
Capítulo 340
Assassino Atemporal
(Mundo Congelado no Tempo, Deserto Árido, Ponto de Vista de Leo)
Após uma breve pausa, Leo retomou sua jornada em direção à base da montanha, que agora se erguia imponente e ameaçadora no horizonte, a aproximadamente 30 a 40 quilômetros de distância.
O brilho da presença da montanha tornava-se mais claro a cada passo que ele dava sobre as areias desoladas, enquanto lutava para resistir à tentação constante de entrar em uma nova crise de destruição, uma tentação que parecia puxar seu estômago constantemente.
Além do desejo de matar, Leo achou a viagem surpreendentemente tranquila, pois não havia grandes distrações pelo caminho e seu trajeto permanecia, na maioria das vezes, sem incidentes.
Com a areia do deserto ocasionalmente passando ao seu lado e a cor do céu quase sem mudanças no mundo congelado no tempo, ele chegou à base da montanha em cerca de duas horas e meia, com seu ritmo firme e sem interrupções.
"A Montanha das Ilusões", era assim que os textos antigos a chamavam.
Segundo registros dispersos da era antiga, após o Grande Escurecimento, essa montanha foi transformada em um campo de sepultamentos, onde clãs locais, enlouquecidos pelas forças ilusórias, se voltaram uns contra os outros em violência cega, exterminando cada último membro de suas comunidades.
Desde então, a montanha ganhou fama como uma terra amaldiçoada, que engolia a mente de quem ousasse escalá-la.
Até hoje, a lenda dizia que qualquer pessoa que tentasse subir a montanha devia ter cuidado com entidades espectrais e alucinações implacáveis, já que essa montanha marcava a parte do percurso mais mentalmente exaustiva até o Castelo Bravo.
Os textos antigos alertavam que quanto mais perto do Castelo, mais sinistro o mundo se tornava, e como a montanha era um dos últimos obstáculos antes do Castelo se revelar, ela era uma das áreas mais perigosas para se entrar, especialmente para aventureiros solos.
"Bom, se tem uma coisa que eu tenho de sobra é resistência mental." sussurrou Leo para si mesmo, ao chegar à base da montanha e se aproximar do início da trilha que levava para cima.
"Já sei as regras de sobrevivência aqui... Que são: não ouvir sons, não se distrair e não acreditar em mentiras visíveis. Se eu seguir isso… vou ficar bem."
Com essa determinação no coração, começou sua escalada pela trilha de pedra quebrada, cujas arestas ásperas espreitavam pelas dunas em movimento, pois a natureza quase tinha tomado de volta a estrada que antes era cuidadosamente esculpida, após séculos de abandono.
Durante os vinte primeiros minutos, não houve problemas reais.
No entanto, após subir aproximadamente quatrocentos degraus deteriorados, Leo começou a notar uma névoa rasteira que esmaecia sua clareza, como se o ar carregasse algum veneno antigo afetando seus pensamentos.
Sua mente vagueou por assuntos sombrios, como "O que é a morte?" e "Existe vida além da morte?", temas filosóficos que ele nunca havia se aprofundado antes, mas agora lutava para resistir.
"Não pense em nada..."
"Não ouça nada..."
"Acredite em nada..."
Ele repetia as três regras como um mantra sagrado, sussurrando-as enquanto seus passos de botas sobre o cascalho velho ecoavam e seu olhar permanecia fixo na trilha serpenteante à sua frente.
*SCRRASH!*
Uma rajada repentina de vento passou por seu rosto, enviando uma sensação de frio cortante que percorreu sua espinha, e por um breve momento, ele quase teve certeza de ter visto algo branco passando rápido à sua frente — algo que claramente não pertencia a este mundo.
'Provavelmente um espírito,' pensou Leo, mantendo o corpo tenso e os movimentos calmos, optando por fingir que não tinha visto nada, pois essa era exatamente a estratégia que havia decidido usar hoje.
'Já assisti a filmes de terror suficientes para saber exatamente como o protagonista idiota morre — um som estranho, um lampejo de algo não natural, e ao invés de ignorar, eles caminham direto na direção, como idiotas que não percebem o perigo. Se ao menos eles tivessem um pouco de juízo, provavelmente não morriam na primeira.'
'Mas eu não sou como eles. Vou ignorar os sons e ficar na minha.'
Leo mantinha esse monólogo interno com uma mistura de amargura e diversão sombria, ignorando os tênues brilhos de sombras brancas que dançavam em seu campo de visão periférica.
Mesmo quando formas espectrais se deslocavam silenciosamente no ar atrás dele, brincando e girando como willis travesso, ele focava seus olhos no caminho à sua frente, como se fosse cego para tudo mais.
"Leo… meu querido Leo—" uma voz sussurrou suavemente ao seu lado, doce e dolorosamente familiar.
Sua respiração prendeu-se levemente, não por medo, mas por reconhecimento, pois sabia que aquela voz pertencia a Amanda.
Seu tom era quente e carinhoso, o mesmo aconchego que costumava envolver seu nome como um cobertor macio. "Por que você não se vira para olhar para mim?" ela implorou novamente, estando apenas fora de vista.
Leo tombou levemente a cabeça e rangeu os dentes sem dizer uma palavra, forçando suas pernas a continuarem o mesmo ritmo.
Ele não tinha dúvida de que, se se virasse, veria Amanda, ou pelo menos uma cópia perfeita dela, com os braços estendidos na trilha e olhos convidativos.
Mas era justamente por isso que não se virou.
Sabia que sentia muita falta dela. Sabia que, se permitisse um único vislumbre de sua forma, emoções despertariam dentro dele — emoções que não tinham lugar neste mundo, emoções que poderiam quebrar o foco que ele havia construído como uma armadura ao redor de sua mente agora.
A lógica lhe dizia que Amanda não poderia estar presente neste reino congelado no tempo, e ele repetia essa verdade silenciosamente a cada passo, afastando a ilusão sedutora ao se concentrar na respiração e na pedra quebrada sob seus pés.
'Ninguém vai entrar na minha cabeça,' pensou Leo com um sorriso de orgulho, mesmo com seus ombros tensos e vigilantes.
Fantasmas obscureciam sua visão, girando cada vez mais próximos a cada passo, puxando suas vestes, tocando seu rosto com dedos gelados.
Elena. Luke. Jacob. Su Yang. Dumpy. Ben. Até Sophia.
Um por um, a montanha criava visões daqueles que ele se importava, fabricando-as com precisão dolorosa para tentar desviá-lo do caminho.
Mas Leo se recusou a dar qualquer atenção a eles.
Continuou caminhando com passo firme, indiferente ao sussurro ao seu redor, enquanto pouco a pouco, apesar dos sussurros em seus ouvidos e do frio na pele, avançava sem parar até o topo da montanha.
Em breve, os últimos degraus da primeira montanha do grupo desapareceram atrás dele e a encosta se transformou em uma planície desolada e silenciosa. Quando atingiu esse marco, a intensidade das visões espectrais ao seu redor diminuiu drasticamente.
"Ufa! Foi puxado, mas consegui passar..." exalou Leo aliviado, achando que o pior tinha ficado para trás.
Porém, assim que seu pé tocou o platô, o caminho à sua frente desapareceu, engolido por uma névoa branca inquietante que espessava a cada respiração.
Então, a partir do véu de névoa, emergiu uma figura — antiga, imóvel e completamente fora de lugar.
Sentada sobre uma rocha desgastada com uma perna dobrada com cuidado, uma figura espectral permanecia com uma postura inquietante. Seus seis braços descansavam nos joelhos e no peito em perfeita simetria, enquanto três rostos serenos, porém fundos, surgiam de um único pescoço, cada um com uma longa barba branca que caía até a cintura. Olhos vermelhos sangue se abriram em todos os três rostos ao mesmo tempo, penetrando a névoa e fixando-se em Leo sem hesitação.
"Bem-vindo ao Passagem da Sabedoria," murmurou a figura em tom baixo e vibrante, sua voz ecoando de forma estranha na vastidão vazia. "Somente os dignos podem passar."
Leo piscou, sem se impressionar, e respondeu com irritação casual, "Pois não, obrigado."
Depois virou o corpo e avançou direto na névoa à sua frente, escolhendo ignorar toda a dramatização.
Mas, enquanto avançava, a névoa branca começou a se enrolar ao seu redor como fios de seda, macios porém sufocantes, enquanto o ar ficava mais rarefeito e o silêncio se aprofundava, como se o próprio mundo estivesse se torcendo — e, em poucos momentos, o caminho se endireitou novamente, só para que ele percebesse que estava exatamente no mesmo lugar de antes.
Mesma névoa.
Mesma rocha.
Mesma entidade ancestral com seis braços e olhos vermelhos como sangue.
Apenas desta vez, a cabeça do meio estava sorrindo, como se achasse graça na falha de Leo em fugir.
O olho de Leo piscou levemente enquanto parava de caminhar, percebendo que sua teimosia cega e a fé absoluta na estratégia de "ignorar e desapareceriam" finalmente chegavam ao limite, e que, enfim, teria que aceitar a presença de um espectro.