Assassino Atemporal

Capítulo 339

Assassino Atemporal

Nos dois dias seguintes, Leo matou mais doze vermes de areia, enquanto também conseguiu escapar de dois que se revelaram criaturas do nível Transcendente, muito além de suas capacidades atuais.

Ele não quis arriscar demais com eles, preferindo fugir assim que surgiam, usando uma combinação de [Estalo da Tempestade em Movimento] e [Troca de Lâmina] para escapar em segurança.

Só foi na décima terceira, a última caça do segundo dia, que algo realmente mudou.

Desta vez, após a batalha e a besta estiradada no chão, esventrada na areia atrás dele, a sensação de sede de sangue dentro dele não desapareceu.

A aura vermelho-sangue permanecia presa a ele. Não apenas na pele ou nas lâminas, mas no ar ao seu redor, envolvendo seus membros como um segundo manto, cintilando lentamente como ondas de calor numa estrada de verão, mas fria e firme na presença.

"Caramba... Estou coberto por intenção de matar—" Leo murmurou, girando lentamente a mão diante dos olhos, enquanto observava o brilho tênue pulsar e se contorcer com seu movimento.

A aura que o envolvia estava diferente dessa vez, não era só uma adrenalina pós-batalha ou energia residual, mas sim um estado estável que ele parecia ter conquistado sozinho.

A intenção de matar agora era dele, e, ao refletir, tentou entender por que a mudança tinha acontecido.

Nos próximos dois minutos, esforçou-se ao máximo para decifrar o segredo por trás dessa sensação. No entanto, no final, não conseguiu chegar a uma conclusão definitiva, e a aura vermelho-sangue se desfez, desaparecendo como um sussurro engolido pelo vento.

"Essa foi a maior demonstração de intenção de matar que consegui fazer..." Leo murmurou, exalando pelo nariz e abrindo novamente o grimório, na esperança de ver algum texto novo, algo que o guiasse pelo caminho certo, e para sua alegria, um novo trecho realmente apareceu!

Quando abriu o manual, novas palavras surgiram lentamente em dourado, oferecendo orientações no estilo usualmente sombrio.

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> Você não mata mais para crescer.

Você não mata mais para aprender.

Você não mata mais para testar.

Agora, você mata porque quer.

Pois o ato em si traz clareza.

Porque a caça não precisa mais de propósito.

Seu corpo lembra do ritmo.

Sua alma provou a alegria.

E agora, o vermelho-sangue se recusa a desaparecer.

> Se você continuar nesse caminho e se permitir destruir ao extremo, um novo mundo se abrirá lentamente para você.

Um mundo onde o vermelho mostra aonde bater e como destruir.

Porém, ao alcançar essa esfera, não haverá mais volta.

E sua compreensão do grimório permanecerá incompleta para sempre.

>Por enquanto, sua compreensão do vermelho é suficiente.

Primeiro explore as outras quatro cores que lhe faltam, antes de mergulhar mais fundo nas nuances do vermelho.

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Leo releu as palavras novamente.

Depois, leu mais uma vez.

E então franziu a testa ao perceber que o grimório lhe pedia para pausar a busca pela intenção de matar por agora.

"Que porra? Em alguns momentos quero que eu compreenda mais a intenção de matar. Mas, quando estou quase descobrindo a verdade, quer que eu pare? O que exatamente você quer de mim?"— reclamou Leo, sentindo-se justiçadamente irritado ao ver sua aura escurecer novamente para um tom "Marrom", demonstrando sua frustração.

O grimório era o manual de cultivo mais confuso que já existiu, pois Leo nunca conseguia entender exatamente o que ele queria que ele fizesse.

As diretrizes eram vagas.

O progresso era difícil de avaliar.

E, quando ele quase atingia um limite, o manual pedia para diminuir o ritmo e recuar?

"Como posso explorar as outras cores se você nem mesmo disse o que elas são?"— retrucou Leo, folheando o grimório duas vezes, como se esperasse que ele entregasse mais respostas só de fixar o olhar.

"Tenho que adivinhar? Meditar no deserto até elas aparecerem uma a uma como coletáveis? Essa é sua ideia de um **treinamento**?"— amaldiçoou Leo, mesmo sabendo que gritar não ia lhe adiantar nada, mas não conseguiu segurar a voz alta, pois a frustração no peito ameaçava explodir se ele não soltasse.

"FODA-SE!"

"E agora, o que eu faço? Paro de matar até entender as outras cores? Mas matar era a única coisa que realmente me trazia alegria na vida..."— disse Leo, apertando os dedos em punhos cerrados.

Por um tempo, a aura marrom ao seu redor foi crescendo, até que [Indiferença do Monarch] finalmente entrou em ação, estabilizando seu humor e devolvendo clareza à sua mente após alguns minutos.

Foi só quando ele voltou a ficar calmo que percebeu um ponto crucial que não conseguia ver há dias, desde que começou a perseguir a sede de sangue como um louco.

'Quando foi a última vez que bebi água?'— questionou Leo, sentindo o sabor forte na parte de trás da garganta seca, percebendo que não parara para descansar ou tomar água nos últimos dois dias, nem mesmo dormira uma noite inteira nos últimos quatro.

Era uma busca quase implacável pela alegria de matar, a ponto de esquecer tudo mais, incluindo este mundo e seu objetivo final de chegar à base da cordilheira, esquecendo-se completamente da missão.

Assim, só percebeu que [Indiferença do Monarch] havia se ativado e que deveria parar de culpar o grimório por ser tão vago, e em vez disso se perguntou por que estava tão irritado com a ideia de não poder matar por alguns dias, que a verdade finalmente veio à tona.

Ele havia se viciado.

Sem perceber, entrou num estado de transe onde tudo o mais desaparecia. Buscava a emoção da morte com visão fechada, deixando o ímpeto do combate dominá-lo completamente.

E agora, pensando com clareza, percebeu o quão perigosa era essa mentalidade, pois, sem perceber, se deixara levar pela sede de sangue.

"Caraca... Talvez eu realmente precise de uma pausa de matar—"— Leo percebeu, finalmente entendendo os muitos perigos de tentar dominar o [Códiice da Revelação Sete vezes], onde, ao perseguir uma única emoção, você se torna cego para o fato de que a vida é uma harmonia de sete, e não uma busca por uma só.

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