bem. Pode sair."
O espião se curvou novamente, recuou silenciosamente da sala e fechou as portas ornamentadas atrás de si.
E então—
*ESTELRECH*
O Quarto Ancião explodiu.
As mangas se inflaram enquanto ele varria violentamente todos os documentos, relíquias e instrumentos de sua mesa com um movimento furioso. Vidros estilhaçados no chão, tinta espalhada pelos pisos de marfim, e pergaminhos selados caíam como folhas mortas ao chão.
"Maldito seja!", rugiu, caminhando de um lado a outro da sala com os punhos cerrados.
"Aquele marionete pretensioso—ele realmente está fazendo isso. Está indo atrás do pergaminho! Enquanto eu perco tempo aqui construindo influência e contratando instrutores, ele se aproxima de fazer seu candidato o próximo Dragão, como um usurpador de rua!"
Passou a mão pelos cabelos lisos, respirando com dificuldade, as narinas dilatadas.
"Se ele conseguir, vai ser o fim para mim..."
"Quem controla o Dragão controla o Culto."
O Primeiro Ancião ascendeu ao poder apenas por causa de sua influência sobre Noah.
Se eu quiser me tornar o novo Primeiro Ancião, preciso ter meu próprio Dragão!"
Seus olhos queimavam de raiva e pânico, sua mente já elaborando planos de emergência, informantes e estratégias de chantagem.
Pois, se o Décimo Segundo Ancião recuperasse aquele pergaminho antes do prazo combinado—
A balança de poder dentro do Culto mudaria para sempre.
E o Quarto Ancião não tinha intenção de ser segundo plano daquele arrogante safado.
Nem agora.
Nem nunca.
"Preciso descobrir o que está acontecendo... Não quero que o Culto perca a oportunidade de recuperar aquele pergaminho de habilidades, mas também não quero que Lorde Décimo Segundo ganhe…" Ele murmurou enquanto começava a traçar suas próprias estratégias de contra-ataque.
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(Enquanto isso, Leo, Planeta Dente de Serpente)
Após enviar sua lista de exigências ao Culto, Leo voltou à sua rotina habitual, mergulhado mais uma vez nos treinos diários com o códice.
Todos os dias, ele passeava pelas ruas de Dente de Serpente por horas, estudando silenciosamente o espectro emocional das pessoas ao seu redor, enquanto expandia gradualmente sua busca pela sexta cor.
Embora isso já fosse parte de sua rotina mesmo antes de sua jornada ao Mundo Congelado no Tempo, a diferença agora era impossível de ignorar.
Antes, ele não via nada ao caminhar pela cidade. Nem um raio de cor. Nem uma única sombra.
Mas agora, com os avanços que fez com o códice dentro do Mundo Congelado, os resultados finalmente começaram a aparecer.
As mesmas ruas que antes pareciam sem cor, agora ganhavam vida com traços dispersos de vermelho, rosa, vinho e azul, revelando emoções que ele já aprendia a identificar.
Na maior parte, ele não conseguia perceber nenhuma cor na maioria dos pedestres passando por perto.
Mas, de vez em quando, ele conseguia captar um Marrom quando um assassino que caminhava rápido demais passava ao seu lado.
Ou
Um leve indício de azul claro, quando uma mulher saía de um salão de beleza, com aparência fresca e bonita.
'Meu tempo no Mundo Congelado realmente me ajudou a entender emoções!', Leo percebeu, lembrando-se claramente de como lutava para detectar uma única cor ao seu redor antes da viagem, mas agora conseguia enxergá-las com mais frequência.
Continuou caminhando, desviando por cruzamentos movimentados e barracas na rua, com os olhos atentos ao fluxo de corpos ao seu redor.
Um velho cansado, dormindo perto de uma banca de especiarias, não mostrava nenhuma cor.
Os irmãos gêmeos treinando do lado de fora de uma sala de treinamento também não exibiam nenhuma cor.
Até mesmo o assassino sentado calmamente no telhado, observando-o com olhos semicerrados, não mostrava nada.
Mas então uma criança passou correndo, com os braços abertos como asas, perseguindo um filhote que havia loucamente escapado da coleira, e por um segundo Leo viu um lampejo de rosa no rastro dela. Faint, mas inconfundível.
'Apenas crianças e cães amam incondicionalmente…', pensou, sorrindo de leve enquanto continuava a caminhar.
Mais tarde, percebeu um forte vermelho em seu entorno, enquanto um assassino alto e forte passava ao lado de um mensageiro, sem parecer notar, e seguia como se nada tivesse acontecido—mas uma grande mancha de vermelho sangue grudava nas costas dele, como uma fumaça que seguia uma lâmina.
Leo desacelerou um pouco, estreitando os olhos.
'Isto não é normal.'
Ao contrário flashes rápidos de vermelho que havia visto antes, vindos de pessoas simplesmente irritadas ou na defensiva, esse não desaparecia. Permanecia. Pesado. Saturado.
Ele inclinou a cabeça, perguntando-se se o homem tinha acabado de receber uma notícia perturbadora ou se estava inconformado após uma conversa mais cedo.
Porém, não era isso.
A tonalidade era demais. Demasiado intensa.
Não tremia nem desaparecia.
Como se a intenção assassina fosse uma constante na mente daquele homem.
'Ele pode realmente matar alguém hoje…', pensou Leo, com expressão neutra.
'Acho que só há uma maneira de descobrir.' Concluiu, seguindo-o discretamente para satisfazer sua curiosidade.
O homem não parou sem necessidade. Não tentou perceber se havia alguém atrás dele. Não desviou ou hesitou. Apenas percorreu os distritos exteriores de Dente de Serpente com um ritmo constante, até sumir na periferia da cidade sem chamar atenção.
Leo manteve-se a uma distância segura para não ser detectado, sempre no campo de visão enquanto o seguia de perto.
Quase duas horas depois, o assassino chegou a uma ponte tranquila no campo, entre duas fazendas abandonadas além do morro. O céu já começava a escurecer em tons de laranja, as sombras se alongando enquanto o sol se punha.
Ao notar outra figura esperando lá… talvez pelo próprio homem.
Os dois trocaram uma encomenda. Rápido. Preciso.
Sem aperto de mão. Sem cordialidade. Apenas uma troca direta.
Leo observou do alto das árvores enquanto o assassino estendeu uma mão—e, sem aviso, cortou a garganta do outro de maneira limpa.
Sem palavras.
Sem hesitação.
Um movimento só.
O corpo caiu com um baque surdo, seguido pelo leve splash do sangue se espalhando entre as tábuas da ponte.
Foi só após o ato que a mancha de vermelho que grudava nele começou a desaparecer lentamente.
Leo permaneceu agachado, calmo, com as mãos descansando suavemente nos joelhos.
"Então era assassinato, no final das contas."
Ele assistiu ao assassino se afastar lentamente, guardando a encomenda e desaparecendo de volta para a cidade como se nada tivesse acontecido.
"Aquele tom de vermelho…"
Não mentiu.
Quando o vermelho não desapareceu, significava que havia sido um assassinato, e Leo pôde aprofundar seu entendimento sobre o códice graças a esse incidente.